Por que o cérebro congela quando tomamos sorvete?
A dor está no céu da boca, e não no cérebro.
Quando o palato entra em contato com o frio, há uma contração dos vasos sanguíneos locais , seguida de uma dilatação. Isso gera uma resposta que ativa o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade do rosto. O que acontece é que o cérebro interpreta a dor como se estivesse vindo da testa ou da região atrás dos olhos. Esse é um exemplo de “dor referida”, que ocorre quando confundimos a origem da aflição.
“A dor é real, mas o ‘alvo’ percebido é meio enganoso. É um exemplo clássico de dor referida, o mesmo princípio de quando alguém sente dor no braço durante um infarto”, explica o neurologista Diogo Haddad, coordenador do Ambulatório de Neurologia Comportamental da Santa Casa da Misericórdia de São Paulo. Esse mecanismo não é totalmente compreendido, mas pode estar relacionado ao cruzamento de neurônios no caminho de transmissão da dor.
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Esse fenômeno não ocorre em todas as pessoas, muito menos todas as vezes que ingerimos algo frio. A sensação de “cérebro congelado” depende da área de contato do céu da boca com o alimento e a velocidade de consumo (virar um milk-shake como se fosse água não ajuda). Pessoas com enxaqueca tendem a ser mais sensíveis à dor.
O “cérebro congelado” dura apenas alguns segundos e é inofensivo, sem necessidade de medicação. “Não há qualquer evidência de dano cerebral, vascular ou neurológico. Trata-se apenas de uma resposta exagerada, porém passageira”, afirma o médico.
Se você for atingido pelo raio congelante, basta pressionar a língua contra o céu da boca, para aquecer a região. Para evitar o episódio, a recomendação é consumir alimentos gelados devagar e evitar que eles entrem em contato direto com o palato.
Pergunta de Manuela Mourão, São Paulo (SP)
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