Por que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, só foi enterrado 4 meses após sua morte?
No dia 28 de fevereiro deste ano, Estados Unidos e Israel iniciaram um ataque conjunto ao Irã, marcando o início de um novo conflito que perdura até hoje. Entre explosões e mais de 200 iranianos mortos, o primeiro dia da operação também matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, além de quatro de seus familiares. Ele tinha 86 anos e exercia poder praticamente ilimitado no Irã desde 1989.
Em meio à guerra e aos frequentes ataques aéreos, o governo optou por não realizar o funeral imediatamente. A tradição islâmica prevê que o corpo seja enterrado poucos dias após a morte – geralmente logo nas primeiras 24h, em respeito a dignidade da pessoa. Porém, o funeral de um líder desse porte reuniria milhões de civis e autoridades, o que simplesmente não era viável em meio ao conflito e trazia uma série de riscos à segurança.
Em abril, veio um acordo de cessar-fogo entre os três países. Apesar de frágil, ele abria caminho para que Ali Khamenei finalmente fosse sepultado – mas isso ainda demorou mais do que o esperado. As cerimônias fúnebres foram marcadas apenas para o começo de julho.
Elas começaram no dia 4 deste mês, com procissões públicas em diversas cidades do Irã e até mesmo no Iraque, reunindo milhões de pessoas em uma grande comoção nacional. Durante as cerimônias, autoridades recitaram versículos do Alcorão. Além disso, diversas das pessoas que compareceram levaram cartazes com mensagens contra os Estados Unidos e Israel.
Os cortejos se estenderam até 9 de julho, quando o corpo do líder e de seus familiares foi enterrado na cidade de Mashhad, no Santuário do Imã Reza. O local é considerado sagrado pelos xiitas e também é a cidade onde Ali Khamenei nasceu.
Ou seja: os corpos permaneceram quatro meses sem serem sepultados. Por isso, além do desafio logístico de organizar um funeral dessa magnitude (que exige um cuidadoso planejamento de segurança e circulação para evitar acidentes como esmagamentos, que já ocorreram em outros funerais do país), o governo iraniano também precisou encontrar uma forma de preservar os corpos durante todo esse período.
O método exato de conservação não foi divulgado. O governo afirmou apenas que os corpos foram preservados de acordo com as normas legais da religião islâmica.
Apesar do mistério, especialistas levantaram algumas hipóteses. A principal é que a técnica foi a refrigeração, que é permitida na religião em situações excepcionais como essa. Nesse caso, os corpos teriam sido mantidos em câmaras frigoríficas apropriadas, capazes de retardar a decomposição sem o uso de produtos químicos.
O que se sabe com certeza é que não foi realizado nenhum tipo de embalsamento químico, já que a prática é proibida pela tradição islâmica.
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