A megacidade futurista de 160 km da Arábia Saudita, “A Linha”, enfrenta um grande problema, segundo nova atualização
Há cerca de cinco anos, a Arábia Saudita apresentou ao mundo um projeto urbano que parecia saído de um filme de ficção científica. A proposta era construir uma cidade linear ultramoderna, chamada The Line (A Linha), atravessando o deserto árabe com dimensões inéditas e soluções tecnológicas jamais aplicadas em larga escala. A promessa oficial era de que tudo estaria concluído até 2030.
O empreendimento faz parte do plano Vision 2030 e é liderado pela Neom, empresa estatal criada para desenvolver projetos estratégicos no país. A cidade foi anunciada com cerca de 170 quilômetros de extensão e aproximadamente 490 metros de altura, formada por duas estruturas paralelas revestidas por superfícies espelhadas. O conceito previa uma área urbana sem ruas, carros ou emissões diretas de carbono, totalmente abastecida por energia renovável.
Desde o início, a ideia chamou atenção pelo nível de ambição. O governo saudita afirmou que The Line poderia abrigar até nove milhões de pessoas, concentradas em uma faixa urbana estreita, com serviços essenciais a poucos minutos de distância. O deslocamento interno seria feito por sistemas de transporte de alta velocidade e infraestrutura inteligente integrada ao cotidiano dos moradores.
A The Line estava prevista para se estender por cerca de 171 km (Neom)
Custos crescentes e revisão de prioridades
O orçamento inicial do projeto foi estimado em cerca de 1,6 trilhão de dólares. No entanto, em 2022, novas projeções apontaram que os custos totais poderiam chegar a aproximadamente 4,5 trilhões de dólares, segundo informações divulgadas pelo Financial Times. Esse aumento acendeu alertas dentro do próprio governo, especialmente diante de mudanças no cenário econômico global.
No final de 2025, um representante saudita reconheceu publicamente dificuldades financeiras. Segundo ele, os investimentos foram acelerados demais e acabaram gerando déficits. A queda no preço do petróleo, que passou de cerca de 100 dólares para aproximadamente 60 dólares por barril, reduziu a margem de manobra do país para sustentar projetos dessa magnitude.
Autoridades sauditas almejavam que o projeto se tornasse a cidade do futuro (Neom).
Com isso, a construção de The Line foi colocada em espera. Fontes internas indicaram que o plano original pode ser drasticamente reduzido ou até abandonado. Um dos caminhos discutidos seria redirecionar o projeto para um foco mais específico, ligado ao desenvolvimento de inteligência artificial e infraestrutura de centros de dados, em vez de uma cidade residencial para milhões de habitantes.
Mudanças de foco e adaptação ao cenário atual
A Neom não se limita apenas a The Line. O projeto original inclui uma reserva natural com cerca de 6.500 quilômetros quadrados e a região montanhosa de Trojena, onde estão sendo desenvolvidas as primeiras pistas de esqui ao ar livre da Arábia Saudita. Mesmo assim, imagens divulgadas nos últimos anos mostraram um progresso considerado lento na construção da cidade linear, aumentando o ceticismo em torno do cronograma.
O interior da cidade foi pensado para ser revolucionário, sem necessidade de estradas para se locomover (Neom)
Em paralelo, o Fundo de Investimento Público saudita anunciou recentemente a criação da HUMAIN, uma iniciativa voltada ao avanço de inteligência artificial e à expansão de data centers no país. A estratégia sugere uma adaptação às tendências globais e uma tentativa de reposicionar os investimentos em áreas consideradas mais viáveis no curto e médio prazo.
Apesar das incertezas sobre The Line, o governo ainda enxerga valor estratégico no conceito. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman vê a possibilidade de aliviar a pressão demográfica sobre cidades como Riad, em um país que já ultrapassa 35 milhões de habitantes. A ideia de criar novos polos urbanos continua presente, ainda que com escopo e ritmo diferentes.
O progresso da The Line foi desanimador, em fotos postadas no ano passado (LinkedIn)
Essas mudanças ocorrem em um momento de transformações sociais significativas no país. Nos últimos anos, a Arábia Saudita passou a permitir que mulheres dirijam, reduziu a atuação da polícia religiosa e flexibilizou regras sociais tradicionais. Essas medidas fazem parte de um esforço para tornar o país mais atrativo ao turismo internacional, especialmente antes da Copa do Mundo de 2034, que será realizada em solo saudita.
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