Por que a IA vai transformar a reciclagem nos próximos anos
O Brasil gera mais de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, mas recicla formalmente apenas 4% desse volume, índice abaixo da média de países com grau de desenvolvimento similar, que fica em torno de 16%, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
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Ao Podcast Canaltech desta quarta-feira (1º), Marcelo Kotaki, CIO do Grupo Multilixo, que responde por 30% de todo o resíduo da Grande São Paulo, afirmou que o problema não é em si a falta de tecnologia, mas a dificuldade de ganhar escala diante de uma regulamentação recente e de uma conscientização que ainda não atravessou toda a cadeia.
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Kotaki conta que a separação de materiais em algumas plantas já opera com sensores de IoT (Internet das Coisas), visão computacional e sensores a laser. O conjunto dessas tecnologias permite identificar materiais com precisão, e inclusive, diferenciar a tampa de uma garrafa PET do corpo da embalagem numa esteira em movimento.
“Quando eu entrei nesse segmento, para mim foi uma surpresa muito grande como a tecnologia na ponta consegue tratar isso de uma maneira automatizada, muito rápida”, afirmou o executivo.
A empresa também opera plantas de biometano, que transformam gases de aterros sanitários em combustível para reinserção na economia. Kotaki define o resíduo como “o começo de um novo ciclo”, não como um descarte final.
IA e fiscalização em tempo real
Na avaliação de Kotaki, a inteligência artificial vai transformar o setor nos próximos cinco anos.
Ele cita os Estados Unidos como referência em operação: câmeras registram em tempo real o momento em que o caminhão esvazia o contêiner residencial e, se a separação estiver errada, o morador recebe foto e multa imediatamente. “Não é assim: ‘Ah, eu fui para a destinação e vi que você fez a separação errada.’ Isso acontece em tempo real”, explicou.
Em Londres o funcionamento é similar: quanto mais resíduo o cidadão gera, maior o valor das taxas cobradas. Para Kotaki, esse modelo de penalização financeira tende a chegar ao Brasil e deve acelerar a conscientização que campanhas educativas, sozinhas, não conseguiram.
No lado de TI, o setor ainda tem carência de sistemas especializados. Sistemas disponíveis no mercado precisam de customizações pesadas para atender à logística reversa, que, no caso da Multilixo, envolve recolher resíduos de clientes corporativos e dar destinação adequada a cada tipo de material.
A questão econômica permanece no centro do debate. Reciclar pode custar mais do que extrair matéria-prima, mas Kotaki argumenta que sustentabilidade é condição de sobrevivência dos negócios no médio e longo prazo: “Quando você ouve o maior fundo americano dizer que sustentabilidade é ponto-chave para os negócios, você tem que olhar isso com outra dimensão.”
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