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Curiosidades

Quais santos católicos possuem partes do corpo preservadas? E onde estão esses pedaços?

O Vaticano chama de santos incorruptos aqueles cujos corpos (ou partes deles) permanecem excepcionalmente preservados após a morte. Na tradição católica, isso é visto por muitos fiéis como um possível sinal de santidade. 

No entanto, é importante destacar que a própria Igreja Católica não considera a preservação do corpo necessariamente como milagre ou de origem sobrenatural — é reconhecido que há fatores físicos, biológicos e ambientais que podem contribuir para essa ocorrência. Além disso, o fenômeno não é requisito para canonização.

Carlos Acutis: como alguém vira santo na Igreja Católica?


“Para a Igreja Católica Romana, a ausência de decomposição, a flexibilidade da carne após a morte e a emissão de fragrâncias não constituem evidência de eleição divina ou de fenômenos sobrenaturais; portanto, não justificam reverência ou honra especial nos altares”, afirma o pesquisador Leonardo Rossi. 

Os primeiros relatos desse fenômeno datam do século 4 d.C. e, desde então, houve centenas de casos registrados. Antes das reformas católicas nos séculos 17 e 18, a mera ocorrência de corpos incorruptos era suficiente para produzir pequenos cultos e devoções.

Em um artigo de 2025, Rossi listou 100 corpos que hoje estão conservados e à mostra em igrejas, santuários ou instituições religiosas. Confira alguns dos mais famosos:

Santa Bernardete de Lourdes 

<span class=”hidden”>–</span>Rabanus Flavus/Wikimedia Commons
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O que está preservado: o corpo todo

Bernadette Soubirous (1844-1879) foi uma freira francesa. Ao longo da vida, observou diversas aparições de “uma senhora vestida de branco” que, depois, teria se revelado como Nossa Senhora da Conceição. 30 anos após sua morte, em 1909, seu corpo foi exumado para reconhecimento (uma etapa do processo de canonização) e, para a surpresa de todos, estava quase em perfeita conservação — não havia sequer mau cheiro. Novas exumações em 1918 e 1925 também encontraram o corpo intacto.

Algumas relíquias (partes do corpo) foram retiradas e uma máscara de cera foi providenciada para a santa. O corpo está exposto no Convento de Saint-Gildard em Nevers, na França.

Antônio de Pádua (Santo Antônio)

O que está preservado: língua e cordas vocais

Este é provavelmente o santo mais popular do Brasil. Embora não seja considerado um santo incorrupto, vale mencioná-lo porque algumas de suas relíquias são extremamente veneradas. A língua foi encontrada notavelmente preservada quando seu túmulo foi aberto em 1263, cerca de 30 anos após sua morte. O fato foi interpretado como um sinal: Antônio era um grande pregador e sua língua havia espalhado os ensinamentos cristãos em vida. Muitos séculos depois, em 1981, o Papa João Paulo II ordenou a exumação do corpo e foram encontradas intactas também as cordas vocais.

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Essas relíquias estão hoje na Basílica de Santo Antônio de Pádua, na Itália. A língua permanece no mesmo relicário dourado onde foi alocada no século 13 e pode ser admirada pelos fiéis.

Santa Rita de Cássia

Corpo de Santa Rita de Cássia em um caixão de vidro e metal dourado, vestindo hábito escuro sobre um tecido vermelho, com uma vela acesa e um relicário dourado ao lado, em um ambiente iluminado por luz quente
<span class=”hidden”>–</span>Bocachete/Wikimedia Commons

O que está preservado: o corpo todo

A padroeira das causas impossíveis é talvez a santa incorrupta mais popular entre os brasileiros. Após ficar viúva e perder os filhos para a doença, Rita entrou para um convento em sua cidade natal de Cássia, na Itália. Após sua morte, em 1457, um fenômeno curioso foi notado: a igreja onde foi sepultada passou a ser tomada por um aroma perfumado que pôde ser sentido ao longo de séculos.

150 anos após sua morte, seu corpo foi exumado e descoberto intacto. Ela foi canonizada em 1900 e décadas depois, em 1946, uma igreja foi construída em sua homenagem, a Basílica de Santa Rita, onde o corpo está exposto hoje.

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Santa Catarina Labouré

Corpo incorrupto de Santa Catarina Labouré, vestida com hábito preto e touca branca, em um relicário dourado e de vidro, com detalhes em azul e mármore. Ao fundo, uma parede com placas de mármore e, à direita, um pedestal de ferro forjado com um vaso de planta. No topo do relicário, um vaso com flores cor-de-rosa
<span class=”hidden”>–</span>André Leroux/Wikimedia Commons

O que está preservado: o corpo todo

Catarina Labouré (1806-1876) decidiu se tornar freira após ter um sonho onde era conduzida por um homem a uma sala cheia de doentes e instruída a cuidar deles. Depois, reconheceu o homem em um retrato: era São Vicente de Paulo. Ela decidiu imediatamente entrar para sua ordem.

