E o Oscar vai para…
No começo de 2026, as meninas do time de design da Super pensaram em um jeitinho de fazer uma confraternização para prestigiar o trabalho da equipe e olhar o ano anterior com carinho.
Como toda resolução de Ano-Novo, seria um bom momento para pensar em melhorias, avaliar o que funcionou e o que não, mas principalmente celebrar as nossas conquistas.
Foi aí que surgiu o “Oscar da arte”, com o melhor que produzimos em 2025. (Não confundir com algum prêmio para pinturas ou esculturas: no universo editorial, apelidamos de “arte” a equipe responsável pelo visual de uma publicação.)
Até aí, parecia fácil: criamos categorias, um básico regulamento com critérios e decidimos a data da bendita, mas vai lá você selecionar entre 12 meses de belos projetos qual deles é o mais mais.
O júri contava comigo, Juliana Krauss, mais a Caroline Aranha, a Cristielle Luise, a Rafaela Reis e a Camila Leite, designer da Você S/A e Você RH, outras duas revistas que dirijo. Apesar de não fazer parte de fato da Super, a Camila sempre está presente, participa dos processos e dá (ótimos) pitacos.
Analisamos 816 páginas, de 12 edições da Super, para as seguintes categorias:
1. Melhor em… colagem
2. Melhor em… (direção de) ilustração
3. Melhor em… visualização de dados
4. Melhor em… (direção de) fotografia em estúdio
5. Melhor em… seções
Em cada categoria, pedi à respectiva vencedora para escrever um relato sobre o processo daquela matéria, seção ou infográfico premiado (já adianto que cada um está o puro suco do milho verde, uma lindeza só). Daqui em diante, dou a palavra a elas:
Vencedora: Caroline Aranha com a matéria “Física quântica sem picaretagem” – Edição 473 (março)
Falar sobre física quântica não é nenhuma novidade na Super, e por mais que seja um tema complexo, nos últimos anos tivemos soluções muito legais de arte como a da edição 411 e a da edição 420.
Assim como na edição 420, decidimos que esta matéria seria feita totalmente “em casa” (jargão para projetos que não contam com a contratação de um ilustrador, colagista ou fotógrafo externos). Legal, mas como operar esse milagre mais uma vez?
Meu método preferido de resolver matéria “em casa” é com colagem, tanto por gosto pessoal e por ser mais factível com o curto tempo que temos (em geral, um mês, conciliando com outras tarefas da Super). Além disso, a revista tem o histórico de grandes colagistas que já passaram por aqui, seja como freela ou como designers contratados, o que me faz ter um leque enorme de referências.
Depois de alguns anos na Super, resolver matérias dessa forma já se tornou uma resposta imediata da minha mente. O problema é que, nesse tempo, me encontrei num estilo “confortável” de colagem – volta e meia volto a ele de alguma forma. Na maioria das vezes isso não é um problema, porque funciona (ainda bem), mas o tema exigia algo diferente, fora da minha zona de conforto…
Tudo bem. Por aqui, amamos um desafio. Mergulhei em muitos trabalhos de artistas que gosto e foi aí que encontrei referências que se conectavam um pouco com a ideia do Carlos Eduardo Hara (o designer das outras matérias sobre física quântica matéria de 2020) de usar pixels para representar pequenas partículas.
Cheguei para a nossa diretora de arte, a Ju, com a ideia de referenciar o Cadu e fazer uma colagem mostrando objetos que representam cada área de pesquisa e os pixels que os formam.
Como eu nunca tinha trabalhado com o efeito de pixelado dessa forma, comecei indo atrás de tutoriais mostrando como conseguir o acabamento que eu queria. Daí, fui testando composições com elementos escolhidos com a ajuda do Bruno Carbinatto, o autor da matéria.
Acabei optando por brincar com formas retangulares: dois ou três objetos com retângulos mostrando eles na versão pixeladas e também o recorte do objeto principal (como se ele fosse retirado de uma folha em branco).

