Ferramenta que avalia predisposição a doenças funciona melhor em pessoas brancas
Já existem ferramentas capazes de prever suas chances de desenvolver doenças complexas, como câncer ou problemas cardíacos, ainda na infância. Esses testes se tornarão ainda mais precisos com o programa de pesquisa All of Us, anunciado pelo National Institutes of Health (NIH) em junho deste ano. Trata-se do maior banco de dados genômicos do mundo, que reúne informações de mais de 747 mil estadunidenses.
Só tem um detalhe: esse banco genético contém majoritariamente DNA de pessoas de ascendência europeia. Em outras palavras, os testes funcionarão melhor em pessoas brancas.
Os Scores de Risco Poligênico – como são chamados esses tipos de testes – são calculados através da soma de milhares de pequenas variações genéticas espalhadas pelo DNA humano. Dessa forma, é possível estimar a predisposição do indivíduo à algumas condições comuns, como diabetes, cânceres e cardiopatias.
Mas eles dependem do banco de dados disponível para os cálculos. E esses são, notoriamente, homogêneos. O UK Biobank, por exemplo, considerado um dos principais acervos genômicos do mundo, é formado por 94% de colaboradores brancos. Já o Million Veteran Program, mantido pelo Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos (VA), tem quase três quartos de participantes brancos.
Agentes de saúde temem que a lacuna entre dados de pessoas brancas e de outras etnias acabe agravando as disparidades na assistência médica. A solução mais óbvia seria recrutar mais pessoas não-brancas, algo que o programa All of Us diz ser prioridade.
Por trás do problema
O banco de dados All Of Us é uma iniciativa do National Institutes of Health, a principal agência do governo dos Estados Unidos para pesquisas biomédicas e de saúde pública. Na tentativa de diversificar seus dados genômicos, o programa tem se dedicado à criação de um novo grupo voluntário. Ainda assim, ele é cerca de 50% europeu, segundo Alicia Martin, geneticista estatística do Broad Institute.
Bancos genômicos enviesados também afetam outras áreas clínicas. O exemplo mais evidente são os modelos de inteligência artificial, que combinam estes dados com outras informações biomédicas para prever riscos. Também é possível que médicos encontrem, em pacientes não-brancos, variantes genéticas que não estudaram o suficiente para entender.
Scores podem ser um benefício palpável para aqueles com alto risco médico, dando aos pacientes décadas de antecedência para agir em relação a uma doença. Pessoas com predisposição para doenças cardiovasculares poderiam, por exemplo, começar a tomar estatinas (responsáveis pela redução do colesterol ruim) para atuar na prevenção de infartos e de derrames.
Enquanto o problema não é resolvido, técnicas para diversificar os dados vêm surgindo. Algumas ferramentas de modelagem têm se provado capazes de reunir informações de várias fontes ao mesmo tempo, ao invés de depender só dos grandes bancos genéticos europeus. Cientistas também recorrem a biobancos que crescem rapidamente na China, no Japão, na Coreia do Sul e em Taiwan, para representar a diversidade no Leste Asiático.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre as curiosidades do mundo!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
