Cigarros, travessuras e artilharia: conheça Wojtek, o urso do exército polonês que serviu na 2a Guerra
A 2a Guerra Mundial fez amplo uso dos animais: dos pombos-correios usados para driblar a interceptação das transmissões de rádio aos cães farejadores de minas, passando pelos elefantes que carregavam equipamento pesado e pelos golfinhos que detectavam submarinos, aquela guerra foi um verdadeiro zoológico. Mas só um dos lados teve um urso.
Wojtek era um urso-pardo que nasceu na Pérsia (atual Irã) e foi encontrado órfão nas montanhas. O 2º Corpo do Exército Polonês, recém-formado na URSS sob o comando do General Władysław Anders, estava a caminho da Palestina, atravessando a Pérsia, e comprou o animal dos civis por algumas unidades de carne enlatada.
O filhote recebeu o nome de Wojtek, que significa “guerreiro alegre”. Inicialmente, Wojtek era alimentado com leite condensado diluído em uma garrafa de vodca. Com o tempo, esse alimento já não bastava para satisfazer o animal, que atingiu os 250 kg e media quase dois metros de comprimento.
Wojtek acabou se tornando um grande companheiro para os soldados do 2º Corpo. Ele gostava de comer cigarros e beber cerveja, ainda que as garrafas geralmente estivessem cheias de água, já que cerveja era um item raro. Um dos soldados costumava carregar presentes no bolso para agradar o bicho, conforme conta sua filha, Sue Butler: “Se meu pai fingisse passar por Wojtek, [o animal] sabia que receberia algo e ia direto até ele”.
Uma das brincadeiras favoritas de Wojtek era lutar com os soldados, embora, consciente de seu tamanho, ele agisse com cuidado para não machucar os humanos. O urso-pardo era tão pacífico que costumava entrar nas barracas à noite para dormir com os soldados. “Ele era um urso deslocado e eles eram pessoas deslocadas, e ambos estavam sem suas famílias”, afirma Sue.
“Embora tivesse se adaptado bem à rotina militar, seu histórico de travessuras só aumentava. Em um grande acampamento militar das forças aliadas no Iraque, Wojtek roubou um varal cheio de roupas íntimas de soldados mulheres, para o horror das moças aterrorizadas. Na véspera de Natal, após um banquete tradicional polonês, ele foi até o depósito de mantimentos do acampamento. Em busca de suas geleias e frutas favoritas, devastou o lugar”, conta Magda Szkuta, curadora da British Library, a biblioteca nacional do Reino Unido.
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Um urso em batalha
Em 1944, o Corpo Polonês foi transferido do Egito para a Itália para lutar na campanha italiana ao lado das forças britânicas. A única maneira de levar o urso consigo era “alistá-lo”, de modo que ele recebeu uma patente e se tornou parte oficial do grupo militar. As autoridades britânicas, convencidas pelo argumento de que ele contribuía enormemente para fortalecer o espírito de luta dos soldados, concederam autorização para que Wojtek viajasse de barco com os colegas.
O grande momento de Wojtek aconteceu na Batalha de Monte Cassino, em maio de 1944. Nessa época, os alemães haviam estabelecido uma linha defensiva que cortava a península italiana. Monte Cassino, uma colina de 516 metros coroada por um antigo mosteiro beneditino, era o ponto central dessa barreira.
Foram quatro batalhas para tomar Monte Cassino, sendo que os poloneses participaram apenas da última. Wojtek foi encarregado de transportar projéteis para as armas de artilharia. Ele carregava as grandes caixas de munição dos caminhões de suprimentos até as posições de artilharia, mesmo sob intenso fogo de canhão.
Sua ajuda foi importante: após a quarta batalha, os poloneses do General Anders tomaram o monte e os alemães recuaram. Após o confronto, Wojtek passou a figurar no logotipo da 22ª Companhia de Suprimentos de Artilharia, que mostrava um urso carregando um projétil.
Essa Companhia lutou na batalha de Bolonha em abril de 1945, o último combate da campanha italiana. Quando a 22ª Companhia foi desmobilizada em 1947, Wojtek foi transferido para o Zoológico de Edimburgo, na Escócia, onde morreu em 1963, aos 22 anos. O Reino Unido, aliás, foi o local de exílio de muitos soldados poloneses, já que a Polônia estava tomada pela URSS e muitos dos militares que haviam lutado pelo Ocidente eram vistos como traidores.
O pai de Sue Butler foi visitar o urso no zoológico certa vez. “Os homens poloneses daquela época eram ensinados a não chorar, pois isso era visto como sinal de fraqueza. Mas ele me contou que, quando viu Wojtek no zoológico, chorou como uma criança”, relembrou.
Em 2010, a autora Aileen Orr lançou o livro Wojtek the Bear: Polish war hero, celebrando a vida e os feitos do urso. O Fundo Memorial Wojtek, organização criada por ela, viabilizou uma estátua do animal, inaugurada em Edimburgo em novembro de 2015.
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