O terceiro menor país do mundo mudou de nome: conheça Naoero
Um dos países mais discretos do planeta acaba de dar um passo importante para reafirmar sua identidade. O governo da ilha do Pacífico até então chamada de Nauru anunciou que o nome oficial do país passa a ser República de Naoero, grafia que reflete como o nome é pronunciado no idioma local.
A mudança foi comunicada pelo presidente do país em uma publicação nas redes sociais oficiais do governo. Segundo a nota, trata-se de um resgate: o nome tradicional sempre existiu, mas acabou sendo substituído internacionalmente por uma versão mais fácil de pronunciar para vários estrangeiros.
A pronúncia brasileira se aproxima da correta: o que era conhecido como “Nau-ru” passa a ser dito como “Nau-êro”.
Que país é este?
Com apenas 21 quilômetros quadrados, Naoero é o terceiro menor país do mundo em extensão territorial, atrás do Vaticano e de Mônaco. Há cerca de 12 mil pessoas na ilha, uma população menor apenas que a de Tuvalu e do Vaticano.
Diferentemente de outros casos de mudança de nome de países, a decisão da mudança veio do Congresso, e não de um referendo popular.
“A decisão de não realizar um referendo foi tomada após uma deliberação cuidadosa, tendo-se concluído que Naoero não é um nome novo que precise ser aceito pelo povo”, afirma um comunicado oficial do governo no Facebook. “Trata-se, de fato, da identidade do povo, está presente no brasão nacional e é utilizado na comunidade; e, o que é mais importante, é permitido pela Constituição.”
Segundo o comunicado, organizações internacionais e outros países já foram avisados sobre a mudança e começaram a fazer a transição para o novo nome.
Com a atualização, o código internacional do país passa de NRU para NRO, e o gentílico também muda: em vez de “nauruanos”, os habitantes agora serão chamados de dei-Naoero, pelo menos em teoria. Ainda não há clareza de qual será o gentílico em português.
Esse tipo de mudança não é exatamente novo. Basta olhar para um atlas ou globo terrestre mais antigo para encontrar nomes que caíram em desuso: Pérsia virou Irã, Zaire virou República Democrática do Congo, e, em 2018, a Suazilândia, no sul da África, adotou o nome Essuatíni.
Uma história de riqueza e colapso
O pequeno atol de coral tem uma trajetória e tanto. Ele começou a ser ocupado por humanos há cerca de 3 mil anos. Foi colonizado pela Alemanha no século 19 e, mais tarde, administrado pela Austrália durante a Segunda Guerra Mundial, até conquistar sua independência em 1968.
Nos anos 1970, a exploração de fosfato, um mineral usado principalmente na fabricação de fertilizantes, transformou a economia do país. Nos anos 1970, essa atividade gerou uma riqueza expressiva para os moradores da ilha, mas a bonança não durou: nos anos 1990, o colapso da indústria de mineração levou o país a uma grave crise econômica.
As marcas desse período ainda são visíveis hoje. A extração de fosfato consumiu cerca de 90% das terras cultiváveis da ilha, o que praticamente inviabilizou a agricultura local.
No passado, era comum que as famílias mantivessem pequenas hortas domésticas, cultivando coco, fruta-pão, banana, pandanus (um tipo de pinhão), mamão e goiaba para o próprio consumo. Hoje, com a perda das terras férteis, quase todos os alimentos precisam ser importados, o que levou a uma dieta baseada principalmente em produtos processados, como arroz e açúcar – uma mudança que, somada a fatores sociais e culturais, tem impactado diretamente a saúde da população local.
Por estar perto da linha do Equador, a ilha tem um clima quente e bastante úmido o ano todo. Entre novembro e fevereiro, chuvas de monção marcam a estação. Outra curiosidade é que não existem rios nem córregos na ilha. Por isso, a água consumida pela população vem principalmente da coleta em telhados ou é trazida de fora em navios que retornam para carregar fosfato.
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