DLSS 5 pode revolucionar visual dos games – e alcançar o nível de “GTA VI” a um custo muito menor
A quinta geração da tecnologia DLSS (Deep Learning Super Sampling) será liberada depois de amanhã, com o lançamento de NBA 2K27, o primeiro game a utilizá-la. Mas, nos últimos dias, um arquivo contido nesse jogo vazou na internet – e isso permitiu que o DLSS 5 fosse aplicado, de forma não oficial, a praticamente qualquer game de PC.
Isso provocou um verdadeiro frenesi, com usuários, youtubers e jornalistas de tecnologia do mundo inteiro correndo para experimentar a versão vazada do DLSS 5 em diversos games – em muitos casos, com resultados visuais impressionantes.
Esses testes têm confirmado as promessas feitas pela Nvidia ao apresentar o DLSS 5, em abril. A nova tecnologia usa algoritmos de IA capazes de adicionar detalhes e melhorar a iluminação dos games – que, graças a isso, adquirem um aspecto quase fotorreallista.
A transformação é tão intensa que, em abril, houve quem acusasse o DLSS 5 de violar a soberania dos criadores de games, ao deixar os personagens com um visual diferente do que eles desenharam. Bobagem. Os desenvolvedores de jogos é que irão decidir quais efeitos do DLSS 5, e em qual intensidade, serão aplicados em seus games. Eles mantêm o controle.
Para o usuário final, restará a opção de habilitar ou não o DLSS 5, que requer uma placa de vídeo da série RTX 5000. O arquivo não-oficial que vazou na internet é diferente, em dois aspectos: ele permite usar o DLSS 5 também em placas mais antigas, das séries RTX 3000 e 4000 (mas com performance ruim, já que elas não possuem o hardware necessário rodar a nova IA), e ajustar os controles de intensidade do algoritmo.

Quando o DLSS 5 foi demonstrado pela primeira vez, rodá-lo exigia duas placas RTX 5090, topo de linha (custam mais de R$ 20 mil cada uma). A Nvidia foi conseguindo deixar o algoritmo mais leve [veja gráfico acima], e hoje o DLSS 5 é apresentado como sendo compatível com todas as placas da série 5000.
Mas, aparentemente, ele continua muito pesado. Os testes com a versão vazada do DLSS 5 apontam uma redução de 50% a 60% na taxa de quadros por segundo (fps). Ele come metade da performance. Isso significa que as placas mais baratas, como a RTX 5060, talvez não consigam rodar o novo algoritmo mantendo desempenho satisfatório em todos os jogos. A Nvidia diz que, em NBA 2K27, mesmo a 5060 tem fôlego de sobra. A conferir.

Talvez o DLSS 5 ainda possa evoluir no aspecto performance. De toda forma, com o mercado abalado pela crise da memória RAM, as placas de vídeo estão muito caras, inibindo upgrades – e isso significa que o novo algoritmo deve levar algum tempo até chegar à realidade do jogador médio. Ele volta a colocar a Nvidia na frente da rival AMD (que havia conseguido alcançá-la, introduzindo seu próprio algoritmo de upscaling por IA, em agosto de 2025).

O DLSS 5 pode transformar profundamente a indústria de games. Lembra do vídeo de GTA VI divulgado semana passada, que impressionou pela riqueza visual? Ele é assim porque a Rockstar Games, criadora de GTA, fez um investimento gigantesco no projeto – a empresa não divulga o orçamento, mas fala-se em mais de US$ 1 bilhão, com milhares de pessoas trabalhando no jogo por mais de cinco anos.
Um poder de fogo que outros games dificilmente conseguirão igualar. Mas, com o DLSS 5, ele deixa de ser necessário: a inteligência artificial faz o trabalho de deixar os gráficos fotorrealistas. Isso significa que os games triple A, de alto orçamento, poderão ascender a um nível gráfico próximo ao de GTA VI – e os jogos indie, de baixo orçamento, também poderão dar um salto.
O efeito mais benéfico para a indústria de games talvez nem seja esse, mas outro: a possibilidade de voltar a fazer jogos gastando menos, com equipes menores, como ocorria na década de 2010. Com isso, mais títulos serão lançados, com menor dependência de fórmulas blockbuster e mais espaço para a liberdade criativa. Tomara que sim.
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