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Curiosidades

Adeus, maldita: o começo do fim da Aids

Carta ao Leitor da edição 483, de janeiro de 2025.

Antes da MTV e do Fantástico, Zeca Camargo era José Carlos Camargo, repórter da Folha de S.Paulo que trabalhou como correspondente em Nova York.

Em fevereiro de 1989, Zeca entrevistou Cazuza, que estava nos EUA para uma bateria de exames. Já se especulava havia tempos sobre a saúde do cantor, mas ali foi a primeira vez que ele admitiu ter Aids, diagnóstico mantido em segredo por dois anos. “Bota aí que eu estou com a maldita”, disse ao jornalista.

A entrevista foi destaque nacional. Além da franqueza, Cazuza transpareceu otimismo. Queria festa no aeroporto quando voltasse para o Brasil e assegurou que viveria até os 70 anos.

Cazuza foi uma das primeiras celebridades brasileiras a dizer que tinha o vírus. Mesmo debilitado, fez shows e lançou alguns de seus maiores sucessos – uma trajetória que ajudou a quebrar tabus e disseminar o debate. Morreu aos 32, um ano e meio depois daquela entrevista. Junto a ele, outros 44 milhões de pessoas já foram vítimas do vírus HIV.

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Em 39 anos de história, a Super já publicou algumas capas sobre Aids. Na primeira, de 1992, parte da manchete dizia “a vacina vem aí”. Em 1996, escrevemos que estávamos “a 1% da cura”. Na de 2013: “Enfim, a cura da Aids”.

Não fazemos previsões descabidas, claro. Todas as reportagens contavam de forma realista as descobertas e promessas de sua época. As manchetes são herança infortunada de um tempo de concorrência atroz nas bancas, em que valia (quase) tudo para chamar a atenção do leitor. Não muito diferente dos clickbaits que inundam o seu feed.

Daí o cuidado para criar uma capa pé no chão que, ao mesmo tempo, faça jus aos vários avanços recentes no combate à doença. A tarefa coube ao editor Bruno Carbinatto, um mestre na arte da desconfiança – e que não costuma usar o adjetivo “revolucionário” em vão. Você pode ler a reportagem no link abaixo:

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A vacina e a cura definitiva podem não ter saído ainda (a maldita é ardilosa), mas o resultado de semanas de apuração não deixam dúvidas: o novo medicamento lenacapavir é, sim, a melhor arma já desenvolvida para subjugar o HIV. Junto a outros remédios e protocolos de prevenção, nunca estivemos tão perto de acabar com essa pandemia.

É um futuro, esperamos, relativamente realista para o Brasil, há décadas referência no controle da Aids. Mas ainda não dá para dizer o mesmo de países como os da África Subsaariana, que dependem de ajuda internacional robusta contra a doença.

É nesse momento que a ciência precisa sair do laboratório e das clínicas particulares e se tornar política pública. Apenas um arranjo das economias e sistemas de saúde globais podem, de fato, acabar com o problema (tal qual o esforço coletivo contra a Covid, que precisa ser regra, não exceção). Uma descoberta só se torna revolucionária quando consegue chegar a quem precisa dela.

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Espero estar aqui quando a Super lançar a próxima capa sobre HIV. O título eu já sei qual gostaria de colocar: “O obituário da maldita”.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.