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Curiosidades

Cientistas descobrem antibiótico até 100 vezes mais potente que compostos atuais

Pesquisadores das universidades de Warwick (Reino Unido) e Monash (Austrália) identificaram um novo e poderoso antibiótico. Ele é capaz de matar algumas das bactérias mais resistentes do mundo, incluindo aquelas que causam infecções hospitalares graves, como Staphylococcus aureus, resistente à meticilina (MRSA), e Enterococcus faecium, resistente à vancomicina (VRE).

A descoberta, publicada no Journal of the American Chemical Society na última segunda (27), surpreendeu até os próprios autores, já que, segundo eles, o composto estava “escondido à vista de todos”.

Trata-se da lactona de pré-metilenomicina C, uma molécula produzida naturalmente pela bactéria Streptomyces coelicolor. Essa bactéria é uma “veterana” da microbiologia: vem sendo usada desde os anos 1950 como modelo para entender como certos microrganismos fabricam antibióticos.

“Encontrar um novo antibiótico em um organismo tão familiar foi uma verdadeira surpresa”, afirmou a química Lona Alkhalaf, da Universidade de Warwick, em comunicado.

O composto é, na verdade, um intermediário químico – uma substância formada temporariamente no meio de uma reação – que aparece durante a produção natural de outro antibiótico, a metilenomicina A, isolada há 50 anos. Até agora, ninguém havia testado se esses intermediários teriam também alguma ação antimicrobiana.

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Nos experimentos conduzidos pela equipe liderada por Greg Challis, do Departamento de Química da Universidade de Warwick e do Instituto de Descobertas Biomédicas da Universidade Monash, a lactona de pré-metilenomicina C mostrou-se mais de 100 vezes mais potente do que a metilenomicina A contra diversas bactérias Gram-positivas.

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Calma, vamos explicar o que isso quer dizer.

“Gram-positivas” é grupo de microrganismos possui uma parede celular espessa, rica em peptidoglicano, estrutura de açúcares e aminoácidos que atua como um “escudo” molecular. Elas recebem esse nome porque, no chamado teste de Gram, criado no século 19, retêm um corante violeta usado para diferenciá-las de outros tipos de bactérias.

Entre essas Gram-positivas, Staphylococcus aureus e Enterococcus faecium representam ameaça significativa, já que a resistência a antibióticos de última linha, como a vancomicina, limita severamente as opções terapêuticas.

Já as bactérias Gram-negativas, como Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, apresentam uma parede celular mais complexa e dupla, o que dificulta a penetração de medicamentos. Essas espécies já desenvolvem resistência até mesmo a antibióticos de última geração, como os carbapenêmicos e as fluoroquinolonas, usados como “último recurso” em UTIs.

A equipe do novo estudo mediu a concentração mínima inibitória (MIC), ou seja, a menor dose necessária para impedir o crescimento das bactérias em laboratório. A lactona de pré-metilenomicina C conseguiu esse efeito com apenas 1 a 2 microgramas por mililitro, enquanto antibióticos convencionais exigem concentrações dezenas ou centenas de vezes maiores.

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Além disso, mesmo após 28 dias de exposição contínua, as bactérias não desenvolveram resistência ao composto – um sinal raro e animador.

A molécula chamou atenção também por sua estrutura simples e estabilidade química, o que facilita tanto sua síntese artificial (reprodução em laboratório) quanto a criação de análogos – variações do mesmo composto, úteis para entender como pequenas mudanças na estrutura afetam sua eficácia.

“Escondida” no laboratório

A metilenomicina A foi descoberta há 50 anos, e sua via biossintética – o conjunto de reações químicas que a bactéria realiza para fabricá-la – é estudada há décadas. O que os cientistas fizeram agora foi revisitar essa rota e examinar cuidadosamente os intermediários produzidos durante o processo.

Para isso, eles manipularam geneticamente a S. coelicolor, removendo genes específicos e observando como isso alterava a produção de compostos.

