A famosa ilusão de ótica do Partenon é um mito. Entenda como matemático descobriu a verdade
Localizado em Atenas, na Grécia, o Partenon é um dos principais edifícios sobreviventes da Grécia Antiga. Originalmente utilizado como templo dedicado à deusa Atena, ele passou por diversas transformações ao longo dos séculos, chegando até mesmo a ser uma igreja cristã e uma mesquita.
Além de sua importância histórica, a arquitetura da construção é outro aspecto que salta aos olhos dos pesquisadores. Com cerca de 30 metros de largura, mais de 13 metros de altura e uma estrutura feita majoritariamente de mármore, o Partenon parece perfeitamente reto, com “linhas puras”
O curioso, porém, é que, apesar de parecer reto, a construção é marcada por curvas sutis. Por muito tempo, a ciência acreditava que essas curvas foram construídas propositalmente para corrigir ilusões de ótica que fariam com que, de longe, o Partenon parecesse torto. Uma nova pesquisa acaba de mostrar que essa ideia é, na verdade, um mito – talvez um dos mais duradouros da História.
O matemático Alain Goriely, da Universidade de Oxford, investigou a fundo essas supostas ilusões de ótica do Partenon. Primeiro, ele realizou um levantamento bibliográfico para descobrir quando essa ideia surgiu. A fonte mais antiga que encontrou foi um livro do século I a.C., escrito pelo arquiteto romano Vitrúvio. Desde então, essa informação passou a ser tomada como verdade em pesquisas posteriores, e permanece presente até hoje.
Em seguida, Goriely utilizou modelagens matemáticas para analisar os efeitos das curvas no Partenon. Ele percebeu que as possíveis ilusões criadas pelas curvas eram, basicamente, imperceptíveis. Os resultados foram publicados nesta quarta (16) no periódico científico Royal Society Open Science.
A base do Partenon é curva e levemente elevada no centro, em cerca de 6 centímetros (confira a imagem abaixo). A explicação aceita para explicar essa escolha era que os gregos buscavam corrigir o efeito ótico de que, de longe, a estrutura estaria cedendo no meio.
Goriely, porém, não encontrou nenhuma evidência que comprovasse a teoria acima.
As colunas da construção, por outro lado, possuem leves protuberâncias, que serviriam para corrigir a chamada ilusão de ótica de Hering, em que linhas paralelas sobrepostas parecem curvas de longe. Novamente, isso não se mostrou verdadeiro, visto que as colunas do Partenon são tão verticais que não produzem esse efeito visual. Além disso, as protuberâncias são muito pequenas e quase imperceptíveis de longe.
Ou seja: a ilusão era de nós mesmos, não dos gregos. Eles provavelmente tinham suas próprias justificativas para incorporar esses elementos à construção, como formas de evitar o acúmulo de água da chuva ou simplesmente por motivos estéticos.
“A principal lição do Partenon é que somos propensos a nos iludir na busca por mistérios antigos e fantasias ideais de ordem e harmonia. É hora de transcendermos nossa própria tendência a ver ilusões onde não existem e de aplicarmos a matemática e a ciência para enxergar além de nossas próprias ilusões”, escreve o autor no artigo.
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