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Curiosidades

Quando uma floresta pega fogo, esses fungos brotam aos montes; entenda como eles podem ajudar a restaurar ecossistemas

Uma particularidade da vida na Terra: mesmo nos lugares mais inóspitos, nas circunstâncias mais hostis ou extraordinárias, ela dá um jeito de tirar vantagem da situação. Os fungos, em suas milhões formas, são prova viva disso. São entre 2,2 milhões e 3,8 milhões de espécies vivendo nos mais diversos lugares – da raíz das árvores até os dedos do seu pé – e encontrando as mais diversas maneiras de sobreviver.

A principal carta na manga dessas espécies, para a sobrevivência, é a habilidade de decompor quase qualquer matéria orgânica. Eles liberam enzimas, absorvem os nutrientes necessários para a própria alimentação e deixam para trás as sobras desse processo, livre para o consumo de outros organismos.

Nesse esquema, muitos fungos acabaram firmando parcerias bem produtivas – relações simbióticas – com outras espécies, como plantas ou algas. Os fungos micorrízicos, por exemplo, formam redes subterrâneas, vastas e intrincadas ao redor das raízes de múltiplas plantas. Nessa economia, os fungos dão nutrientes, e as plantas retribuem com compostos de carbono.

Foi nessas idas e vindas que os fungos se alçaram como alguns dos seres vivos mais importantes para a manutenção de grande parte dos ecossistemas da Terra. Mas, o que acontece, então, quando (como tem ocorrido com uma frequência cada vez maior) uma floresta inteira acaba devastada sob as chamas de um incêndio florestal? Nesses casos, das cinzas, nasce outro tipo de fungo, pronto para tirar vantagem, também, dessa situação.

São os fungos pirófilos (literalmente “amantes do fogo”), um grupo de aproximadamente 100 espécies que prosperam e se multiplicam aos montes nas ruínas de matas queimadas. Seu papel é essencial para a restauração das florestas: alimentando-se da matéria orgânica carbonizada, essas espécies tiram da fuligem e do carvão nutrientes essenciais para as plantas, além de reconstituírem a estrutura do solo queimado.

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Quando a paisagem é escurecida pelas cinzas, algumas dessas espécies se destacam na paisagem com grandes sinais de vida em laranja-neon. A aparência varia: algumas espécies formam cogumelos cor-de-fogo, outras parecem mais pequenas taças. Todas evoluíram uma grande resiliência ao fogo – seja por via dos escleródios, estruturas dormentes que reaparecem para proteger o fungo contra o calor, seja simplesmente se enfiando embaixo da terra. Apesar disso, elas costumam ter vida curta, e duram apenas algumas semanas.

Como exatamente essas espécies teriam evoluído para se dar tão bem nas matas conflagradas – isso continuava sendo uma incógnita. Ao mesmo tempo, a capacidade desses seres de acelerar a recuperação de florestas – decompondo, por vezes, até poluentes químicos do ar – virou um tema de imenso interesse para os cientistas, que veem possíveis usos desses fungos na restauração de paisagens poluídas.

Para resolver esse mistério, uma equipe de pesquisadores analisou as sequências de DNA de 18 espécies pirófilas diferentes, extraídas de queimadas na Califórnia e cultivadas por cinco anos em laboratório. Os resultados foram publicados no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences em Janeiro, e traçam as origens genéticas da resistência dessas espécies aos incêndios florestais (que, em regiões como a Califórnia, são ocorrências naturais e esperadas).

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Esse desenvolvimento aconteceu por três caminhos. Primeiro, pela duplicação de genes: com isso, alguns fungos foram capazes de criar cópias idênticas dos genes associados à criação das enzimas que decompõem a matéria carbonizada. Quanto mais genes replicados, mais enzimas são produzidas, o que deixa essa digestão ainda mais potente.

Em outros casos, o caminho foi a reprodução sexual, isto é, a criação de novos seres a partir da recombinação de genes entre seres da mesma espécie. Aumentando as oportunidades para o surgimento de variações aleatórias no DNA, esse mecanismo faz com que as mudanças necessárias para a metabolização do carvão no organismo surjam em um ritmo bem mais rápido.

O caso mais curioso, porém, era das espécies que realizavam a chamada transferência horizontal de genes. Funciona assim: quando nós, seres humanos, geramos um filho, estamos transferindo nossos genes ao longo da linhagem, de pai para filho, de cima para baixo – ou seja, verticalmente.

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Em alguns casos, porém, algumas espécies conseguem fazer essa transferência horizontalmente, para os lados, como se estivessem pegando genes emprestados de irmãos ou amigos. É assim que as bactérias fazem, trocando genes entre si; porém, em casos muito raros, essa transferência pode acontecer entre reinos diferentes. E, de acordo com os pesquisadores, foi justamente com as bactérias que os fungos “aprenderam” a se proteger do fogo.

Entender esses caminhos é essencial para que os cientistas possam pensar em novas possíveis aplicações para esses fungos. O carvão consumido por esses seres é semelhante a uma série de poluentes criados pelo ser humano, e dominar os mecanismos de digestão dessas espécies pode ser chave para que talvez no futuro, ele possa ser usado para limpar derramamentos de petróleo no mar, resíduos da mineração ou mesmo a poluição criada pelas indústrias.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.