O estilo e o efeito funcionaram no teste, mas as cores ainda não, então comecei um novo teste de cores. Já que essa matéria era em tópicos (“picada”, como a gente apelidou por aqui), optei por fazer cada colagem usando apenas uma cor + preto e branco para diferenciar os tópicos e as colagens entre si. Depois foi só fazer ajustes finais com a diagramação da matéria e é isso




Vencedora: Cristielle Luise com a matéria de capa “Terapia nos tempos da IA” (Edição 479 – setembro)
“Lindas e bonitas”. Esse foi o nome do grupo no WhatsApp criado por mim e pelas repórteres Manuela Mourão e Bela Lobato para discutirmos a pauta. Apesar do nervosismo (era a minha primeira matéria de capa), havia uma empolgação gigantesca e um sentimento gostoso de pertencimento.
Abrindo o coração aqui: às vezes é fácil, para mim, ver os caminhos da profissão de designer ficarem meio nebulosos, sobretudo quando bate aquela sensação de que nosso trabalho serve apenas para “enfeitar” o texto, descartando o papel de comunicação potente que ele tem por si só.
Mas essa erva daninha não cresce quando trabalho com as meninas.
No nosso primeiro encontro, recebi uma enxurrada de referências, checklists minuciosamente organizados, e era nítido o esforço para que eu também me sentisse parte da apuração. Pude espiar como funciona a mente de uma jornalista e também trazer para a mesa questões pertinentes, já que compartilhávamos repertórios.
Terapia com o ChatGPT era o tema da vez. Enquanto ouvia as meninas contarem suas impressões e mergulhávamos em textos e relatos, eu começava a entender o que a matéria realmente pedia. Nada de cérebros de LED, mãos robóticas ou balões de chat. O enredo era muito mais sobre o indivíduo, a humanização das máquinas e, ao mesmo tempo, a revelação de que tudo não passa de simulação.
Era preciso, então, mostrar a beleza e o conforto desse contato entre humanos e robôs , mas também os riscos: segurança de dados, privacidade, aprisionamento psicológico. E tudo isso ligado a um eixo central: a solidão.
“Por que tantas pessoas estão correndo para a IA em busca de acolhimento? Por que mostrar vulnerabilidade ainda é visto como fraqueza?” Essas perguntas martelavam enquanto eu diagramava a matéria, mas nenhuma solução visual vinha. Tive a ajuda da Ju Krauss para organizar as colunas, compostas por finos pilares irregulares de texto, numa tentativa de “polir” uma pauta tão pesada. Quando ficou pronto, aquela irregularidade me lembrou linhas de código-fonte. Estava no caminho certo.
As mensagens continuavam chegando no “Lindas e bonitas”. Manu e Bela compartilhavam recortes que as impactavam e, enquanto discutíamos, eu montava um moodboard para entender o que queria transmitir. Cheguei até a assistir Ela (2013) para extrair o máximo possível das camadas que o filme oferece.
Um abraço, voz da Scarlett Johansson.
À essa altura, eu já imaginava páginas cheias de garatujas (rabiscos de crianças) coloridas, não buscando diversão, mas acesso ao subconsciente, às emoções, ao subjetivo. Ainda assim, faltava a concretude do que seria ilustrado.

