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Curiosidades

Como uma ponte estaiada viajou de avião do Brasil para a Angola

Luanda, a capital de Angola, vai receber um novo Centro de Convenções na região de Chicala, que promete ser uma das maiores infraestruturas do país. Com uma obra orçada em cerca de US$ 316,8 milhões, o complexo ocupará uma área de 72 mil m² e contará com um teatro de três mil lugares.

Um dos pontos cruciais da construção é uma ponte estaiada. Nesse tipo de obra, a pista é sustentada por cabos de aço, como a Ponte Octávio Frias de Oliveira, em São Paulo. Ela vai conectar o Centro de Convenções à nova Marginal de Luanda. Mas há um detalhe: a ponte estava no Brasil.

Transportar uma ponte já é, por si só, um desafio logístico, visto que as peças são enormes e pesadas. No caso da ponte de Luanda ainda havia um desafio de tempo: com inauguração prevista para abril deste ano, o material deveria chegar o mais rápido possível.

A missão ficou a cargo da empresa de logística brasileira DHL Global Forwarding, que transportou 48 toneladas de equipamentos da ponte – alguns com mais de seis metros de comprimento – em apenas seis dias (144 horas), saindo de São Paulo e chegando a Luanda em um tempo de trânsito inédito.

Foi uma verdadeira força-tarefa integrada envolvendo 20 profissionais. Unimos a engenharia do cliente à inteligência logística em um fluxo de comunicação contínua” Comenta André Maluf, diretor de Frete Aéreo na DHL

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A ponte, construída pela empresa brasileira Protende ABS, atravessou o Atlântico de avião. Essa é uma alternativa muito mais rápida do que o tradicional transporte marítimo, que levaria cerca de 70 dias até Luanda. Mas opção aérea trouxe desafios adicionais, já que aeronaves suportam menos peso e volume do que navios.

As peças da ponte, com propriedades geométricas distintas, não caberiam em uma aeronave de transporte padrão. Foi necessário recorrer a um voo charter (palavra chique para dizer que a DHL alugou um avião), utilizando uma aeronave capaz de transportar cargas maiores e mais pesadas. Tudo ocorreu em um único voo, na aeronave Boeing 747F.

Esta foi uma das primeiras exportações por via aérea de sistemas de aterramento já realizadas no Brasil. A operação se torna inédita por conta da disrupção do modal logístico para infraestrutura pesada. O que fizemos aqui foi converter uma ponte em carga aérea. Superamos as limitações geométricas do aço para atender a um cronograma crítico, tornando viável o que o mercado considera improvável”, diz o diretor.

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<span class=”hidden”>–</span>DHL/Divulgação

Além disso, as peças da ponte não podem simplesmente ficar soltas dentro do avião, pois seu deslocamento durante o voo pode gerar acidentes catastróficos. Elas exigem proteção, cuidados especiais e precisam atender a normas de segurança. 

Por isso, foram encomendadas estruturas de proteção – o problema é que elas não chegaram à tempo. Para não atrasar a operação, a DHL desenvolveu embalagens e estruturas de fixação sob medida dentro do próprio aeroporto.

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Atuamos com engenharia de embalagem just-in-time. Como as peças não tinham interface para fixação aérea, desenhamos e construímos bases e caixas de madeira customizadas”, explica André Maluf.

Entre os itens transportados estavam os tubos antivandalismo, usados para revestir os cabos de sustentação da ponte e protegê-los tanto de danos naturais quanto de intervenções humanas.

“Criamos um sistema de ancoragem que permitiu amarrar tubos antivandalismo aos paletes aeronáuticos com total segurança, transformando componentes industriais em unidades de carga prontas para o voo”, completa o profissional.

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Para comparação, no fim dos anos 1960, a London Bridge original foi comprada por um magnata americano para se tornar um ponto turístico em Lake Havasu City, no Arizona. Na época, o processo de desmontagem, transporte e reconstrução da ponte, feita de blocos de pedra, levou cerca de três anos.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.