Existe pão francês na França?
O dia do pão francês é celebrado no Brasil em 21 de março. Só na cidade de São Paulo são consumidos 8 milhões deles por dia. Isso dá um total de 400 toneladas diárias de pãozinho. Por ano, esse número chega a 2,9 bilhões, segundo dados do Sampapão (Sindicato e Associação dos Industriais de Panificação e Confeitaria de São Paulo). “O pão francês ainda é o carro-chefe de todas as padarias de São Paulo”, afirma Rui Gonçalves, presidente da entidade. “Para a maior parte dos brasileiros, o pão francês representa o primeiro alimento do dia. Faz parte daquele café da manhã tradicional, que tem o pão com manteiga e o pingado”.
Ao contrário do que o nome sugere, o pão francês que conhecemos no Brasil não é comum nas padarias francesas. De acordo com Cuilliot Guillaume, proprietário de duas padarias no norte da França, encontrar um pão igual ao brasileiro em uma padaria francesa é bastante improvável. Esta versão, segundo Guillaume, é comum apenas nos restaurantes e lá é chamado de pistolle (pistola).
A origem do nosso pão francês
No final do século XIX, o café da manhã do brasileiro era acompanhado por um pão com casca e miolo escuros. A mudança começou no início do século XX, quando brasileiros que viajavam para Paris passaram a trazer na mala a receita de um pãozinho fino, de casca e miolo claros, precursor da baguete.
As padarias brasileiras adaptaram a receita, adicionando gordura e açúcar na massa. Surgia, assim, o brasileiríssimo pão francês.
O pão francês na cultura brasileira
O pão francês vai além da mesa: ele é parte da rotina e da identidade alimentar do brasileiro. Presente no clássico “pão na chapa da padaria”, ele atravessa gerações como um hábito cotidiano. “Eu diria que ele é um patrimônio cultural brasileiro, primordial em tudo”, afirma Rui Gonçalves.
Rui Gonçalves: “Eu diria que o pão francês é um patrimônio cultural brasileiro” (Foto: Divulgação Sampapão)
Mesmo diante das transformações do mercado, o pão francês segue como elo entre tradição e modernidade. “As padarias têm investido em tecnologia e inovação, mas sem perder a essência”, diz o presidente do Sampapão. “O pão francês continua sendo o símbolo maior da panificação brasileira.”.
Como o pão francês é chamado em diferentes regiões do Brasil
A variedade de nomes do pão francês pelo Brasil tem origem na formação regional da panificação, influenciada por imigrações, hábitos locais e formas populares de nomear o produto no dia a dia.
Em muitas regiões, o nome não faz referência à França, mas sim às características do pão, como cor, textura ou composição da massa.
Entre os principais nomes estão:
Distrito Federal: pão francês
Bahia e Minas Gerais: pão de sal
Rio Grande do Sul: cacetinho
Ceará: carioquinha
Rio Grande do Norte: pão de água
Pernambuco: pão de Jacó
São Paulo: pão filão
(Com reportagem de Beatriz Duarte)
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