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Curiosidades

Excesso de redes sociais entre crianças está associado a sintomas mais graves de depressão e ansiedade

Mais de três horas por dia nas redes sociais é o suficiente para que crianças desenvolvam quadros de depressão ou ansiedade mais graves. Quando comparadas àquelas que fazem uso moderado (até meia hora por dia), o excesso de exposição às redes pode agravar a severidade dos sintomas em aproximadamente 47%, para depressão, e 40%, para ansiedade.

É o que indica um estudo feito com mais de 2 mil crianças em escolas de Londres, na Inglaterra. Ao longo de quatro anos, pesquisadores do Imperial College London acompanharam estudantes de 31 escolas, coletando dados relacionados a hábitos de uso das tecnologias digitais, saúde mental e estilo de vida.

Os achados, publicados em fevereiro no periódico BMC Medicine, apontam para um perigo silencioso das tecnologias digitais: seus prejuízos para o sono das crianças – e os efeitos danosos que isso pode trazer à saúde mental.

O artigo faz parte do SCAMP (Study of Cognition, Adolescents and Mobile Phones, do inglês para “Estudo sobre Cognição, Adolescentes e Telefones Celulares”), o maior estudo investigando os impactos de longo prazo do uso de tecnologias digitais por crianças e adolescentes.

Desde sua fundação, em 2014, o SCAMP tem acumulado dados sobre uma série de marcadores – como o desenvolvimento cognitivo, a dieta e as rotinas de sono – relacionados à saúde física e mental de pessoas expostas às redes sociais desde a infância.

No trabalho mais recente, os cientistas comparam para a saúde mental das crianças em dois momentos: quando tinham entre 11 e 12 anos (no período entre 2014 e 2016) e, depois, quando tinham entre 13 e 15 (entre 2016 e 2018). Ao longo do estudo, os participantes responderam questionários detalhados, com perguntas sobre estilo de vida, saúde mental e seus comportamentos diante às telas.

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Com base nessas respostas, junto aos resultados de um conjunto de testes cognitivos, os pesquisadores reuniram os dados das crianças que apresentaram sintomas depressivos ou de ansiedade – um total de 2.350 pessoas.

Analisando a progressão dos sintomas ao longo dos anos, e olhando, ao mesmo tempo, o uso que essas crianças faziam das redes sociais, os pesquisadores encontraram uma relação entre o tempo de tela e a gravidade dos sintomas. Isto é, crianças que, entre os 11 e 12 anos, ficavam nas redes sociais por mais de 3 horas por dia tinham uma chance bem maior de chegar à faixa dos 13 aos 15 com quadros mais severos de depressão e ansiedade. Já separando entre os gêneros, essa associação se torna ainda mais forte entre as meninas.

As redes sociais mudaram muito desde 2014 e 2018, isso é uma limitação que os cientistas não negam. O consumo mudou, as dinâmicas das plataformas mudaram e, naquela época, o formato de vídeos curtos ainda não capturava a atenção de todo mundo. Porém, a vantagem de um estudo de longo prazo é que, acompanhando os participantes por um longo período de tempo, os cientistas conseguem entender melhor quais comportamentos relacionados ao uso de telas mais influenciam na saúde mental das crianças.

Nesse caso, um fator medido pelos questionários se sobressaiu aos demais: a quantidade de sono. Os jovens com mais tempo de tela também dormiam menos (principalmente nos dias de escola). E a falta de sono, por sua vez, é um grande fator de risco para o agravamento de transtornos da saúde mental.

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“Nossa análise mostra uma tendência clara em termos da quantidade de tempo gasto nas redes sociais e os desfechos de saúde mental. Crianças que usam aplicativos de redes sociais por mais tempo, e até mais tarde à noite, podem estar comprometendo o sono de que precisam para funcionar de forma saudável. Acreditamos que essa é a principal razão pela qual estamos observando um impacto duradouro na saúde mental delas ao longo do tempo”, afirma, em nota, a pesquisadora Mireille Toledano.

As leis sobre o uso de tela ao redor do mundo

Em tempos recentes, os impactos das redes sociais no desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes têm recebido atenção redobrada de responsáveis, especialistas e autoridades em todo o planeta. No Brasil, entrou em vigor na semana passada a lei nº 15.211/2025, apelidada de ECA Digital – uma legislação complementar ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que visa regulamentar o acesso dos mais jovens às redes sociais.

A lei dispõe de uma série de novas limitações na arquitetura das redes sociais para usuários menores de 18 anos. Dentre elas, o fim da rolagem infinita do feed, da reprodução automática de mídia e de outros recursos que, recompensando o tempo de uso ou criando um senso de urgência, manipulem as crianças a permanecer nas redes sociais por períodos de tempo ainda maiores.

Além disso, tornou-se obrigatória a implementação de mecanismos de aferição de idade e controle parental. Menores de 16, por exemplo, só poderão ter contas vinculadas a um responsável legal.

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A tendência é global. Em dezembro de 2025, a Austrália se tornou o primeiro país a banir completamente o uso de redes sociais para menores de 16 anos – e, nos últimos meses, legisladores em países como a Espanha, França e Dinamarca têm seguido na mesma linha, aprovando regulamentos semelhantes. Já o Reino Unido, onde o SCAMP é realizado, também vem estudando uma idade mínima para o uso das redes, tema que foi alvo de consulta pública no início de março.

Sobre isso, Toledano opina: “Embora medidas para restringir a exposição das crianças a conteúdos online potencialmente prejudiciais sejam necessárias e devam ser bem-vindas, atualmente simplesmente não há evidências científicas suficientes para sugerir que o uso de redes sociais, por si só, seja prejudicial para as crianças. Apesar dos apelos por uma proibição total para menores de 16 anos, não há evidências de que isso resolverá todos os problemas que as crianças estão enfrentando”.

“Nosso trabalho recente mostrou que o uso prolongado de redes sociais estava associado a uma pior saúde mental, mas isso provavelmente é indireto e está relacionado ao fato de empurrar o uso para o período noturno, o que prejudica o sono. A médio e longo prazo, a interrupção do sono pode ter implicações profundas para a saúde mental e o bem-estar das crianças, bem como para seu desempenho escolar”, completa.

A pesquisadora propõe que o melhor cenário combinaria a regulação de conteúdo e o trabalho conjunto para a educação de crianças e pais sobre o uso saudável das redes.

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Nessa linha, o próximo passo, para os pesquisadores do projeto, tem sido o “Scroll Smart“, um programa educacional para crianças sobre o uso moderado de redes sociais e a importância da higiene do sono. O programa será aplicado em duas escolas, que funcionarão de grupos controle para um estudo futuro, analisando os impactos dessa intervenção no uso de telas.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.