Foguete da Blue Origin, empresa de Jeff Bezos, explode durante teste
O foguete New Glenn, da empresa espacial Blue Origin, explodiu nesta quinta-feira durante um teste realizado na Flórida, segundo diversos veículos de imprensa americanos. O incidente deve atrapalhar, e muito, os planos da companhia e até da Nasa.
A Blue Origin é uma empresa espacial americana fundada por Jeff Bezos, o bilionário criador da Amazon. A companhia é parceira da Nasa no desenvolvimento de sistemas para missões espaciais. Em 2023, foi selecionada para produzir um módulo de pouso humano na Lua, chamado Blue Moon, para o programa Artemis, que pretende levar astronautas de volta à superfície lunar até 2028.
Entre as principais tecnologias desenvolvidas pela empresa está o mega-foguete New Glenn, de 98 metros de altura e considerado um dos mais potentes do mundo. O veículo utiliza sete motores movidos a oxigênio líquido e metano líquido. Seu nome é uma homenagem a John Glenn, primeiro astronauta americano a orbitar a Terra. A nave concorre diretamente com a Starship, da SpaceX, empresa do também bilionário Elon Musk, que também faz parte do programa Artemis.
A New Glenn já fez três voos de teste anteriormente. O primeiro, em janeiro de 2025, conseguiu colocar um satélite experimental em órbita, embora tenha apresentado problemas no pouso. Em novembro do mesmo ano, outro voo enviou satélites rumo a Marte. Já em abril de 2026, a Blue Origin realizou mais um voo, reutilizando o foguete anterior (algo muito complexo, acirrando a competição com a SpaceX), mas houve falhas no posicionamento de um satélite, que acabou em uma órbita mais baixa do que a planejada.
Agora, a Blue Origin realiza os testes para o quarto voo, que seria a missão NG-4, responsável por levar 48 satélites da constelação Kuiper, da Amazon, para a órbita baixa da Terra.
Os testes já estavam chegando nas fases finais e seguiam conforme o esperado até a noite de quinta-feira, 28 de maio. Neste dia, a New Glenn passava por um teste de ignição estática no Complexo de Lançamento 36, na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida.
Nesse tipo de teste, os motores do foguete são acionados enquanto a estrutura permanece presa à plataforma de lançamento. A ideia é verificar se o sistema de propulsão funciona corretamente antes do voo. Este seria o último grande teste antes do lançamento da New Glenn – mas o foguete simplesmente explodiu.
Segundo o portal de notícias Nasa Spaceflight, no início da noite, uma primeira tentativa de ignição estática foi abortada após a ativação do sistema de dilúvio da plataforma de lançamento. Esse mecanismo libera grandes quantidades de água para reduzir o calor da partida dos motores.
Cerca de uma hora depois, o teste foi retomado. O sistema de dilúvio voltou a ser acionado. Poucos segundos após a ignição dos motores, um clarão tomou conta e formou uma bola de fogo. Duas horas depois da explosão, a plataforma ainda pegava fogo.
O foguete não chegou a decolar, e a empresa informou que não houve feridos.
O resultado? O propulsor e o primeiro estágio do foguete foram muito danificados. A infraestrutura da plataforma de lançamento, equipamentos ao redor e o segundo estágio da nave também sofreram danos. O motivo da explosão e os detalhes do incidente ainda são investigados pela Blue Origin, que chama o episódio de “anomalia”.
A plataforma atingida pelo incêndio é atualmente a única utilizada pela Blue Origin, o que pode afetar cronogramas de testes e missões futuras, incluindo o teste de um módulo lunar que seria lançado esse ano pela New Glenn. Com a explosão, o retorno do foguete vai demorar pelo menos alguns meses para poder fazer seu quarto voo-teste.
Nesta semana, antes da explosão, a Nasa e a Blue Origin assinaram um contrato de US$ 188 milhões para futuras missões lunares com rovers até 2028.
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