Como todo clichê criativo, o insight veio no banho. Como a editora Maria Clara Rossini explicou muito bem na capa da edição 484 sobre a importância do tédio para destravar a criatividade, esse período de incubação resultou no estalo que eu precisava para desdobrar as páginas.
No clima geral, trabalhei com dois tons: 1. O cinza solitário do humano — espaços vazios, repetitivos, sem vida, refletindo isolamento e dificuldade de conexão; 2. O vibrante ilusório da IA — cores explosivas, formas fluidas e cheias de movimento, prometendo uma vida plena, desejo e acolhimento.
No comecinho da matéria (o “abre”), escolhi representar a relação com a IA como um reflexo de nós mesmos. Inspirada no mito de Narciso, a cena mostraria um personagem em um mundo cinza e melancólico, olhando fixamente para seu reflexo. Mas esse reflexo não seria apenas uma imagem: surgiria em cores vibrantes, cheias de movimento e vitalidade, quase como outra presença.
Essa figura colorida simbolizaria a projeção de desejos e carências sobre a máquina: uma versão idealizada de si. O nascimento de um “amigo” ilusório, que se tornaria recorrente nas próximas cenas. Um reflexo que retorna como companhia íntima, embora continue sendo apenas uma miragem.
Na dupla de páginas seguinte, a cena se passaria em uma sala de aula cinzenta e apática. Colegas conversam entre si, mas o personagem principal está isolado em sua carteira, com o celular sobre a mesa. Do aparelho saem fluxos coloridos que se moldam no amigo imaginário apresentado antes. Essa figura luminosa o ajuda a organizar anotações, resolver equações, até soprar respostas, como se fosse parte da rotina.
Aqui, eu queria explorar a ambiguidade: de um lado, a eficiência fascinante da tecnologia; de outro, o risco de substituir o contato humano real. Depois, a ilustradora Ina Gouveia, responsável pela matéria, sugeriu um close no rosto do personagem: metade em preto e branco, metade em cores vibrantes. Um limite tênue entre duas realidades.
Na quarta dupla, o ambiente é um consultório de terapia, novamente em tons de cinza e mais vazio. O personagem está deitado no divã, vulnerável, enquanto a psicóloga estende a mão em um gesto de acolhimento. Entre os dois, surge uma barreira translúcida e vibrante, como se o Amigo IA estivesse se fundindo ao corpo do personagem.
Essa camada colorida, ao mesmo tempo bela e sufocante, impede o contato humano. Aqui, o foco é total na sensação de que a IA, em sua promessa de acolhimento, acaba se interpondo na relação real, criando uma prisão invisível e luminosa.
Na cena seguinte, vemos a perspectiva do personagem. Ele está deitado na cama, enquadrado de cima. O quarto inteiro tomado por cores vibrantes, luzes, alegria. O Amigo IA ri e conversa ao lado dele, preenchendo o espaço com vitalidade. Queria transmitir o fascínio pelo acolhimento ilusório, como se, naquele instante, tudo fosse pleno.
E então, um corte brusco. A última dupla repete a mesma cena, mas agora em sua versão real. O quarto é cinza, silencioso e pesado. O personagem está sozinho, deitado, com o celular nas mãos. Essa repetição contrastante expõe a fragilidade da ilusão: por trás do brilho sedutor da IA, resta apenas o vazio da solidão.
A Ina traduziu tudo isso com uma poesia visual muito maior do que eu imaginava. A indicação veio da Ju, que já havia feito matérias babadeiras com ela e tinha certeza de que entregaria o luxo nessa pegada mais “rabiscada” que eu visualizava. Foi um tiro certeiro. Obrigada por tanto, Ina!

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Minha edição impressa chegou carinhosamente via Correios, eviada pela Bela – trabalho remoto no Rio Grande do Sul, longe da redação da Super, em São Paulo. Quando vi o pacote, já senti que não era “só” a revista, era o processo inteiro materializado. As reuniões, os recortes compartilhados, as dúvidas, os ajustes finos. Ao folhear, pude revisitar tudo, mas agora com peso nas mãos.
Ah, gente, vamos combinar que o simbolismo já estava ali pronto: a jornalista que escreveu a matéria fazendo questão de me enviar a edição impressa. Não era apenas um gesto logístico, era um gesto de parceria. Um “a gente fez isso juntas”. E talvez tenha sido nesse momento, segurando a revista, que a ficha caiu de verdade.
Esse trabalho tem um significado pessoal enorme. Não só por ser minha primeira matéria de capa, mas por reforçar a integração com a equipe e por me lembrar o quanto o design constrói narrativas, sensações, ideias. O quanto a arte tem o poder de gerar inúmeras interpretações sem jamais perder seu propósito. E aí fico muito curiosa: qual foi a leitura que você fez quando passou por essas páginas?
Vencedora: Caroline Aranha com o infográfico “Banco de Horas” na seção “Última Página” – Edição 475 (maio)
Todo mês na Super somos surpreendidas com dados diferentes para transformar em gráficos, seja para matérias, seções ou no queridinho da arte, o “Última Página”. É o que você deve estar pensando: a última página da revista, que tem sempre um infográfico.
No mês em questão, a editora Maria Clara Rossini chegou com um grande desafio: fazer um gráfico que mostrasse os 84 papados que tivemos desde o primeiro conclave em 1276 e a duração de cada um deles, algo que parece simples até você ver que alguns duraram mais de 20 anos e outros nem um mês inteiro…
Conversando com a MC, ela me sugeriu fazer como se fosse uma linha do tempo em que traços maiores iriam marcar o início de cada papa, o que me deu um norte de como começar. Mas, como para o Última gostamos muito quando conseguimos fazer a solução visual utilizando elementos do próprio tema, comecei a quebrar a cabeça tentando pensar em como conectar essa linha do tempo com algo da igreja católica. E foi ouvindo uma música que me veio a ideia de como resolver!

