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Curiosidades

Como filmar insetos? Conheça os bastidores da série Segredos das Abelhas, da National Geographic

A franquia Segredos, da National Geographic, já explorou o mundo de polvos, baleias, elefantes e pinguins, com a proposta de descobrir os seus segredos. A produção já recebeu uma série de prêmios, como Emmy e BAFTA. Agora, chegou a vez das abelhas serem protagonistas. Talvez, aliás, elas já sejam: apesar de pequenas, abelhas são extremamente importantes para a natureza pelo seu papel na polinização – e especialistas afirmam que a extinção delas poderia provocar impactos ecológicos em todo o mundo.

A série Segredos das Abelhas estreou no Disney+ no dia 1º de abril, e tem como produtor executivo ninguém menos que James Cameron, responsável por sucessos como Avatar, Titanic e O Exterminador do Futuro.

Ao longo de três anos, a produção registrou diversas espécies de abelhas ao redor do mundo, em países como Equador, Reino Unido, Japão e Austrália. A equipe conseguiu capturar comportamentos que nunca haviam sido filmados antes com câmeras de alta resolução – como o momento em que a abelha aplica uma gota de néctar nas patas traseiras para “colar” o pólen coletado e não deixá-lo escapar.

Outra cena documenta uma batalha entre abelhas japonesas e vespas, em que as abelhas utilizam plantas aromáticas para confundir os predadores. Esse comportamento já havia sido descrito em pesquisas, mas nunca havia sido filmado. 

Esse processo foi desafiador. Imagine tentar gravar um vídeo de uma abelha com o celular: seria quase impossível, já que elas são pequenas e se movem rapidamente. E, claro, ainda há o risco de levar uma ferroada.

Por isso, os cinegrafistas de Segredos das Abelhas precisaram utilizar tecnologias e técnicas de ponta para capturar os animais com precisão. Mais do que isso, criaram mecanismos para colocar câmeras dentro das colmeias e em outros lugares inusitados. 

O macacão de apicultor era essencial para proteger a equipe contra picadas durante a gravação, mas a pela também impõe novos desafios, como a redução da mobilidade e dificuldade para enxergar. No caso das vespas do Japão, extremamente venenosas para humanos, a proteção teve que ser reforçada, já que os trajes comuns de apicultor não são suficientes.

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<span class=”hidden”>–</span>Walt Disney Company/National Geographic/Divulgação

A Super entrevistou o diretor de fotografia principal da série, John Brown, para entender melhor os bastidores da filmagem.

“Usamos praticamente todas as ferramentas que você possa imaginar para contar essas histórias. Usamos drones e eu desenvolvi um sistema sofisticado de movimentação de câmera chamado motion control rig [equipamento de controle de movimento], que usei em praticamente todas as filmagens da série. Também fizemos uso extensivo de um tipo de lente muito especializada chamada Probe Lens, que é uma lente longa, fina e de alta qualidade que pode ser encaixada em lugares onde uma lente normal não cabe. Ela foca muito de perto, então você consegue uma ótima noção do animal em seu ambiente, mas ainda com boa ampliação”, explica Brown.

O diretor tem formação em biologia, é criador de abelhas e acumula cerca de 30 anos de experiência filmando pequenos animais. Ao longo desse tempo, desenvolveu seu próprio sistema de motion control rig, que combina diversos elementos de filmagem e é controlado por uma espécie de console de videogame, só que muito mais sensível e preciso. “Parece um tipo de robô maluco, com cabos por toda parte”, descreve.

Entre os componentes, está um estabilizador giroscópico, que neutraliza os movimentos e mantém as imagens suaves. A tecnologia foi criada durante a Segunda Guerra Mundial para estabilizar binóculos utilizados pela marinha.

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“Eu queria romper com a ideia de simplesmente ter a câmera em um tripé fixo. Queria que a câmera se movesse, seguisse o animal e mostrasse o ambiente de uma forma muito mais interessante. Ao longo dos anos, fui acumulando máquinas, motores e outras coisas em uma pilha de sucata no meu escritório, com a intenção de um dia juntar tudo. E então veio a pandemia (2020) e, pela primeira vez na minha carreira, não pude trabalhar nem viajar. Então pensei: ‘ok, chegou a hora, vou juntar tudo’”, diz Brown.

Fotografia da produção do documentário
<span class=”hidden”>–</span>Walt Disney Company/National Geographic/Divulgação

Para isso, contou com a ajuda de um amigo mecânico, além de uma fábrica de motores e uma empresa de software, que integrou os diferentes sistemas e permitiu seu controle.

“Depois de algumas tentativas e erros, cheguei a este dispositivo que é simplesmente a ferramenta perfeita para mim. Tenho quatro eixos de movimento na minha mão direita e o foco na esquerda, e olho para a imagem na tela. Há muita coisa acontecendo, mas agora parece uma extensão de mim. O objetivo final é chegar ao ponto em que seu instrumento é apenas uma extensão de você, e é mais ou menos onde estou agora.”

Mas nem tudo são inovações. Brown também utilizou lentes antigas, que nem sequer são mais fabricadas. Foram usadas lentes objetivas de microscópio das décadas de 1960 e 1970, hoje raras e parte de sua coleção pessoal.

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Turnê mundial das abelhas

Toda essa maquinaria tem um ponto negativo: o transporte. O equipamento precisou viajar de avião, barco e carro até chegar a destinos muitas vezes remotos, o que impôs desafios logísticos adicionais.

