Por que o Nepal vive no ano 2083? Conheça o calendário e fuso horário do país
Localizado na cordilheira do Himalaia, o Nepal é um pequeno país do sul da Ásia que faz fronteira com a Índia e a China. É uma das poucas regiões do Himalaia que não foi anexada por grandes nações, como ocorreu com o Tibete (incorporado pela China) e Sikkim (anexado pela Índia). O país também nunca foi colonizado por uma potência estrangeira.
Além de ser conhecido por abrigar parte do Monte Everest, o Nepal também chama atenção por possuir particularidades em seu sistema de contar dias e horas.
Primeiro, o país possui um fuso horário exclusivo. Chamado de Nepal Standard Time (Horário Padrão do Nepal), ele está cinco horas e 45 minutos à frente do Tempo Universal Coordenado (UTC), parâmetro internacional de tempo, que substituiu o antigo Horário de Greenwich.
Até 1986, o Nepal utilizava o Horário Padrão da Índia (IST). Naquele ano, porém, decidiu criar seu próprio horário oficial, ficando 15 minutos à frente da Índia. A decisão foi majoritariamente simbólica, e esses minutinhos reforçam ainda mais a identidade nacional nepalesa e sua independência em relação às grandes potências vizinhas. A linha de referência do fuso do país passa pelo Monte Gaurishankar, um dos picos do Himalaia.
O calendário é outra marca nacional importante. O Nepal utiliza diversos calendários simultaneamente, e existem até aplicativos que ajudam os cidadãos a converter as datas de um calendário para outro.
O mais utilizado é o Bikram Sambat, de origem hindu. É esse calendário que aparece na maioria dos documentos nepaleses – com exceção do passaporte, que utiliza o calendário gregoriano (o nosso) para facilitar relações internacionais. O Bikram Sambat está pouco mais de 56 anos à frente do gregoriano. Atualmente, o Nepal está no ano 2083.
A diferença de anos ocorre pois este é um calendário lunissolar – ou seja, se baseia ao mesmo tempo nas fases da Lua e nas estações solares. O calendário gregoriano, por exemplo, é apenas solar.
No Bikram Sambat, o mês é definido de acordo com os ciclos da Lua, que duram 29,5 dias. Acontece que esses ciclos não condizem com as estações do ano, que são regidas pelo movimento da Terra ao redor do Sol. Vez ou outra, então, se adiciona um mês extra no calendário para que as estações do ano caiam mais ou menos na mesma época todos os anos.
Todos os anos, uma equipe de astrônomos do país analisa os movimentos do Sol e da Lua para definir quando o próximo ano deve começar e qual será a duração dos meses (que chega a 32 dias em alguns anos). Geralmente, o ano novo acontece na metade de abril. O comitê também determina as datas e horários específicos de celebrações do calendário nepalês. A ideia é manter o calendário sincronizado com os ciclos agrícolas e as estações do ano.
Também são utilizados no país o calendário budista tibetano e o Nepal Sambat, ligado ao povo Newar, comunidade indígena tradicional do Vale de Kathmandu. Este último se tornou o calendário oficial da região metropolitana de Kathmandu em 2008. Segundo ele, estamos atualmente no ano 1146, e sua estrutura pode variar entre 11 e 13 meses dependendo dos ciclos lunares.
A bandeira do Nepal também se destaca. Formada por dois triângulos, em referência às montanhas do Himalaia, ela é a única bandeira nacional do mundo que não possui formato retangular. Outro fato interessante é que, com cerca de 147 mil quilômetros quadrados (uma área um pouco menor que a do Acre) o país abriga mais de 120 línguas, embora o nepali seja o idioma oficial.
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