Dia dos Povos Indígenas: 31 textos da Super para usar em sala de aula
No dia 19 de abril, celebra-se o Dia dos Povos Indígenas. A data marca o aniversário do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que ocorreu no México em 1940 e discutiu uma série de medidas para a defesa dos povos indígenas em países das Américas. O dia foi oficializado no calendário brasileiro pelo presidente Getúlio Vargas em 1943.
É uma ocasião fértil para discutir as culturas dos povos indígenas brasileiros e de todo o mundo em sala de aula. Muitas vezes, essas culturas ainda são abordadas como se pertencessem ao passado ou fossem práticas “primitivas”.
Isso não poderia estar mais longe de ser verdade: existem 1,6 milhão de indígenas e 391 etnias no Brasil hoje. Eles têm uma diversidade enorme entre si: falam 295 línguas, vivem em diferentes biomas e, assim, têm modos de vida únicos.
Por isso, não é certo falar em “os indígenas” como um grupo só. Há um universo enorme dentro dessa categoria. Dá pano pra manga.
Pensando nisso, separamos uma coletânea de textos recentes da revista Superinteressante que podem ser interessantes para o uso em sala de aula. Eles estão separados em cinco grandes grupos temáticos: cultura, linguística, história, geografia e ciências da natureza. É claro que há muitas interseções entre os temas – as categorias servem só para organizar a leitura da lista.
Há também textos que podem servir para disciplinas menos intuitivas, que não estão tipicamente associadas ao estudo de culturas e povos indígenas. É o caso de meia dúzia de textos da categoria “ciências da natureza” que abordam astronomia, genética e doenças.
Os textos estão divididos em três gêneros.
As reportagens são textos mais longos, com apurações aprofundadas que consultam muitas fontes e especialistas e exibem infográficos, mapas e ilustrações.
As notas são textos mais corriqueiros, que abordam um assunto pontual, geralmente referenciando os achados de um único estudo, e com um ou dois entrevistados.
Por fim, os Oráculos pertencem à nossa seção de perguntas dos leitores: usamos uma pergunta inusitada como ponto de partida para abordar assuntos complexos, geralmente com base em entrevistas com especialistas e/ou artigos científicos.
Aliás, você, professor ou professora, pode mandar as perguntas mais cabeludas dos seus alunos para o Oráculo também! É só enviar no nosso Instagram ou no email da nossa editora-assistente, maria.costa@abril.com.br. Se forem selecionadas, as perguntas saem na revista impressa e no site.
Sem mais delongas, vamos para a lista! Esperamos que gostem, e boas aulas!
Cultura, cosmologias e antropologia
Reportagem: Astronomia indígena: como os povos originários viam (e veem) o céu
Uma matéria sobre os saberes tradicionais indígenas sobre o céu: os Tupinambás, do Maranhão, já sabiam da influência da Lua sobre as marés. Conheça outras constelações, de várias culturas. São outros jeitos de ver a vida e o céu, permitindo discussões sobre cosmologia, epistemologia e ciências.
Reportagem: Geomitologia: como fósseis podem ter inspirado lendas de grifos, ciclopes e dragões
A geomitologia estuda como a natureza pode ter influenciado o folclore de povos antigos. Além de muitas anedotas fascinantes, a reportagem explora também o que os mitos podem nos revelar sobre o mundo de ontem e de hoje.
“A geomitologia pode parecer um passatempo de menor importância, uma mera coleção de curiosidades do passado ou uma linha de pesquisa imprecisa demais para ser levada a sério. Mas seus estudiosos defendem que ela valoriza os conhecimentos tradicionais de povos indígenas mundo afora, por muito tempo apagados dos livros de ciências.”
Para um caso específico da cultura de indígenas brasileiros, vale conhecer o caso descrito na reportagem Em estudo revolucionário, paleontólogos revisam datação da megafauna brasileira.
Reportagem: Os últimos povos isolados: como vivem os humanos não contatados
Uma reportagem longa, cheia de mapas e gráficos sobre como vivem os povos indígenas isolados, por que eles se isolam, e como é possível saber fatos sobre pessoas que não querem nenhum papo com pesquisadores. Cheia de curiosidades e informações essenciais sobre a preservação dos modos de vida indígenas.
Reportagem: Como os nativos da Ilha de Páscoa lutam para preservar 897 moais – e toda a sua cultura milenar
Os emoji de moai (
) é um dos favoritos da geração Z e alpha. Será que eles sabem que essas estátuas são parte de uma cultura indígena milenar do Pacífico que está ameaçada? Essa reportagem traz infográficos bem legais sobre como os moais foram feitos e as hipóteses de como eles podem ter sido transportados.

