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Curiosidades

Maior estudo sobre psicodélicos revela como essas substâncias agem no cérebro

LSD, ayahuasca, DMT, mescalina e psilocibina – todos esses psicodélicos interagem com a mente humana de jeitos diferentes. Mas, agora, evidências sugerem essas cinco substâncias podem compartilhar um mecanismo de ação em comum dentro do nosso cérebro.

A conclusão vem de um novo estudo publicado na Nature no começo de abril. O artigo procura estabelecer um ponto de partida fundamental para pesquisas futuras sobre os compostos psicoativos.

Reunindo dados de 267 pacientes em cinco países, a pesquisa representa a maior revisão científica já feita sobre o tema, e pode abrir o caminho para novas abordagens medicinais baseadas nessas substâncias.

As descobertas recentes sobre o potencial terapêutico dos psicodélicos formam um campo de pesquisa que tem voltado com força nos últimos anos – após um hiato de meio século que resultou da proibição dessas drogas em nível global, nos anos 1970.

De maneira resumida, os psicodélicos são substâncias que, no cérebro, atuam como simulacros da serotonina – um neurotransmissor responsável por regular o humor, o sono e diversas outras funções cognitivas. Sendo essa a definição, eles não necessariamente causam alucinações, mas a chamada “experiência subjetiva” – a tal “viagem” – é uma característica integrante de muitas dessas drogas.

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Os psicodélicos são capazes de acalmar a “rede de modo padrão do cérebro”, rede de neurônios interconectados que, em pessoas com depressão, ficam mais ativos. Foi essa propriedade que chamou a atenção dos cientistas, que enxergaram nesses compostos psicoativos possíveis alternativas terapêuticas para condições como a depressão resistente, que não responde bem aos antidepressivos usuais.

Nos ensaios clínicos mais recentes, os psicodélicos já demonstraram certo potencial para o tratamento da depressão, ansiedade e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), além da dependência em álcool e cigarro, de maneira segura.

Até então, porém, os mecanismos neurais por trás desses efeitos no cérebro ainda eram pouco conhecidos – e é justamente isso que a nova revisão científica busca medir. A partir da análise dos efeitos em centenas de pacientes expostos às substâncias, junto aos dados de mais de 500 ressonâncias magnéticas cerebrais, os pesquisadores identificaram mecanismos fundamentais pelos quais os psicodélicos modulam a atividade cerebral, comuns a todas as cinco drogas mais conhecidas deste grupo: LSD, ayahuasca, DMT, mescalina e psilocibina (o composto dos cogumelos alucinógenos).

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Esses mecanismos têm a ver com a organização do cérebro, que, em linhas gerais, é mais ou menos burocrática: regiões do cérebro costumam ter funções específicas – visão, audição, pensamento abstrato, autorreflexão etc. Todas se comunicam entre si por meio de uma rede de caminhos neurais, que coordena tudo.

O que os psicodélicos fazem, então, é reconfigurar esse sistema para deixar tudo bem menos rígido, enfraquecendo as conexões e diluindo as fronteiras que separam as redes cerebrais.

O resultado é que regiões cerebrais que geralmente funcionavam de maneira separada – como aquelas responsáveis pelos pensamentos e as que ficam a cargo da percepção – começam a se comunicar. Isso pode explicar efeitos comuns dos psicodélicos, como, por exemplo, as alucinações e a “dissolução do eu” (a sensação de que você se fundiu com o resto do mundo).

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“Isso é uma ruptura em como pensamos sobre drogas psicodélicas”, disse, em nota, o neurocientista Danilo Bzdok, autor principal do estudo. “Pela primeira vez, demonstramos que há um denominador comum entre drogas que atualmente consideramos completamente separadas.”

Os novos achados vêm para resolver um problema fundamental nos estudos dos psicodélicos. Por ser um campo ainda incipiente, muitos de seus estudos têm chegado a conclusões inconsistentes – e muitas vezes contraditórias – entre si. Isso porque, além dos desafios regulatórios que dificultam a formação de amostras grandes de participantes, ainda existem muitas discordâncias entre os especialistas da área sobre aspectos da pesquisa como metodologia e análise dos resultados.

No artigo, os autores apontam, por exemplo, que dois grupos de pesquisa relataram efeitos opostos em estudos que usaram o mesmo método para medir a média da conectividade funcional entre as regiões do cérebro. Enquanto o primeiro verificou um aumento entre voluntários sob o efeito de psilocibina, DMT e LSD, o outro apontou um padrão inverso para o uso de psilocibina e LSD. Isso provavelmente aconteceu por causa das diferenças metodológicas e analíticas entre os estudos.

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“É uma comunidade altamente fragmentada que não concorda em muita coisa, então fazer todo mundo sentar na mesma mesa foi algo muito trabalhoso”, relatou Bzdok ao New York Times, sobre coordenar o trabalho de dezenas de pesquisadores em três continentes.

Nesse cenário, a nova revisão científica é importante porque produz um consenso, um ponto de partida comum a partir do qual os cientistas podem desenvolver pesquisas futuras sobre o tema de maneira mais consistente.

Para entender melhor o que são os psicodélicos, e como eles têm sido usados no tratamento de transtornos como a depressão resistente, vale a pena ler também a reportagem que a Super lançou em novembro de 2023 sobre o tema: “A volta das terapias com drogas psicodélicas”.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.