Atleta ucraniano é desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno por causa de uma homenagem no capacete
O esporte olímpico voltou ao centro de um debate delicado após a desclassificação de um atleta ucraniano dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, previstos para acontecer em Milão e Cortina d’Ampezzo. A decisão ocorreu poucas horas antes da prova masculina de skeleton e envolveu o uso de um capacete com homenagens a atletas mortos durante a guerra entre Rússia e Ucrânia.
O competidor é Vladyslav Heraskevych, de 27 anos, um dos principais nomes do skeleton ucraniano. Desde o início do conflito, em fevereiro de 2022, ele passou a competir usando um capacete personalizado, que chamou de capacete da memória. O equipamento exibia imagens de esportistas e artistas ucranianos que perderam a vida durante a guerra, muitos deles ligados direta ou indiretamente ao movimento olímpico.
A iniciativa chamou atenção dentro e fora das pistas, mas acabou entrando em choque com as regras que regulam a expressão dos atletas durante eventos olímpicos. A recusa de Heraskevych em retirar o capacete resultou na perda imediata de sua autorização para competir nos Jogos de 2026.
O capacete e as homenagens
O capacete usado por Heraskevych trazia os rostos de diversas vítimas do conflito. Entre elas estavam a halterofilista adolescente Alina Perehudova, o boxeador Pavlo Ischenko, o jogador de hóquei no gelo Oleksiy Loginov, o ator e atleta Ivan Kononenko, o mergulhador e treinador Mykyta Kozubenko, o atirador Oleksiy Habarov e a dançarina Daria Kurdel.
Segundo o atleta, a intenção nunca foi fazer um protesto político, mas sim prestar homenagem a colegas que não tiveram a chance de continuar suas carreiras esportivas. Ele afirmou que aquelas pessoas mereciam ser lembradas em um espaço que também lhes pertencia, o ambiente esportivo internacional.
A exposição apresenta imagens de desportistas ucranianos mortos na guerra contra a Rússia..webp
Nos treinos oficiais, os resultados de Heraskevych indicavam um desempenho competitivo. Ele relatou que havia chances reais de disputar medalhas tanto no dia da prova quanto no seguinte. Mesmo assim, menos de uma hora antes da largada, foi informado de que não poderia participar.
A decisão das autoridades olímpicas
A decisão foi anunciada em comunicado oficial do Comitê Olímpico Internacional. O texto informou que, após uma última oportunidade dada ao atleta, ele não poderia iniciar a prova por não cumprir as diretrizes sobre expressão dos atletas.
A deliberação partiu do júri da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton, que avaliou que o capacete não estava em conformidade com as regras vigentes. Como consequência, o comitê retirou a credencial de Heraskevych para os Jogos de Milão-Cortina 2026.
As autoridades justificaram a decisão com base na Regra 50.2 da Carta Olímpica, que proíbe qualquer tipo de demonstração ou propaganda de natureza política, religiosa ou racial em locais olímpicos. Para o comitê, a presença das imagens no capacete ultrapassava os limites permitidos pelas diretrizes.
O porta-voz do comitê, Mark Adams, declarou que a instituição compreendia o desejo de atletas de homenagear amigos e colegas mortos em conflitos armados, não apenas na Ucrânia, mas em várias partes do mundo. Ainda assim, reforçou que os Jogos devem permanecer separados de qualquer forma de interferência externa, para garantir igualdade de condições entre todos os competidores.
Reações do atleta e próximos passos
Após a desclassificação, Heraskevych descreveu o que sentiu como um vazio difícil de explicar. Ele afirmou que sua intenção era honrar os atletas retratados no capacete e que acreditava não ter violado nenhuma regra. Para ele, houve incoerência nas decisões e nas explicações dadas pelas autoridades, além de um tratamento desigual em comparação com outros casos de manifestações permitidas no passado.
Como alternativa, o comitê sugeriu que o atleta utilizasse uma braçadeira preta durante a competição, algo que já foi aceito em outras ocasiões como forma discreta de homenagem. Heraskevych recusou a proposta, afirmando que ela não representava adequadamente o significado do gesto que pretendia manter.
Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a decisão partiu seu coração e que sentia que atletas que fizeram parte do movimento olímpico estavam sendo esquecidos. Também alegou que, em outras épocas, homenagens semelhantes foram autorizadas, mas que desta vez regras específicas teriam sido aplicadas apenas contra a Ucrânia.
O atleta informou que pretende levar o caso ao Tribunal Arbitral do Esporte. Segundo ele, a disputa agora será jurídica, com o objetivo de defender o que considera seus direitos como atleta olímpico.
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