Reportagem: A globalização da ayahuasca
Quem já ouviu falar da ayahuasca como substância psicodélica que ganha popularidade nas grandes cidades talvez não faça ideia de que se trata de uma cultura tradicional de povos indígenas da Amazônia. O texto discute etnoturismo, drogas psicodélicas e a apropriação de práticas culturais. Nosso repórter conferiu o fenômeno de perto, no Acre, e a reportagem ainda tem fotos bem legais.
Reportagem: Como os indígenas criaram o Iluminismo
Séculos atrás, quando Brasil e Canadá ainda eram colônias, muitos pensadores indígenas criticaram a pobreza e o autoritarismo na Europa. Esses questionamentos foram as bases dos ideais de igualdade, liberdade e fraternidade da Revolução Francesa, mas estavam fora do radar dos historiadores – até agora.

Nota: Nimu Borum, a criança de mil anos que escapou de incêndio em museu mineiro
Uma entrevista com a primeira bioarqueóloga indígena do Brasil, que explica sua pesquisa de mestrado com o sepultamento de uma criança indígena que viveu em Minas Gerais há 8 mil anos.
Nota: Queda de árvore na Amazônia revela urnas funerárias indígenas
Um texto curto sobre um achado específico, que pode fomentar discussões sobre antropização – como a floresta amazônica não tem nada de “virgem” ou “intocada”, e vem sendo modificada pelos povos originários há milênios. Para uma discussão mais longa, vale conferir a reportagem Os indícios de sociedades pré-cabralinas ocultos na vegetação da Amazônia.
Nota: “Capela Sistina” amazônica revela como humanos caçavam na região há 12 mil anos
Seus alunos curtem “pinturas das cavernas”? Pois essa é uma excelente oportunidade para explicar a Amazônia e hábitos de povos originários que ocupavam a região há 12 mil anos – e dá até para fazer uma atividade de artes.

Oráculo: Quanto tempo demora pra um cemitério virar sítio arqueológico?
Discute as diferentes formas de sepultamento, e destaca alguns aspectos da pesquisa arqueológica em sítios arqueológicos de povos indígenas.
Linguística
Reportagem: Conheça a Língua Geral, o idioma “esquecido” que fundou o Brasil
Se engana quem pensa que as línguas indígenas se resumem ao tupi. Esta é uma longa reportagem que aborda a diversidade de línguas indígenas, e foca na língua geral, que dominou as conversas no Brasil durante séculos. É um texto sobre história, colonização, linguística, gramática e muitas curiosidades que geralmente passam batido pelos livros didáticos.
Reportagem: A sofisticação das línguas indígenas
Mais uma matéria de linguística: nessa, o jornalista Reinaldo José Lopes explica detalhes da formação gramatical de diferentes línguas indígenas. E, se a linguagem é o que estrutura o pensamento, conhecer outras línguas nos permite uma janela para vislumbrar jeitos completamente diferentes de ver o mundo.

Nota: No Tupi, o “y” é uma vogal que não existe em português
Por que tantas palavras do tupi antigo têm a letra Y? E como devemos pronunciá-las? Em tupi, o Y (ou a sílaba “Ig”) é uma vogal com um som completamente diferente dos que temos no português brasileiro.
Oráculo: Por que tantos países chamam o abacaxi de ananás?
O abacaxi é uma fruta brasileira, e “ananás”, um termo do tupi-guarani que, por meio dos colonizadores, se espalhou pelo mundo todo. É uma história interessante sobre uma perspectiva que raramente se pensa em sala de aula: como a cultura dos colonizadores também se modificou a partir do contato com povos indígenas.
História
Reportagem: Tortura, prisões e fogueiras: como a Inquisição atuou no Brasil
Uma reportagem de história que traz um outro ponto de vista sobre o período da Inquisição. Longe da caça às bruxas europeias, no Brasil, a perseguição foi principalmente contra mulheres pretas e indígenas. São processos diretamente ligados com as origens do racismo religioso contra crenças de matriz africana e saberes tradicionais.
Reportagem: Beríngia: o verdadeiro continente perdido
Uma excelente pedida para as aulas de história sobre as migrações humanas pela Terra. A reportagem é uma jornada pelo povoamento das Américas, e serve para entender a formação étnica e a distribuição geográfica dos povos indígenas de todo o continente.

Reportagem: Uma breve história da higiene pessoal
Os povos indígenas não são o principal assunto deste texto, que explora várias culturas de higiene pessoal ao longo da história e ao redor do mundo. Nela, alguns costumes indígenas brasileiros são mencionados – uma boa oportunidade de questionar ideias do senso comum sobre higiene e cosméticos.
Nota: Projeto reúne cartas de indígenas ao longo de séculos e propõe nova visão da história do Brasil
Neste texto, entrevistamos uma pesquisadora que se dedica a investigar cartas de indígenas – a maioria, escritas em coletivo e destinadas à coletividade, ao Brasil. São cerca de 2 mil correspondências de 1630 a 2020.
“Para a pesquisadora, essas cartas podem ser consideradas uma contra-história, redesenhando narrativas que circulam no imaginário coletivo. ‘Elas são a história do Brasil e precisam entrar como narrativa oficial. Quando entram, entram no material didático e na formação coletiva. O objetivo do projeto é que as cartas façam parte do imaginário de estudantes.’”
Oráculo: Existiam indígenas no território japonês antes da população atual? | Super
Uma dúvida simples que pode servir para alimentar uma discussão sobre a própria categoria “indígenas” e falar mais sobre os povos nativos de fora das Américas, que viveram processos de colonização bastante diferentes dos que estamos acostumados a discutir na história brasileira.
Geografia
Reportagem: Os indícios de sociedades pré-cabralinas ocultos na vegetação da Amazônia
A Amazônia é ocupada por humanos há milênios, mas a floresta densa encobre muitos dos vestígios dessas ocupações. Além disso, a arqueologia muitas vezes olha para o lugar errado – e as pesquisas enviesadas podem acabar concluindo que ali não há o que ser estudado.
O projeto Amazônia Revelada muda isso, unindo alta tecnologia e conhecimentos tradicionais de povos indígenas e ribeirinhos. De forma didática e com infográficos, a reportagem explica como funciona a tecnologia LiDAR, que pode rastrear mudanças no solo e mudar tudo o que se sabe sobre a região.

