Remédios de GLP-1 são associados a menor risco de perda de visão em idosos, aponta estudo
Um novo estudo com mais de 157 mil participantes descobriu um efeito até então desconhecido de medicamentos à base de GLP-1, como o Ozempic e o Wegovy. Em ensaio clínico, eles foram associados a um menor risco de degeneração macular relacionada à idade (DMRI) – a principal causa de cegueira irreversível em idosos.
Os participantes da pesquisa tinham 60 anos ou mais e apresentavam obesidade, mas não diabetes. Assim, os pesquisadores conseguiram eliminar fatores glicêmicos que pudessem interferir nos resultados.
O grupo foi dividido igualmente em dois. Um deles era composto por pessoas que haviam começado a utilizar medicamentos para controle de peso, da classe GLP-1, como liraglutida, semaglutida ou tirzepatida. Já o segundo grupo incluía indivíduos que utilizavam outros tipos de medicamentos para perda de peso que não pertenciam a essa classe.
Após sete anos de acompanhamento, os resultados mostraram que os pacientes do GLP-1 apresentaram uma incidência significativamente menor de DMRI em comparação ao outro grupo. O uso de GLP-1 foi associado a um risco estimado 18% menor de desenvolver DMRI durante o período de acompanhamento. Os resultados foram publicados na
revista Diabetes, Obesity and Metabolism.
Remédios como o Ozempic têm a semaglutida como princípio ativo, substância que reproduz a ação do hormônio GLP-1, responsável por sinalizar a saciedade. Enquanto o GLP-1 natural dura apenas alguns minutos no corpo, a semaglutida tem efeito prolongado, reduzindo o apetite por muito mais tempo e levando à perda de peso.
Hipóteses
Por que exatamente os medicamentos à base de GLP-1 protegeriam idosos da perda de visão ainda é uma incógnita. Uma hipótese dos pesquisadores é que a classe teria um efeito neuroprotetor, ao reduzir a inflamação na retina por meio de um inflamassomo (um complexo de proteínas) chamado NLRP3, que protege o corpo.
Mas há outra explicação possível. Pessoas com obesidade que tomam GLP-1 costumam perder mais peso do que quem usa outros remédios para emagrecimento. Assim, a redução de risco de DMRI pode estar relacionada a perda de peso em si, e não ao GLP-1 diretamente.
“A perda de peso em si já reduz a inflamação sistêmica e o estresse oxidativo, o que pode diminuir o risco de DMRI de forma independente”, explicam os autores.
Se essa hipótese se confirmar, o achado reforça um estudo de dez anos atrás – anterior à chegada da semaglutida ao mercado –, que já apontava para um aumento de 2% no risco de DMRI a cada 1 kg/m² a mais no índice de massa corporal (IMC) de pessoas com sobrepeso ou obesidade.
Os próprios pesquisadores reconhecem que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas. O tempo de acompanhamento do estudo foi curto, com apenas 1 ano entre os usuários de GLP-1 e 2,5 anos no grupo de comparação. Mais estudos serão necessários para confirmar e entender melhor os mecanismos por trás do efeito, incluindo pesquisas com grupos mais jovens, a partir dos 50 anos.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre as curiosidades do mundo!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