Essa técnica é comum na biotecnologia: ao “deletar” genes, o pesquisador consegue ver qual etapa da fabricação depende deles. Assim, a equipe identificou dois intermediários até então desconhecidos – entre eles, a pré-metilenomicina C e sua forma lactônica, o novo antibiótico.

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O gene chamado mmyE mostrou-se crucial: ele transforma a pré-metilenomicina C na versão final, metilenomicina A. Quando esse gene foi desativado, o processo ficou “incompleto”, e o intermediário acumulado revelou ser, ironicamente, muito mais potente que o produto original.

Do ponto de vista químico, o novo antibiótico pertence à família das lactonas, moléculas em forma de anel que se formam quando um ácido reage com um álcool. Esse tipo de estrutura é comum em várias substâncias naturais, como eritromicina, penicilina e lovastatina, e costuma estar associado à atividade biológica, ou seja, à capacidade de interagir com células ou enzimas e, por exemplo, inibir o crescimento de bactérias.

Além disso, a lactona de pré-metilenomicina C possui um anel de ciclopentanona funcionalizado, o que significa que o anel de cinco átomos de carbono está modificado com grupos químicos que aumentam sua reatividade e sua capacidade de se ligar a alvos biológicos específicos.

O estudo também destacou a importância da epoxidação, uma reação química que insere um átomo de oxigênio formando um anel epóxido. Essa modificação muda a forma da molécula e altera sua reatividade, ativando-a contra bactérias resistentes.

Novo aliado em meio à crise global

A descoberta da lactona de pré-metilenomicina C chega em um momento crítico. O mundo enfrenta uma crise de resistência antimicrobiana (RAM), uma vez que bactérias e outros microrganismos têm se tornado capazes de sobreviver aos medicamentos que antes os eliminavam.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a RAM é uma das maiores ameaças à saúde pública do século 21. De acordo com o relatório global de 2025, cerca de uma em cada seis infecções bacterianas confirmadas em laboratório no mundo em 2023 era resistente a antibióticos de uso comum.

A resistência aumentou em mais de 40% das combinações patógeno-antibiótico monitoradas entre 2018 e 2023, com taxas médias de crescimento anual entre 5% e 15%. Estima-se que, em 2021, a RAM tenha causado aproximadamente 1,14 milhão de mortes diretas, e estudos anteriores indicam que quase 5 milhões de óbitos anuais estão associados a infecções resistentes.

O avanço da resistência é impulsionado pelo uso excessivo e inadequado de antibióticos em humanos e animais, pela automedicação, pela interrupção precoce de tratamentos e pela limitação de diagnósticos precisos em muitos países.

Além do potencial terapêutico, o estudo propõe uma nova estratégia de pesquisa: revisitar compostos já conhecidos e investigar seus intermediários. “Essa descoberta sugere um novo paradigma para a descoberta de antibióticos”, afirmou Challis em nota. “Ao identificar e testar intermediários nas vias de síntese de compostos naturais, podemos encontrar novos antibióticos potentes e mais resistentes à resistência antimicrobiana.”

O artigo indica que a lactona de pré-metilenomicina C provavelmente age de maneira diferente da metilenomicina A. Os pesquisadores apontam que um grupo químico específico, chamado γ-butirolactona, funciona como o “centro ativo” da molécula — ou seja, a parte que se liga diretamente à bactéria.

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Essa ligação desestabiliza a parede celular bacteriana, dificultando que a bactéria se multiplique. Segundo o estudo, essa diferença na estrutura química pode explicar por que as bactérias encontraram mais dificuldade em desenvolver resistência ao novo antibiótico.

A equipe agora se prepara para os testes pré-clínicos, fase em que o antibiótico será avaliado em modelos animais para verificar sua eficácia e segurança antes de qualquer teste em humanos.

Como a substância já pode ser sintetizada em laboratório, será possível produzir lotes maiores e explorar modificações químicas que aumentem sua estabilidade e reduzam possíveis efeitos adversos. Embora ainda leve anos até que a lactona de pré-metilenomicina C possa ser usada em pacientes, o achado é visto como um sinal promissor.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.