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Curiosidades

Obesidade estabiliza nos países mais ricos e cresce nos mais pobres; entenda

Uma “epidemia global”: é assim que, desde os anos 1990, especialistas, veículos de mídia e agências de saúde têm se referido ao crescimento das taxas de obesidade. A gravidade do termo reflete a situação alarmante: nas últimas três décadas, o número de pessoas com obesidade mais que dobrou, somando, hoje, mais de 1 bilhão de indivíduos mundialmente.

Agora, porém, cientistas alertam que tratar o problema como uma “epidemia global” pode mascarar as maneiras desiguais com as quais a obesidade atinge diferentes regiões e populações. O crescimento global da condição, segundo eles, não é uniforme, e varia significativamente entre regiões ou mesmo dentro da demografia de um único país, conforme fatores sociais, econômicos e tecnológicos.

É o que sugere um novo estudo publicado na revista Nature na última quarta-feira (13), que analisou como as tendências de crescimento da obesidade se expressaram dentro de cada país ao longo de 45 anos. Quem assina o artigo é o NCD Risk Factor Collaboration, uma rede internacional de cientistas da saúde que reúne dados sobre os fatores de risco de doenças não transmissíveis. O grupo é responsável por uma base de dados contendo o peso e a altura de aproximadamente 232 milhões de participantes em mais de 4 mil estudos feitos ao redor do planeta.

No trabalho mais recente, os pesquisadores analisaram as dinâmicas da obesidade em 197 países, no período entre 1980 até 2024, acompanhando a proporção de pessoas obesas em cada dado momento, de acordo com recortes demográficos como gênero, faixa etária e país.

Vamos aos resultados principais.

Desigualdades regionais

A progressão da obesidade varia entre nações com níveis diferentes de renda, mas também entre países com indicadores socioeconômicos similares, mas em regiões diferentes do planeta.

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As nações ricas foram as primeiras a registrar aumentos nas taxas de obesidade. Hoje, a tendência geral entre esses países é de desaceleração e estabilização. Em alguns casos, como nos EUA, Reino Unido e Canadá, as taxas estabilizaram em níveis mais altos do que os de países de renda similar na Europa Ocidental – enquanto nos primeiros entre 25% e 43% dos adultos são obesos, a mesma taxa fica entre 11% e 23% no segundo grupo.

Ao comparar países de renda média da América Latina (como o Brasil) com semelhantes da Europa, percebe-se que, por aqui, as taxas de obesidade têm aumentado continuamente. Por lá, o cenário já é de estabilização.

Em nações de média e baixa renda, em que a obesidade demorou mais para se estabelecer, o crescimento agora acelera – e há uma variação regional perceptível. No leste africano, a prevalência da obesidade não passa dos 5% – ao passo que nações da Europa Central ou mesmo as latino-americanas já apresentam proporções de 30% a 40% entre adultos.

O estudo também mostra que desigualdades significativas podem acontecer mesmo dentro de uma mesma região. Como o Sudeste Asiático, por exemplo, onde o Vietnã tem taxas de obesidade bem mais baixas que as da vizinha Tailândia.

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Desigualdades demográficas

Tão importante quanto essas disparidades regionais é a forma como a obesidade tende a atingir populações diferentes, em direções e ritmos distintos, dentro de um mesmo território.

Em lugares ricos, como os EUA ou nações da Europa Central e do Leste Europeu, o crescimento da obesidade começou, em geral, entre crianças e adolescentes (dos 5 a 19 anos). A desaceleração e estabilização também chegou aos mais jovens muito antes do que para os adultos.

No restante do mundo, essa ordem foi, em geral, inversa: primeiro os adultos, depois crianças e adolescentes.

O estudo verificou disparidades significativas também entre gêneros. Em vários locais da Europa, a obesidade cresceu com mais rapidez entre os homens. Já no Sul e Sudeste da Ásia, assim como na maior parte da África Subsaariana, a velocidade foi maior entre as mulheres.

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A obesidade se expressa de maneira mais significativa entre pessoas com menor renda e escolaridade, já que esses fatores afetam o acesso a informações sobre nutrição adequada, comida de qualidade e atividade física.

A raiz da obesidade

Os pesquisadores destacam que o crescimento da obesidade não é um fenômeno simples.

Nas últimas décadas, analistas têm focado em fatores generalizantes, como disponibilidade de alimentos, publicidade e taxas mundiais de urbanização. Para os autores do novo estudo, entretanto, esses fatores não dão conta de explicar a real natureza do problema. A obesidade, como mostram, é algo heterogêneo demais para ser tratado como uma “epidemia global”.

“Epidemia implica atingir a todos, independentemente do controle individual, como ocorreu com a covid-19. O aumento da obesidade é um fenômeno mundial, com diferenças regionais significativas”, disse, em entrevista ao Jornal da USP, Paulo Andrade Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da USP e coautor do trabalho. “Há desaceleração do aumento da obesidade em países mais ricos e aceleração em países pobres. O grande marcador é social em todos os lugares do mundo”.

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No estudo, os especialistas apontam que, por exemplo, as disparidades entre os países de alta renda em relação aos demais podem ser explicadas pelo fato de que, neles, o crescimento da obesidade se deu na esteira do desenvolvimento econômico e tecnológico que ampliou o acesso, a composição e o custo dos alimentos. Ao mesmo tempo, as políticas públicas de combate à obesidade desses locais focaram apenas em informar o uso individual, sem alterar sistematicamente aspectos da nutrição e da atividade física.

Em países de média e baixa renda, a obesidade surgiu também com a chegada de avanços na comercialização, transporte e mecanização do trabalho, mas de forma mais tardia. Até então, os sistemas de saúde desses países eram equipados para combater apenas a desnutrição, e se viram despreparados frente ao avanço da obesidade. Além disso, tais nações não contavam com as políticas públicas necessárias para conter o avanço agressivo de alimentos ultraprocessados na dieta de seus habitantes.

Os fatores, como se vê, variam muito – e o novo estudo pode representar o primeiro passo para uma série de pesquisas futuras que busquem entender o fenômeno global da obesidade com sua complexidade devida.

Confira, abaixo, gráficos mostrando a progressão da obesidade entre 1980 e 2024:

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Obesidade em crianças e adolescentes: meninas (gráfico superior) e meninos (gráfico inferior)

Obesidade em adultos: mulheres (gráfico superior) e homens (gráfico inferior)

Gráfico sobre a obesidade em adultos (1980–2024).Dois mapas-múndi coloridos mostram tendências globais. O mapa superior exibe

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.