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Curiosidades

Homicídios, alienígenas e acidentes de trabalho: por que geólogos morrem tanto no cinema?

Na vida real, o trabalho de um geólogo geralmente não é algo tão perigoso. Segundo dados dos EUA, cerca de 1 a cada 100 mil cientistas (incluindo geólogos) morrem por decorrência do trabalho científico. Bem menos que a média de 3,5 entre a força de trabalho do país.

No caso da geologia, porém, existem casos excepcionais, nos quais os riscos de morte podem aumentar significativamente. É possível, por exemplo, que geólogos realizem seus trabalhos de campo em canteiros de obras, minas, ou poços de gás e petróleo, onde fatalidades causadas por fatores como desabamentos ou maquinário pesado tendem a matar aproximadamente 13 trabalhadores a cada 100 mil (podendo um deles ser um geólogo, ou não).

Para os geólogos da ficção, por outro lado, existe um ambiente de trabalho ainda mais insalubre: o cinema.

Em filmes americanos e britânicos, a morte é fato consumado para 32% dos profissionais da geologia – e as três causas mais comuns são homicídios, riscos geológicos e, é claro, alienígenas.

É o que indica um levantamento recente divulgado no periódico Geology Today, no qual pesquisadores suecos analisaram as características de personagens geólogos presentes em mais de uma centena de filmes lançados entre 1919 e 2023. Além do dado mórbido, o estudo também constata que a grande maioria dos personagens estão do lado dos mocinhos – e, com poucas exceções, são interpretados por homens brancos.

“Quantos filmes com personagens geólogos você consegue lembrar de cabeça?” é a pergunta que, durante uma pausa para o café, deu origem a todo esse trabalho, quinze anos atrás. Na ocasião, os geólogos da Universidade de Gotemburgo responsáveis pelo estudo contaram apenas uma dúzia. Mas o papo passageiro logo virou tema de pesquisa, e a lista só foi aumentando.

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“Decidi que deveríamos sistematizar a busca por geólogos em filmes. Descobrir, por exemplo, que papel eles desempenham e quão realisticamente nossa profissão é retratada”, conta, em nota, o professor Erik Sturkell, da Universidade de Gotemburgo.

Antes de tudo, a busca ficaria restrita a filmes estadunidenses ou britânicos que tiveram lançamento em cinemas. A partir daí, os cientistas estabeleceram alguns critérios para determinar o que contaria ou não como um “filme de geólogo”. Ficam de fora os geocientistas (como paleontólogos ou geofísicos), cuja profissão é próxima, mas não igual à geologia. Além disso, os geólogos deveriam necessariamente aparecer em tela, vivos ou mortos.

A primeira versão do levantamento foi lançada em 2013, contando apenas com 59 filmes. Desde então, na medida em que achavam novos exemplos em bases de dados online, transcrições de diálogos ou mesmo em conversas com conhecidos, os cientistas acumularam 141 títulos e 202 personagens, dos quais 43% eram de alguma forma personagens cruciais da narrativa.

O primeiro geólogo aparece em Two Women, de 1919. O filme com o maior número de geólogos é O Inferno de Dante (1997), acumulando sete personagens. Pelo menos três filmes da franquia King Kong contam com esses profissionais. E, entre todos os 202, constam também 19 farsantes, que estavam apenas fingindo ser geólogos (ou 202, se levarmos em conta que na verdade são todos atores).

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Olhando para as estatísticas, os cientistas chegaram a algumas conclusões. A primeira é que geólogos não têm graça: os personagens retratados raramente tem um senso de humor e, pelo contrário, têm marcado presença cada vez maior dentro dos dramas. Ainda assim, estes continuam sendo o segundo gênero mais comum, atrás apenas dos filmes de aventura (com 47 exemplos).

Tampouco costumam figurar em musicais (com apenas duas instâncias). “Em resumo, nossa profissão é tipicamente vista como uma atividade aventureira e cheia de ação, perturbada frequentemente por acontecimentos dramáticos, e com inclinação mínima para canto ou dança”, escrevem os autores.

Além disso, a bússola moral dos geólogos é geralmente bem calibrada. 85% dos personagens são “do bem”, ou pelo menos não fazem mal diretamente. Desse número, grande parte também é responsável por realizar atos heróicos. Atos heróicos, aliás, tendem a ser bem vantajosos, uma vez que a taxa de mortalidade dos heróis é apenas 26%, oito pontos percentuais a menos que a porcentagem geral.

Nessa linha, o estudo sugere que o maior fator de risco para a mortalidade dos geólogos é, na verdade, ser malvado. 23 dos 30 geólogos malignos morrem (incluindo farsantes). Por exemplo, o Professor Dent, vilão de 007 Contra o Satânico Dr. No (1962), é assassinado pelo titular agente James Bond, virando um entre 30 geólogos na estatística do homicídio.

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Essa, aliás, é a causa de morte mais comum. Em segundo lugar, com 12 vítimas cada, ficam empatadas as causas alienígenas e os riscos geológicos. Causas específicas listadas no estudo incluem: “perdido na floresta”, “morto por caranguejo gigante”, “morto pela própria armadilha”, “morto por espírito maligno”, “morto por lagartos voadores alienígenas” e “devorado pelo ‘blob’, um alienígena”. Já geólogo de Prometheus (2012), esse na capa da reportagem, morre terrivelmente em uma “assimilação por aliens”.

<span class=”hidden”>–</span>Sturkell, E., Sjöqvist, A., Björklund, L. e Johnsson, A. (2026), Geólogos na tela de prata — a sequência. Geologia/Divulgação

Para além dos achados bem humorados, os pesquisadores também analisam o perfil de gênero e raça dos geólogos. Como exemplificam os autores, hoje, 31,5% dos integrantes da Sociedade Geológica de Londres são mulheres. No cinema, porém, elas correspondem a apenas 11% do total de personagens geólogos, número que salta para 21,6% se contarmos apenas a partir de 1986.

A diversidade é ainda menor entre raças e etnias. Apenas seis dos 202 geólogos não são brancos. Mais específicamente, são cinco homens negros e uma única mulher negra, sem a presença de qualquer outra etnia minoritária. Segundo os pesquisadores, o primeiro geólogo negro aparece no filme O Caminho do Arco-Íris, de 1968, e é recebido com surpresa por um senador branco, por ser “ao mesmo tempo negro e educado”.

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Equipados com coletes cheios de bolsos, afundando as botas pesadas na lama, os geólogos do cinema enxergam nas camadas de rocha os registros de outras eras geológicas. E agora, no novo estudo, os cientistas enxergam nos próprios geólogos do cinema um registro dos pensamentos e temores do último século.

“Observamos isso desde as primeiras prospecções de minerais e petróleo, passando pelos monstros nucleares do pós-guerra e pelas organizações criminosas globais da era da Guerra Fria, até os filmes recentes sobre desastres naturais”, escrevem.

É possível que, no futuro próximo, os geólogos passem a refletir a ansiedade das mudanças climáticas, os pesquisadores especulam. A maior evidência disso, para eles, é um filme do Nicholas Cage: em A Cor que Caiu do Espaço, de 2019, um hidrogeólogo impotente sai de seu esconderijo em direção a uma natureza completamente destruída.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.