A rotina de estudos de jovem aprovado em primeiro lugar em Medicina e Computação
Marcelo Zhang, de 19 anos, aluno do Colégio Marista Glória, na região central de São Paulo, desenvolveu um método de estudos que o levou a uma sequência impressionante de aprovações em vestibulares. Ele conquistou o primeiro lugar em Medicina na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e em Ciência da Computação na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Também foi aprovado em Ciência da Computação na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e na Universidade de São Paulo (USP), que foi a faculdade escolhida pelo jovem. No Enem, alcançou 967,7 pontos em matemática – a nota máxima é 1000, ou seja, ele quase gabaritou a prova.
Mas não teve nada de fórmula mágica: a palavra-chave era disciplina. O método de Zhang consistia em estudar todos os dias, sem exceção, mas sempre reservando algumas horas diárias para descanso e lazer, que ele utilizava para ler mangás, assistir animes e jogar videogame. Assim, ele se preparava para o vestibular sem abrir mão da saúde mental e de seus interesses pessoais.
Durante a semana, estudava cerca de quatro horas por dia (além do período escolar) e, aos fins de semana, aumentava a carga para aproximadamente seis horas. Ele também não sacrificava o sono, que é muito importante para o funcionamento do corpo, e dormia cerca de sete horas por noite – o que está dentro da quantidade saudável.
A rotina foi seguida religiosamente desde o primeiro ano do ensino médio. “Foi difícil no começo. Já pensei em desistir, mas eu tinha um objetivo. No terceiro ano, dificilmente eu deixava de estudar um dia sequer e raramente acumulava conteúdo para o dia seguinte”, conta o jovem.
Esse método nasceu de uma adaptação. No nono ano, ele observou a rotina de um amigo que estudava todas as tardes durante a semana e descansava aos sábados e domingos. “Eu achei uma boa ideia, mas preferi ajustar. Passei a incluir momentos de descanso também nos dias úteis e continuei estudando aos fins de semana”, explica Zhang.
Além da disciplina diária, a estratégia envolvia técnicas específicas para otimizar o aprendizado.
Em casa, Marcelo revisava todo o conteúdo visto na escola naquele dia. Depois, fazia um resumo sem consultar o material, apenas com base na memória, como forma de testar se realmente havia entendido o assunto. Em seguida, voltava às anotações e ao livro para verificar se deixou alguma informação passar.
A etapa mais importante, porém, era resolver exercícios. “A maior parte do tempo eu utilizava para fazer exercícios, que fixam o conteúdo. Na internet há muitas atividades disponíveis”.
Era por meio de seus erros que Zhang conseguia evoluir: “Quando eu errava uma questão, revisava o assunto e fazia mais exercícios sobre o tema. Salvava a questão errada e refazia duas ou três semanas depois.”
Ele também realizava simulados pelo menos duas vezes por semana e refez todas as provas da Fuvest dos últimos 15 anos. Para ele, vestibular era como esporte de alto rendimento, que exige treino, repetição e constância – muito além de talento.
Para manter o foco enquanto estudava, deixava o celular longe e ouvia música chinesa para se concentrar.
Filho de família chinesa, Marcelo nasceu no Brasil, mas se mudou ainda bebê para Zhejiang, na China, onde foi alfabetizado. Ele voltou ao Brasil aos nove anos, sem falar nada de português.
“Comecei em uma escola bilíngue, mas como havia mais alunos chineses do que brasileiros, acabei não aprendendo tanto. Quando fui para o Marista, percebi que meu foco precisava ser, antes de tudo, aprender português, o que fiz até o nono ano.”, relata o estudante.
Por causa dessa adaptação, Zhang concluiu o ensino médio aos 19 anos, idade um pouco acima da média.
A mais temida: a hora da prova do vestibular
Durante o vestibular, cada estudante tem sua própria estratégia para diminuir o nervosismo e, principalmente, conseguir fazer tudo no tempo estipulado.
No Enem, por exemplo, no primeiro dia, os estudantes têm cinco horas e meia de duração para resolver 90 questões e escrever uma redação. O tempo é apertado, com apenas 30 minutos para a redação e menos de quatro minutos para cada questão. Qualquer distração custa caro.
Zhang fazia assim: “No primeiro dia do Enem, eu começava lendo o tema da redação. Depois, folheava a prova e resolvia as questões mais fáceis, para “me garantir” no que já sabia. Em seguida, voltava ao início e fazia as questões em ordem. A cada 20 questões, escrevia um parágrafo da redação. Quando percebia, tinha terminado tanto a redação quanto as alternativas.”
Método não é fórmula mágica
Métodos de estudo são pessoais, e o que funciona para um pode não funcionar para o outro. Então não, Zhang não descobriu uma receita universal – ele encontrou o que funcionava para ele.
“O método precisa respeitar o contexto do aluno e seu perfil, para extrair o que ele tem de melhor. Também é uma questão de projeto pessoal e de ter um objetivo. O Zhang possui um perfil extremamente disciplinado e autodidata. Por isso, essa estratégia gerou resultados para ele”, explica Nilson de Araújo, seu professor de matemática.
Além do desempenho acadêmico, Marcelo também se destacou em atividades extracurriculares. Participou do grupo premiado na categoria Engenharia Avançada no Festival Marista de Robótica, com a construção de uma esteira sensitiva capaz de separar resíduos metálicos e não metálicos. Também representou o Marista Brasil na fase de treinamento internacional da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA).
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