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Curiosidades

Transplante de fezes pode ajudar a tratar alergia ao amendoim, aponta estudo

Seis pessoas com alergia grave a amendoim passaram a tolerar o alimento após passarem por um transplante de fezes, segundo um novo estudo. É a primeira vez que o procedimento é utilizado para tratar uma alergia alimentar com algum grau de sucesso.

Antes de participarem do ensaio clínico, os voluntários não conseguiam ingerir mais de 100 miligramas de proteína do alimento – o que equivale a menos da metade de um amendoim – sem apresentar algum tipo de reação.

Apesar do nome inusitado, o transplante fecal – ou transplante de microbiota fecal – é um procedimento até que convencional. Ele consiste basicamente em transferir bactérias intestinais de um doador saudável para alguém com a flora intestinal danificada. O tratamento pode combater infecções graves ou ajudar a recompor as bactérias boas de quem teve a microbiota destruída (por causa de algum remédio forte, por exemplo).

Agora, o novo estudo fornece a primeira evidência de que esses transplantes também podem tratar alergias alimentares. Todos os participantes receberam pílulas que continham bactérias intestinais de voluntários saudáveis, sem alergia (o remédio era, segundo o estudo, inodoro e sem gosto, caso você esteja se perguntando).

Quatro meses depois, uma pessoa conseguia consumir 300 miligramas de proteína de amendoim, e cinco ingeriram 600 miligramas ou mais, valor correspondente a dois amendoins e meio. 

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A maioria recebeu até 36 pílulas em um único dia e não apresentou efeitos colaterais graves. Nove pessoas, porém, não responderam ao tratamento. O artigo sugere que a bactéria pode não ter se estabelecido nestes indivíduos possivelmente devido a diferenças relacionadas ao sexo (cinco das seis pessoas que responderam eram homens).

Ainda assim, especialistas afirmam que o efeito prolongado observado em alguns participantes do estudo é importante. “O potencial desse tipo de terapia para proporcionar um benefício duradouro é realmente muito empolgante”, diz Edwin Kim, alergista da Universidade da Carolina do Norte, à Nature. “Esse é um desafio nas terapias atuais: o benefício diminui e exige tratamento e exposição contínuos para ser mantido.”

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Os tratamentos atuais para alergias alimentares são limitados. A recomendação padrão é que as pessoas evitem o alérgeno e levem consigo uma injeção de adrenalina para administrar caso sejam expostas e apresentem uma reação severa. Os resultados do estudo na íntegra foram publicados na revista Science Translational Medicine.

Teste em camundongos 

Pessoas sem alergias alimentares costumam ter uma ampla variedade de bactérias em sua microbiota intestinal. Os alérgicos, por sua vez, carecem dessa pluralidade. Isso levou pesquisadores à hipótese de que transplantes de microbiota fecal poderiam atenuar a resposta do sistema imunológico em pessoas alérgicas.

Estudos com camundongos demonstraram que eles poderiam estar certos: o tratamento com várias espécies de bactérias intestinais manteve as alergias alimentares desses animais sob controle.

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Como os estudos com camundongos testaram um alérgeno diferente, é provável que o tratamento com transplante de microbiota fecal funcione para coisas além de alergias a amendoim. A equipe identificou uma espécie de bactéria, a Bacteroides ovatus, que deu aos camundongos proteção total contra o desenvolvimento de alergia. 

Ainda assim, o transplante fecal para tratar alergias alimentares ainda está longe de ser utilizado fora dos  estudos. Com financiamento e entusiasmo suficientes, levaria cerca de dez anos para que o procedimento fosse aprovado pelos órgãos reguladores, segundo Alexander Khoruts, gastroenterologista da Universidade de Minnesota, em Minneapolis, que colabora com a equipe responsável pelo estudo.

O próximo passo dos pesquisadores é um segundo estudo, com mais participantes. Eles esperam descobrir mais pistas sobre quais outras bactérias têm efeito positivo e quais outras alergias as pílulas poderão combater. A ideia é que os futuros participantes recebam uma dose maior das bactérias intestinais – cerca de 12 vezes mais – distribuída ao longo de um mês.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.