Reportagem: Madeira-Mamoré: a história e o legado da “ferrovia do diabo” | Super
No século 19, a exploração de borracha na Amazônia levou à construção de uma estrada de ferro no meio da floresta. Os trilhos fundaram a cidade de Porto Velho – e mataram milhares de trabalhadores e indígenas que estavam em seu caminho.
Essa reportagem, embora não seja especificamente sobre povos indígenas, é um material valioso para discutir a expansão industrial para a Amazônia e as problemáticas da abertura de novas estradas em meio à floresta.

Nota: Por que é proibido se aproximar de povos indígenas isolados?
Um texto curto explicando porque é importante manter a distância dos povos indígenas isolados. Para uma discussão mais longa e com mais dados, vale conferir a reportagem Os últimos povos isolados: como vivem os humanos não contatados.
Nota: As raízes históricas da disputa territorial entre Venezuela e Guiana
Uma matéria de geografia e história que explica como a fronteira entre os países foi criada por colonizadores britânicos há cerca de 200 anos.
Nota: Entenda o que é o marco temporal – e como ele afeta os povos indígenas
Neste texto curto, entenda a problemática do marco temporal que pode impedir a demarcação de centenas de territórios indígenas.
Ciências da natureza
Reportagem: Por que é tão difícil salvar o clima? Um guia para entender a COP30
Uma explicação ampla e didática sobre as mudanças climáticas e o que está em jogo nas negociações globais. Os povos indígenas não são o assunto principal da reportagem, mas são parte importante da explicação. Para mais detalhes sobre como os povos indígenas se relacionam com essas pautas, vale a leitura do texto O que diz o artigo de cientistas indígenas brasileiros publicado na Science.

Nota: Línguas indígenas estão morrendo – e, com elas, o conhecimento sobre plantas medicinais
Este texto discute tradição oral, biodiversidade, extinções, medicina, ciência e plantas medicinais. Tudo isso em torno dos impactos da perda de conhecimentos que morrem junto com as línguas indígenas.
“‘Cada língua indígena é um reservatório único de conhecimento medicinal’. Assim escrevem os pesquisadores Rodrigo Cámara-Leret e Jordi Bascompte em um estudo que faz um alerta”
Nota: Populações indígenas da Amazônia desenvolveram resistência à doença de Chagas
Este texto curto pode ser usado para discutir como as doenças se espalham por populações, e quais adaptações os organismos podem desenvolver para evitá-las. Também é uma boa para discussões sobre evolução e saúde pública.
Nota: Estupro de mulheres negras e indígenas deixou marca no genoma dos brasileiros
Este texto explica como os genes dos brasileiros guardam marcas da violência sexual da colonização, a partir do projeto de sequenciamento genético mais abrangente já realizado no País. Isso porque os genes herdados exclusivamente por via materna em geral são de mulheres negras e indígenas, e os genes transmitidos pelos pais são quase todos de colonizadores europeus.
Nota: O que revelou a mais completa análise genética da população brasileira já feita
Neste texto, termos da biologia e da genética são usados. Dá para discutir migrações, miscigenação, dinâmicas populacionais, vieses de pesquisa, hereditariedade… Tudo isso com um tema bem próximo da realidade brasileira: a variedade fenotípica da população.

Oráculo: Os nativos americanos passaram alguma doença aos europeus no primeiro contato?
Uma dúvida comum e curiosa serve para explicar por que povos americanos foram tão vulneráveis a doenças trazidas por europeus nos primeiros contatos da colonização, no século 16.
Reportagem externa: Conheça a história da rapamicina, medicamento de US$ 1 bi cuja ciência e a indústria farmacêutica devem aos indígenas da Ilha de Páscoa
Este não foi escrito pela equipe da Super, e sim pelo site The Conversation, que publica artigos escritos por cientistas. No caso, o autor é um professor de biologia molecular que explica como um medicamento descoberto na Ilha de Páscoa gerou bilhões de dólares em receita, mas o povo Rapa Nui, que lá vive, não recebeu nenhum benefício financeiro até o momento. O texto levanta questões sobre os direitos indígenas e a biopirataria.
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