No Equador, por exemplo, a última etapa da viagem foi feita em uma canoa, durante quatro horas, pela floresta amazônica.

“Ironicamente, quanto menor o animal que você está filmando, mais equipamentos você provavelmente terá que levar. Se você estivesse fazendo um filme sobre elefantes, poderia ter cinco malas de equipamentos. Mas um filme sobre abelhas pode chegar a ter 35 malas, porque precisamos de lentes sofisticadas, iluminação, equipamentos de controle de movimento, todos esses dispositivos que permitem filmar coisas em pequena escala. Além do desafio de levar o equipamento até a locação, há também o dia a dia. A sequência da abelha-abutre, por exemplo, foi filmada em um pântano. Então, tínhamos que levar todo o equipamento para um pântano, e ficar sentado lá o dia todo, em que chove e depois para, é um verdadeiro pesadelo”, relata ele.

Quando a chuva começava, a equipe cobria o equipamento com grandes sacos plásticos e esperava passar. Como a montagem levava cerca de 50 minutos, desmontar nem sempre era viável.

Situações assim já fazem parte da rotina de quem filma a natureza. Porém, aos olhos de Brown, o cenário atual está mais imprevisível e é um reflexo das mudanças climáticas, que ele vivenciou na pele.

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“Os padrões climáticos são muito menos previsíveis do que eram há dez anos. O que me assusta é que, embora eu faça isso há 30 anos, que é um piscar de olhos na história, o mundo mudou muito durante a minha carreira. Não dá mais para prever quando a estação chuvosa vai começar. É um grande desafio para nós, mas é um desafio existencial para as abelhas e para a vida selvagem em geral.”

Fotografia da produção do documentário
<span class=”hidden”>–</span>Walt Disney Company/National Geographic/Divulgação

Trajes de apicultor ou vestido de gala? 

Grande parte das gravações foi feita com trajes de apicultor, que possui gorros volumosos que prejudicam a mobilidade e a visão – além de serem muito quentes e fazerem os cinegrafistas suarem por baixo dele.

John afirma ter sido o único da sua equipe que não foi picado. Ele utilizava uma adaptação própria: substituiu a tela do capuz por um vidro, o que permitia enxergar melhor durante as filmagens.

Fotografia da produção do documentário
<span class=”hidden”>–</span>Walt Disney Company/National Geographic/Divulgação
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Romilly Spears, diretora de fotografia das gravações na Inglaterra, não teve a mesma sorte. Quando as abelhas estavam calmas, era possível filmar sem o capuz, mas isso nem sempre acontecia.

“O problema com as abelhas é que elas precisam estar muito felizes para continuarem se comportando naturalmente, e não é preciso muito para perturbá-las. Qualquer movimento na colmeia as deixa agitadas, e aí você deve deixá-las em paz por meio dia. De vez em quando, elas ficavam estressadas e simplesmente voavam para todos os lados. Eu fui picada várias vezes, geralmente na sexta-feira à tarde, antes de chegar em casa para o fim de semana. Meu rosto inteiro inchava durante todo o fim de semana, e eu já estava bem na segunda-feira de manhã”, conta em entrevista à Super.

Cinegrafistas, câmeras e… cientistas?

Por trás das câmeras, havia também cientistas, apicultores e pessoas da comunidade local que conheciam o comportamento das abelhas como as palmas de suas mãos.

Uma das cenas do primeiro episódio acompanha uma abelha que deposita ovos dentro de uma concha de caramujo e, em seguida, a cobre com plantas. Conseguimos ver dentro da concha, graças a microcâmeras inseridas rapidamente pelos cinegrafistas.

O registro só foi possível graças à ajuda de um cientista que estudava esse comportamento específico há anos. Ele orientou a equipe sobre o que observar, permitindo posicionar as câmeras no local exato.

No Equador, o cientista Dave Roubik, um dos maiores especialistas em abelhas tropicais, acompanhou as gravações, que duraram cinco semanas. Já na Austrália, a equipe contou com um guia local, que indicou onde encontrar as abelhas. 

Na Inglaterra, as filmagens ocorreram em colmeias de apicultores instaladas em estúdio e jardins dos cinegrafistas (sim, no fundo de suas casas), o que exigiu uma abordagem diferente.

“Foram projetadas algumas colmeias em que era possível remover a parte traseira ou filmar por cima. Elas eram baseadas em uma colmeia comercial tradicional, e nós conseguíamos inserir a câmera. Mas, obviamente, as abelhas são bem pequenas e nossas câmeras são enormes. Então, tínhamos que descobrir como acomodar todo esse equipamento em torno de um animal muito pequeno, permitindo que ele continue se comportando da maneira mais natural possível”, explica Spears.

Essa estrutura permitiu filmagens mais manuais, com menos equipamentos rebuscados como as outras filmagens – inclusive, para não incomodar ainda mais as abelhas. Uma adaptação foi o uso da iluminação de LED, que não produz calor e pode ser cuidadosamente ajustada para não perturbar os insetos.

Ao lado de Spears estava Chris Timmons, especialista em abelhas que, apesar de não ser cientista, tem anos de experiência na criação desses insetos. Enquanto ela operava a câmera, ele indicava os comportamentos em tempo real, apontando com uma vara para facilitar o enquadramento. Também alertava sobre mudanças de comportamento – e quando era hora de recolocar o capuz para fugir de picadas.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.