A história real do amor do príncipe Shah Jahan e a princesa Ilyiu Mahal, cantada por Jorge Ben Jor
Quando uma multidão, uma bateria e uma banda se unem no meio da rua para cantar a plenos pulmões, precisamos concordar que a letra da música importa pouco. É assim que muita gente se acaba cantando coisas como “arerê, um lobby, um hobby, um love com você”.
Há, entretanto, muitas músicas que dão verdadeiras aulas de história entre um refrão e outro. “Taj Mahal”, o hit de Jorge Ben que desde os anos 1970 contagia multidões com o seu “teretereterê”, faz referência à “linda história de amor do príncipe Shah Jahan e a princesa Ilyiu Mahal”.
O casal existiu de fato, apesar de Shah Jahan não ser príncipe, e sim, imperador. Confira a novela desse relacionamento – e preste atenção, já que nunca se sabe quando esse conhecimento pode vir a ser útil para puxar um papo e impressionar alguém durante um bloco.
“Foi uma linda história de amor
Que até hoje eu já ouvi contar
Do amor do príncipe Shah Jahan
Pela princesa Ilyiu Mahal
Do amor do príncipe Shah Jahan
Pela princesa Ilyiu Mahal
Taj Mahal, Taj Mahal
Taj Mahal, Taj Mahal
Tê, tê, tetê, teteretê, teteretê, tetereretê
Tê, tê, tetê, teteretê, teteretê, tetereretê
Taj Mahal, Taj Mahal
Taj Mahal, Taj Mahal
Taj Mahal
O monumento em homenagem ao amor
Construído em 1040 no ano Hégira
Um presente do príncipe Shah Jahan
Para sua amada Ilyiu Mahal”
A história de Shah Jahan começa quando ele ainda era conhecido como príncipe Khurram, o terceiro filho do imperador do Reino Mongol, Jahangir. Diante da morte do pai em 1627, Khurram entrou numa batalha sangrenta pela sucessão e executou um irmão, dois sobrinhos e dois primos para se tornar imperador em 1628.
Foi aí que ele assumiu o seu novo nome, Abu ud-Muzaffar Shihab ud-Din Mohammad Sahib ud-Quiran ud-Thani Shah Jahan Padshah Ghazi. Entretanto, ele era conhecido pelo seu título, Shah Jahan, que significa “rei do mundo”. Um cara modesto.
Alguns anos antes de assumir o trono, em 1612, ele havia se casado com Arjumand Banu Begum, uma jovem filha de um nobre persa e sobrinha da madrasta de Shah Jahan. Eles haviam noivado cinco anos antes, ainda adolescentes, mas tiveram que esperar até uma data indicada por astrólogos da corte para garantir boa sorte.
Nesse meio tempo, o príncipe Khurram se casou e teve uma filha com outra mulher – uma união política, que não teve o mesmo nível de afeto nem de relevâmcia que a com Arjumand Banu Begum veio a ter.
Na ocasião da morte do imperador Jahangir, quando príncipe Kharrum se tornou imperador Shah Jahan, sua esposa, Arjumand, se tornou Mumtaz Mahal. O nome significa algo como “a eleita do palácio” – Mahal significa “palácio” em árabe, persa, hindu e urdu.
Aqui, você pode ter reparado uma inconsistência: por que Jorge Ben fala em “Ilyiu Mahal”, e não em “Mumtaz Mahal”? Ninguém tem essa resposta. Não há registros de que Mumtaz fosse conhecida por esse nome. Pode ter sido um engano inocente – afinal, na época da composição da canção não havia Google para checar informações rapidamente – ou uma invenção para soar melhor.
O fato é que Mumtaz Mahal não era apenas esposa de Shah Jahan: como imperatriz, ela tinha imensos poderes políticos e era frequentemente consultada por seu esposo em assuntos governamentais. O casal de pombinhos teve 14 filhos, dos quais apenas sete sobreviveram.
Foi no 14º parto que Mumtaz Mahal sucumbiu, e faleceu de hemorragia em 1631, aos 38 anos. Sua morte teve um impacto enorme em sua família: a segunda filha do casal, a princesa Jahanara, tinha apenas 17 anos, e foi empossada como primeira-dama.
Não havia relação incestuosa entre pai e filha – ela apenas era a favorita, e foi escolhida para ocupar as funções da mãe mesmo que o seu pai ainda tivesse outras três esposas vivas. Nenhuma delas, entretanto, era tão relevante, poderosa ou querida como Mumtaz havia sido.
Segundo relatos, desolada, Jahanara começou a distribuir joias para os pobres, em busca de alguma intervenção divina. Por sua vez, Shah Jahan ficou tão deprimido que ficou “paralisado pelo luto” e tinha constantes crises de choro.
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Foi esse luto que inspirou a construção de um dos monumentos mais famosos do mundo, o Taj Mahal – cujo nome significa “coroa do palácio”. Há quem especule que “Taj” tenha sido escolhida como uma abreviação de “Mumtaz”. De fato, o palácio é, na verdade, um mausoléu de mármore, construído especificamente para abrigar o corpo da imperatriz.
Shah Jahan encomendou sua construção em 1631, o ano da morte de Mumtaz, mas a obra só teve fim em 1648. O complexo ocupa 17 hectares, o palácio principal tem 73 metros de altura e tem várias construções e jardins laterais. A construção de tudo isso só acabou de vez em 1653.
Mais tarde, em 1658, contra o seu desejo, Shah Jahan foi enterrado lá também, ao lado da esposa. O posicionamento assimétrico do corpo do imperador, ao lado do de Mumtaz, que repousa ao centro, demonstra que o monumento foi construído para um corpo só.
O islamismo – religião de ambos e do reino Mongol – não permite decorações elaboradas em túmulos. Por isso, há quase 400 anos, os corpos do casal descansam com os rostos virados para a direita, na direção de Meca, em uma cripta discreta numa câmara interna do Taj Mahal.
Para os foliões, ficam os votos de que encontrem, nos bloquinhos do Brasil afora, alguém que te ame como Shah Jahan amou Mumtaz Mahal. Tê, tê, tetê, teteretê, teteretê, tetereretê.
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