Fones de ouvido Bluetooth fazem mal para a saúde?
Não. O Bluetooth opera por meio da radiação não ionizante, entre as faixas de menor energia do espectro eletromagnético. É uma radiação extremamente fraca e essencialmente diferente das conotações negativas a que a palavra “radiação” costuma remeter.
Coisas como usinas nucleares, mutações, acidentes e etc são associadas a outro tipo de radiação, a ionizante, que recebe esse nome pela sua capacidade de remover elétrons de um átomo – formando, então, um íon. Essa é a que está envolvida na produção de energia nuclear e possibilita alguns exames de imagem, por exemplo. Nos organismos vivos, a depender da dose e do tempo de exposição, esse processo pode danificar o DNA e produzir mutações.
Já mecanismos como os do Wi-Fi, Bluetooth, micro-ondas, sinais de telefone e rádio operam através da radiação não ionizante, que, como o nome sugere, não tem energia o suficiente para remover elétrons de um átomo.
Em teoria, o que essas ondas são capazes de fazer é esquentar os tecidos do corpo. Em alguns casos, isso pode provocar danos celulares, em um processo chamado de estresse oxidativo. Por isso mesmo, a radiofrequência é considerada como “potencialmente cancerígena” pela Organização Mundial da Saúde.
Por que as frequências de rádio FM ficam entre 80 e 110?
Na prática, tratando-se dos nossos dispositivos do cotidiano, esse aquecimento é tão minúsculo que se torna insignificante. Os fornos micro-ondas, por exemplo, usam uma faixa de frequência parecida com a do Bluetooth – 2,4 GHz – mas exigem uma potência literalmente milhões de vezes maior para esquentar a comida.
Não há estudos conclusivos nem consenso científico se essa radiação não ionizante realmente aumenta o risco de câncer. Estudos epidemiológicos desse tipo são muito complexos, e é difícil isolar fatores. Mas, afinal, se a coisa fosse assim tão determinada, veríamos um aumento de casos da doença proporcional com o aumento do uso de celulares e da internet, o que não ocorre.
Mesmo assim, a Anatel impõe aos equipamentos limites preventivos. Seguindo as diretrizes internacionais, a Agência determina que a absorção de energia (a radiação) na região da cabeça não deve passar de 2 watts por quilo. Isso é medido por meio de um cálculo chamado Taxa de Absorção Específica, conhecido pela sigla SAR.
Segundo o relatório mais recente da Anatel (1), mesmo quando estão operando em sua máxima potência, os fones Bluetooth homologados pela Agência ainda provocam, em média, uma absorção de radiação de 0,192 W/kg, dez vezes menor que o limite.
Fontes: Jobson de Araújo Nascimento, professor de micro-ondas e eletromagnetismo aplicado da Universidade Federal de Alagoas, página “Estudo sobre avaliação do SAR (Taxa de Absorção Específica) em aparelhos homologados pela Anatel”.
Pergunta de Levi Sales, de São Roque (SP).
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