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Curiosidades

Maluquice na Copa: a única vez em que um jogador precisou de três cartões amarelos para ser expulso

A Copa do Mundo está cheia de histórias curiosas dentro e fora de campo, como a do cachorro que urinou no ponta britânico Jimmy Greaves em 1962 após invadir o campo, ou a do jogador uruguaio expulso com apenas 56 segundos de partida em 1986. Bons casos não faltam para entreter os amigos na mesa de bar.

O causo que vamos abordar aconteceu na Copa de 2006, disputada na Alemanha. Ele pode ser resumido como, provavelmente, o maior erro de arbitragem da história das Copas. E não estamos exagerando.

A partida entre Croácia e Austrália era válida pela última rodada da fase de grupos. As duas seleções disputavam o segundo lugar, já que o Brasil havia ficado em primeiro e já estava classificado. Quem vencesse ficaria com a vaga restante.

Para apitar a partida, foi chamado o árbitro britânico Graham Poll, um veterano que já havia participado da Copa anterior e participado de jogos importantes no continente europeu, como a final da Copa da UEFA. Uma aposta segura para um jogo desse calibre.

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O erro bizarro

A Croácia abriu 1 a 0 logo no comecinho do jogo e a Austrália empatou aos 39 min. Depois do intervalo, aos 61 min, o zagueiro croata Josip Šimunić fez uma falta no australiano Harry Kewell e recebeu cartão amarelo. Os dois times voltaram a marcar e deixaram o placar em 2 a 2. Tudo normal até aí. 

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Aos 90 minutos, porém, com o jogo quase acabando, as coisas complicaram. Šimunić derrubou o centroavante Mark Viduka em um lance de ataque. Graham Poll sacou novamente o cartão amarelo e o mostrou ao jogador.

O destino estava traçado: dois amarelos resultam em um vermelho, certo? Uma das regras mais básicas do futebol.

Mas Poll, em vez de mostrar o vermelho a Šimunić, reiniciou a partida e deixou o jogador continuar em campo. Ninguém entendeu o que estava acontecendo. O narrador da BBC, Guy Mowbray, foi contando a confusão ao vivo: “Šimunić saiu andando? O vermelho está confirmado. Acho que Poll ainda não tirou o cartão vermelho do bolso. Ele mostrou o amarelo, mas se esqueceu que Šimunić já tinha sido advertido. Tenho certeza de que Šimunić tinha sido advertido!”.

Nem Poll, nem seus dois assistentes, nem o quarto árbitro perceberam o erro. Os jogadores ficaram meio confusos, mas o jogo seguiu.

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Nos acréscimos, já depois do apito final, Šimunić aproximou-se de Poll reclamando de forma agressiva e chegou a empurrá-lo levemente. O árbitro então fez o que qualquer juiz faria: tirou mais um cartão amarelo do bolso.

Naquele momento, ele percebeu o absurdo: aquele era o terceiro amarelo para o mesmo jogador. Só então Poll mostrou o cartão vermelho e expulsou Šimunić.

Explicações

Em sua autobiografia de 2007, “Seeing Red”, Poll relembrou o episódio e tentou explicá-lo. “Meu sistema sempre foi identificar as equipes no meu caderno pelas cores e não pelo nome. É um sistema que, acredite ou não, evita confusões. Então, em Stuttgart, anotei ‘Vermelho/Branco’ para a Croácia no topo da coluna da esquerda e listei os números dos jogadores abaixo. Na coluna da direita, anotei ‘Amarelo’ para a Austrália e listei seus números. Assim, quando dei o primeiro cartão amarelo para Šimunić, anotei corretamente um ‘C’ de cartão amarelo para o jogador número 3 do Vermelho/Branco na coluna da esquerda e marquei o tempo – ’16/2′ (16 minutos do segundo tempo)”.

“Nos acréscimos, dei outro cartão amarelo para Šimunić – mas, desta vez, como percebo agora, registrei errado. Coloquei o ‘C’ ao lado do amarelo 3, alinhado com o vermelho/branco 3, que já tinha um ‘C’ ao lado. Não anotei o tempo nem a infração.”

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Ou seja: o segundo amarelo do croata contou para o lado australiano.

“Embora eu tenha repassado o incidente mil vezes na minha cabeça, eu realmente não sei por que fiz o que fiz. Não consigo entender completamente por que errei e por que não expulsei o Šimunić. Ele certamente fala com um forte sotaque australiano. Talvez, só talvez, seja aí que a confusão começou.”

De fato, Šimunić tem cidadania croata, mas nasceu e foi criado na Austrália, de modo que herdou o sotaque ao falar inglês. Não que isso justifique o erro, mas ajuda a explicar.

O jogo terminou 2 a 2 e a Austrália ficou com a vaga. Poll, que estava cotado para apitar a final do Mundial, pediu à Fifa para ser dispensado do torneio no mata-mata e teve o desejo atendido. Depois do episódio, ele não quis mais apitar jogos internacionais e se aposentou por completo um ano após o ocorrido.

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Em entrevista na zona mista depois do jogo, Šimunić admitiu que não tinha percebido imediatamente que já havia recebido dois amarelos. Segundo ele, a partida foi tão caótica que simplesmente continuou jogando quando Graham Poll mostrou o segundo cartão. Em entrevistas posteriores, ele disse que leva o episódio com leveza. “Meu sotaque australiano me ajudou”, declarou ele em 2020.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.