A origem dos três macacos sábios: “Não veja o mal, não ouça o mal, não fale o mal”
A imagem dos três macaquinhos — um cobrindo os olhos, outro os ouvidos e o terceiro a boca — tem origem na tradição japonesa e é conhecida como os “três macacos sábios”. Seu ensinamento é resumido na expressão: “Não veja o mal, não ouça o mal, não fale o mal”.
Os macacos têm nomes próprios: Mizaru, que cobre os olhos; Kikazaru, que tapa os ouvidos; e Iwazaru, que fecha a boca. Existe um curioso jogo de palavras na língua japonesa. A terminação “zaru”, usada em formas negativas de determinados verbos, tem som semelhante a “saru”, que significa macaco. Assim, os nomes podem ser associados tanto aos três animais quanto às três recomendações de comportamento.
Uma das representações mais famosas está no Santuário Tōshō-gū, na cidade japonesa de Nikkō. Ali, os três macacos aparecem em um painel de madeira esculpido no século XVII, na construção que abriga os cavalos sagrados do santuário. A escultura faz parte de uma sequência de oito painéis que apresentam ensinamentos sobre as diferentes etapas da vida humana. Não se sabe quem criou a imagem dos três macacos sábios. Ela costuma ser atribuída ao artista Hidari Jingorō. A autoria, porém, nunca foi comprovada.
Mas a ideia é ainda mais antiga. Uma recomendação semelhante aparece nos “Analectos de Confúcio”, coletânea de ensinamentos do filósofo chinês que viveu entre 551 e 479 a.C. A representação dos macacos ganhou força no Japão, especialmente na tradição religiosa popular chamada Kōshin. Imagens dos três animais já existiam no período Muromachi, entre os séculos XIV e XVI, antes da famosa escultura de Nikkō.
Originalmente, a mensagem recomendava evitar pensamentos, palavras e comportamentos ruins. Com o tempo, porém, a interpretação mudou. Hoje, os três macacos também são usados para representar quem prefere não ver, não ouvir e não falar diante de algo errado, fingindo que nada aconteceu. É praticamente o contrário do ensinamento original.
Há ainda uma curiosidade: algumas versões apresentam um quarto macaco, chamado Shizaru, associado à recomendação de não praticar o mal. Ele não aparece na célebre escultura de Nikkō.
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