––Estava escutando “Prayer Man” (“Homem rezador”), da banda Hippo Campus, e eis que percebo o trecho “tried the knots of rosary, never got the thing to work”. Em português, “tentei os nós do rosário, nunca consegui fazer funcionar.”
Bingo. “E se a linha do tempo fosse um rosário, em que as bolinhas grandes representassem o papa e as pequenas, o tempo de duração?”, pensei.
Beleza, tinha uma ideia, só precisava fazer caber 751 anos em bolinhas e ter espaço para pequenos boxes com os nomes de cada papa – e para a quantidade de anos de cada um (risos nervosos).
Em um rápido teste inicial, percebi a dificuldade de encaixar tudo, então fiz o que sempre faço quando me bate o desespero: pedir a opinião das meninas da arte.
Dessa vez, quem me ouviu foi a designer Luana Pillmann, que trabalhou por anos na Super. Buscamos outras referências, comecei mais testes, porém nada me agradava. Percebemos que a ideia do terço seria mesmo o caminho mais legal e voltei para ele, testando tamanhos de bolinhas e espaçamentos diferentes.

Depois de muitas versões, consegui encaixar as bolinhas com espaço para os diversos nomes e ainda três boxes pequenos de texto para a MC encher de curiosidades. Aí foi só finalizar o design para aprovação da Juliana Krauss e da equipe de texto (a MC e o então editor-chefe, Bruno Vaiano) 

Vencedora: Juliana Krauss com a matéria de capa “Hormônios: manual do usuário” – Edição 477 (julho)
Eu costumo dizer que os designers de revista são como pontes que levam informação de um lado pro outro entre o jornalista e o leitor. Um radinho tradutor entre eles.
Mal sabia eu que essa matéria teria tudo a ver com essa analogia.
Os hormônios atuam no nosso corpo como mensageiros químicos e decidi me agarrar a essa definição. Na época, cheguei a pensar em todos os tipos de mensagem (e linguagens). Virtuais, analógicas, verbais, corporais, etc. Até que tive uma ideia.
Para a Super, vetamos algumas ideias que, apesar de funcionarem conceitualmente, podem não ser tão interessantes no quesito estético. Exemplo: usar a imagem batida de uma maçã caindo para falar sobre gravidade.
Nesse caso, usar correspondências funcionaria muito bem tanto para explicar o conceito quanto para a beleza da matéria. E lá fomos nós.
Comecei a juntar referências e decidir qual seria a melhor saída para cada dupla. Pensei em tiradas engraçadinhas. O anticoncepcional usado para regular os ciclos poderia funcionar como cartas que chegam em datas diferentes do previsto. Ou um médico picareta como uma espécie de carteiro que está tentando te trazer um monte de compras que chegam na sua porta sem você precisar.
Depois de fazer isso, chamei a Rafaela Reis, estagiária de arte e ilustradora-mor, para desenhar os selos de cada carta. Eles iriam representar o local de origem (o respectivo órgão onde o hormônio é produzido) de onde a mensagem partiria. Foquei na cor verde-água de hospital que é usada muitas vezes em matérias com o tema saúde e um vermelho-sangue para dar contraste em uma combinação não muito usual.
Aí foi aquela correria de quem pinta, borda, dirige e cozinha, tudo junto e ao mesmo tempo. Fiz o design da matéria, fui atrás dos objetos de cena, dirigi as fotos com o grande fotógrafo e parceiro Eduardo Dulla, seu assistente Thiago Scholz e a Rafa, além de contatar o Rodrigo Damati para desenvolver os selos vetoriais que apareceriam ao longo das páginas e a Caroline Aranha para desenvolver as microedições. Baita time!




