Especialista desmente evidência controversa que “confirma” a existência de Jesus
O Sudário de Turim é um dos objetos religiosos mais debatidos da história. Trata-se de um tecido antigo que apresenta a imagem frontal e dorsal de um homem barbado, com marcas que lembram ferimentos. Para muitos cristãos, ele seria o pano funerário usado no sepultamento de Jesus. Para outros pesquisadores, o objeto levanta mais perguntas do que respostas, especialmente quando analisado fora do campo da fé.
A existência histórica de Jesus é amplamente aceita por estudiosos, embora sua natureza divina seja tema de debate teológico. Dentro desse contexto, um possível pano funerário associado a ele teria enorme valor simbólico e religioso. Por isso, o Sudário de Turim foi submetido, ao longo das décadas, a exames químicos, físicos e históricos, quase sempre com conclusões divergentes.
Alguns estudos apontaram a presença de substâncias compatíveis com sangue humano. Outros concentraram-se na datação do tecido e indicaram que ele seria medieval, não do período em que Jesus teria vivido. A controvérsia se mantém porque cada nova análise tende a reforçar um lado do debate e provocar reações do outro.
Simulações digitais e o formato da imagem
Uma abordagem recente chamou atenção por focar menos na idade do tecido e mais na forma da imagem impressa. O pesquisador brasileiro Cícero Moraes utilizou simulações digitais em três dimensões para avaliar se a imagem do sudário é compatível com o contato direto entre um rosto humano e um pano.
O método consistiu em criar modelos tridimensionais de um rosto adulto e simular como um tecido se comportaria se fosse colocado sobre ele. Segundo Moraes, quando um pano entra em contato direto com um rosto real, o resultado tende a ser uma imagem distorcida, com áreas mais comprimidas e deformadas, especialmente em regiões como nariz, olhos e boca.
De forma simples, pressionar um rosto contra uma superfície flexível não gera uma imagem proporcional e harmoniosa. O resultado costuma ser irregular e visualmente estranho. No caso do Sudário de Turim, a imagem observada é relativamente uniforme, com proporções mais próximas de um rosto visto de frente, algo que, segundo o estudo, não corresponderia ao efeito físico esperado do contato direto.
Um estudo do ano passado afirmou que esse padrão não seria obtido em um rosto humano real.
Com base nessas simulações, Moraes concluiu que a imagem não se comporta como uma impressão natural de um corpo humano. Para ele, o padrão observado se aproxima mais de uma representação artística em baixo-relevo, técnica conhecida na arte medieval.
Reações, críticas e o debate contínuo
As conclusões não foram bem recebidas por todos. O Centro Internacional de Estudos sobre o Sudário de Turim, conhecido pela sigla CISS, divulgou um posicionamento afirmando que o estudo não traz novidades relevantes. Segundo a instituição, análises físico-químicas anteriores já teriam refutado interpretações semelhantes.
O CISS citou especialmente os trabalhos do STuRP, um grupo de cientistas que investigou o sudário no século XX e cujas medições são frequentemente usadas para sustentar a autenticidade do objeto.
Moraes respondeu publicamente às críticas, afirmando que sua pesquisa apresenta contribuições inéditas, sobretudo ao comparar o sudário com relevos religiosos históricos e estilos artísticos de diferentes períodos. Ele também analisou ponto a ponto as objeções levantadas pelo CISS, oferecendo contrapontos técnicos para cada uma delas.
Além disso, o pesquisador mencionou trabalhos de membros do próprio STuRP que, em anos recentes, passaram a questionar a origem antiga do sudário. Entre eles está Joseph Accetta, que em 2019 apresentou argumentos alinhados à hipótese de que o tecido seja de origem medieval.
Assim, o Sudário de Turim continua ocupando um espaço singular entre ciência, história, arte e religião. Cada novo estudo adiciona camadas ao debate, mantendo o objeto no centro de uma discussão que atravessa séculos.
Esse Especialista desmente evidência controversa que “confirma” a existência de Jesus foi publicado primeiro no Misterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre as curiosidades do mundo!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