Em 1830, ela recebeu visões da Virgem Maria, que teria descrito o desenho a ser gravado na Medalha Milagrosa, utilizada até hoje pelos católicos como forma de devoção.

Em 1933, mais de 50 anos após sua morte, seu corpo foi exumado e descoberto incorrupto. Ela foi canonizada em 1947 e seu corpo está hoje exposto na Capela da Medalha Milagrosa em Paris.

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São Vicente de Paulo

Corpo de São Vicente de Paulo, com barba grisalha e olhos fechados, deitado em um caixão dourado com detalhes ornamentados. Ele veste uma túnica branca e preta com rendas e bordados dourados, sobre um travesseiro de seda creme
<span class=”hidden”>–</span>./Reprodução

O que está preservado: o coração

O famoso santo francês que inspirou Santa Catarina Labouré dedicou sua vida aos necessitados, tendo fundado a Congregação da Missão e as Filhas da Caridade. Morreu em 1660 e foi exumado em 1712, quando seu corpo foi encontrado intacto. Apesar disso, quando uma segunda exumação foi realizada em 1737 (ano de sua canonização), descobriu-se que uma enchente subterrânea havia causado sua deterioração natural.

Apenas o coração permanece intacto. Ele hoje está exposto em um relicário na capela da casa-mãe das Filhas da Caridade, em Paris.

Santa Catarina de Siena

À esquerda, um crânio mumificado com pele ressecada e boca aberta, envolto em tecido branco, dentro de um relicário prateado ornamentado. À direita, um dedo mumificado em um recipiente de vidro cilíndrico, com base dourada, ladeado por colunas metálicas
<span class=”hidden”>–</span>Giovanni Cerretani/José Luiz/Wikimedia Commons
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O que está preservado: cabeça, polegar e outras partes

A filósofa e teóloga Catarina de Siena (1347-1380) foi uma figura influente nos altos círculos católicos do século 14. Ela foi uma das principais articuladoras do retorno do papado de Avignon (França) para Roma. Desde 1939, ela é padroeira da Itália juntamente com São Francisco de Assis.

O corpo de Santa Catarina de Siena é parcialmente incorrupto, mas apresenta uma peculiaridade histórica: suas relíquias estão divididas entre cidades europeias. A santa faleceu em Roma em 1380 e sua cabeça foi separada do corpo um ano depois, por ordem do papa, para ser enviada de volta à sua cidade natal.

Confira onde estão as relíquias da santa:

  • Corpo principal: encontra-se sepultado na Basílica de Santa Maria sopra Minerva, em Roma.
  • Cabeça e polegar: a cabeça mumificada está em exposição na Basílica de San Domenico, em Siena. Não muito longe dali, em um relicário menor, repousa o seu polegar direito.
  • Pé esquerdo: está guardado em Veneza na igreja de Santi Giovanni e Paolo.
  • Uma costela: antes pertencente à Catedral de Siena, foi doada ao santuário de Santa Catarina em Astenet (Bélgica), construído em 1985
  • Fragmento da omoplata: encontra-se no santuário de Santa Catarina em Siena.

Santa Tereza de Jesus (ou Santa Teresa de Ávila)

O que está preservado: quase o corpo todo, em partes separadas

A espanhola Teresa de Ávila (1515-1582) é um dos casos mais famosos de preservação parcial de restos mortais entre os santos católicos. Fundadora da reforma da Ordem Carmelita e uma das principais místicas da história do cristianismo, ela foi canonizada em 1622. Aberturas do túmulo em 1750, 1914 e 2024 encontraram sempre o corpo incorrupto e bem conservado. 

As relíquias de Teresa de Ávila estão hoje espalhadas por diversos locais da Espanha e da Europa:

  • Corpo (maior parte dos restos mortais): permanece na Basílica da Anunciação de Nossa Senhora do Carmo, dentro de um túmulo-relicário em Alba de Tormes, na Espanha.
  • Coração: também está na Basílica da Anunciação de Nossa Senhora do Carmo. É uma das relíquias mais famosas da santa e pode ser observado em um relicário.
  • Braço esquerdo: encontra-se no Convento das Carmelitas Descalças de Ronda. Essa relíquia teve uma história conturbada: durante décadas, ficou sob posse do ditador Francisco Franco, que a mantinha em sua capela particular, antes de ser devolvida ao convento após sua morte.
  • Mão esquerda: está preservada no Museu Carmelitano de Lisboa.
  • Um dedo (indicador): é conservado no Convento de Nossa Senhora do Carmo.

Além dessas, existem pequenos fragmentos ósseos distribuídos em igrejas e conventos carmelitas ao redor do mundo, incluindo Itália, França e diversos países da América Latina, embora não exista um inventário público completo de todas essas relíquias.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.