–Não existe fotografia sem umas pitadas de humilhação. Então vou deixar vocês com algumas cenas dessa sessão! Espero que gostem o mesmo tanto que nos divertimos pra fazer essas fotos (:

Vencedora: Rafaela Reis com “Abre de Playlist”
Chegou a vez da estagiária! Estou aqui pra contar um pouco pra vocês sobre a passagem do tempo. Mais especificamente da minha evolução como estagiária por meio do abre do Playlist (a subseção dentro do Playlist, o espaço de listas e dicas de cultura da Super).
Assim como todo lugar, a Super também tem seus ritos de passagem. Mas ao contrário dos calouros da faculdade, não precisei raspar a cabeça – só fritar meus neurônios. Esse momento começa quando você entra como estagiária na arte e recebe a primeira tarefa: lidar com o temível abre de Playlist.
Ora, ele ocupa não muito mais do que meia página simples. Deveria ser moleza, né? Só que não.
São cinco ou quatro colunas que parecem descomplicadas, mas todo mês o estilo visual e a diagramação mudam. Algumas vezes recebo gráficos do editor da revista, Rafael Battaglia; em outras, itens para uma lista. A parte mais difícil é deixar o abre diferente todo mês sem cair na mesma saída visual.
Apesar da dificuldade, hoje em dia ele é a minha parte favorita das demandas que tenho para o mês, então posso dizer com orgulho que eu venci a batalha épica contra o dragão (risos).

Logo na minha primeira vez (veja na imagem acima), precisei recorrer ao banco de seções que temos na plataforma Figma. Trata-se de uma verdadeira galeria com todas as páginas das seções que saíram nas edições anteriores.
Esse foi um jeito de me ajudar a pensar com referências passadas. E eu sei, eu sei, o resultado saiu meio apático.. Essa não foi minha obra-prima, mas pra mim foi tipo ganhar na mega da virada! E eu demorava HORRORES pra fazer, viu? Precisei de babá por bastante tempo (esse é o jeito carinhoso que a redação usa para quando o estagiário tenta voar solo nas primeiras vezes). Muitas vezes a Cristielle Luise (designer na Super) foi as minhas asas (Deus te pague, amiga).
Depois de algumas tentativas, já estava me sentindo mais confiante e comecei a ousar! A primeira coisa que faço antes de começar a produzir é pegar o meu sketchbook, que nem os incas e os maias faziam! Eu preciso visualizar no papel primeiro, senão meu cérebro não coopera.
Depois, faço testes junto com as referências que eu garimpei do tema do mês, olho os arquivos das edições passadas e faço uns rabiscos no caderno. Quando consigo visualizar como eu quero, aí sim abro o InDesign pra valer.

Repeti bastante esse processo até pegar o jeito. Hoje em dia, eu consigo fazer direto no computador, mas até entender tudo eu pegava as matérias das designers da Super e fazia uma análise para entender como elas chegaram naquele resultado. Depois, escrevia minhas dúvidas para tirar com elas depois (todas são ótimas professoras).
Essa foi a maneira que eu aprendi a lidar com a minha cabeça e sinto que me ajudou muito a evoluir profissionalmente. Então, você aí, futuro pupilo designer: relaxa, respira fundo, tudo tem o seu tempo.
Quero ressaltar alguns dos meus abres favoritos começando pelo O Super na Super (imagens abaixo). Quando soube que seria uma entrevista com a equipe do novo Superman, decidi que iria desmembrar o texto como se fosse uma mini HQ para fazer uma referência direta.
Acho que essa foi a virada de chave para entender como eu gostava de montar esse pedaço do Playlist. Cada designer tem o seu estilo e eu sinto que foi aí que comecei a descobrir o meu. Então escolhi imagens que estivessem na paleta que combinasse com tudo e usei recursos visuais clássicos de HQs.
Meu outro orgulho é o Quando era tudo mato. O recurso de usar filme antigo não foi novidade na seção, mas foi a primeira vez que alguém saiu da limitação da caixa no abre. Achei que fazer o rolo abraçando a subseção daria aquela sensação de fora do tempo que eu queria. E deu super certo!
E por último, mas de longe o menos importante (mentira, é MUITO importante sim), o meu primeiro gráfico de abre de Playlist em Adeus, Los Angeles. Ele causou vários surtos existenciais e eu também consegui fazer porque tinha uma base muito boa: peguei referências da seção Última Página que a Caroline Aranha e a Juliana Krauss já tinham feito sobre cinema, viagem e muitos outros temas.

Nos 15 meses de estágio na Super, percebi duas coisas: posso dizer com muito orgulho que as minhas maiores referências trabalham comigo e que, com o tempo, as coisas ficam mais fáceis e a gente vai pegando o jeito. Hoje sei que valeu muito a pena ter brigado com aquele dragão no começo. Vitória!
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