Aqui você encontra as informações mais interessantes e surpreendentes do mundo

Aqui você encontra as informações mais interessantes e surpreendentes do mundo

Curiosidades

Paciente com coração do lado direito passa por cirurgia cardíaca robótica; saiba como foi

No dia 6 de março, no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul (PR), um idoso de 76 anos foi submetido a uma cirurgia de revascularização do miocárdio (conhecida como ponte de safena) com tecnologia robótica. Mas há um detalhe inusitado: seu coração bate do lado direito do peito, e não do lado esquerdo.

O paciente em questão, que preferiu não se identificar, possui uma anomalia congênita rara chamada situs inversus, em que os órgãos do tórax e do abdômen são espelhados. Ou seja, estruturas que normalmente ficam do lado esquerdo estão no lado direito, e vice-versa. Fígado, baço, estômago…todos entram no esquema. No caso do coração, a condição se chama dextrocardia. Por incrível que pareça, a condição não provoca sintomas na maioria das pessoas – embora possa estar associada a outras malformações.

Sua cirurgia de ponte de safena é potencialmente inédita no Brasil. Não há registro publicado de um procedimento robótico desse tipo realizado em um paciente com essa anatomia.

“Já existem relatos de pacientes com órgãos invertidos sendo operados de forma minimamente invasiva para revascularização do miocárdio. Mas com o auxílio de robô, não encontramos nenhum”, explica o Dr. Rodrigo Ribeiro, um dos cirurgiões responsáveis pelo procedimento. O procedimento com robôs para casos assim já é bem conhecido, mas o caso de situs inversus complicou bastante a história.

“Existe uma técnica desenhada para esse tipo de cirurgia com robô. Quando o paciente tem os órgãos invertidos, você precisa fazer aquele mesmo procedimento, só que todo ao contrário. Isso demanda muito treinamento e uma expertise técnica muito grande. Pode parecer simples, mas é extremamente complexo: todos os movimentos precisam ser executados de forma reversa. O próprio posicionamento do paciente e do robô na sala foi invertido. As pinças entram ao contrário, a sutura é feita ao contrário – tudo ao contrário”, explica Ribeiro.

O paciente começou a apresentar dores no peito e, após investigação médica, foi identificado um entupimento na artéria coronária, a temida aterosclerose. Essa artéria é responsável por levar sangue ao músculo cardíaco, o miocárdio. Como o entopimento, o músculo do coração recebe menos sangue e pode até falhar. Vale destacar que a condição não tem relação com o situs inversus, e é favorecida por fatores como colesterol LDL alto, tabagismo, pressão alta, diabetes, obesidade e estilo de vida sedentário.

Na maioria dos casos, o tratamento indicado seria a angioplastia, um procedimento minimamente invasivo em que um cateter, acoplado a um balão, é inserido até a artéria para desobstruí-la. Também é implantado um stent, um pequeno tubo expansível, para evitar um novo bloqueio da artéria.

Continua após a publicidade

No entanto, a anatomia incomum do paciente dificultava a realização desse procedimento. Por isso, a melhor opção era a ponte de safena.

Trata-se de uma das cirurgias cardíacas mais comuns no mundo. Ela consiste em retirar uma artéria – geralmente a artéria mamária, no tórax – e, com ela, criar um novo caminho para o sangue chegar ao coração, funcionando como uma “ponte”.

O procedimento é complexo, afinal, as artérias têm menos de 2 milímetros de diâmetro, e os fios usados na sutura são ainda menores. Isso vem com um problema adicional: é extremamente arriscado para uma pessoa de 76 anos. 

A técnica tradicional envolve literalmente serrar os ossos do peito para abrir o tórax. A recuperação leva meses.

A solução mais moderna é realizar o mesmo procedimento, mas com auxílio de tecnologia robótica. Com ela, a recuperação costuma levar semanas, e são feitos apenas pequenos cortes no peito, com menos de 1 centímetro de diâmetro. Nenhum osso é partido.

Continua após a publicidade

O procedimento funciona assim: por meio dessas incisões, os médicos inserem um trocáter, uma espécie de tubo por onde passam as pinças do robô, além de agulhas e fios de sutura.

Apesar das vantagens, a cirurgia robótica ainda é cara e não está disponível na maioria dos hospitais. O paciente era atendido pelo SUS, que não cobre esse tipo de tecnologia.

Felizmente, ele conseguiu ser contemplado por uma iniciativa do Hospital Angelina Caron, que oferece a pacientes idosos do SUS acesso gratuito a procedimentos cardíacos com essa tecnologia. A cirurgia foi realizada pelos cirurgiões cardiovasculares Dr. Rodrigo Ribeiro de Souza e Dr. Milton de Miranda Santoro, ambos especialistas em cirurgia robótica.

O procedimento com a artéria mamária foi bem-sucedido, e o paciente está em recuperação. Ainda assim, a anatomia invertida trouxe desafios adicionais. Para ele, o caso reforça o avanço da cirurgia robótica no país: “Esse caso amplia a experiência da cirurgia cardíaca robótica brasileira. Ele traz para nossa experiência um caso de uma complexidade maior do que a convencional. E nós resolvemos.”

Continua após a publicidade

Pressão 12 por 8 não é mais normal? Entenda o que mudou

Como funciona uma cirurgia robótica

Ao contrário das distopias, o robô está bem longe de realizar a cirurgia sozinho: “Muita gente fica com medo da cirurgia robótica, porque acha que quem vai operar o paciente é o robô. Isso não é verdade. O robô é uma ferramenta que serve para amplificar o resultado técnico que o cirurgião pode dar para o paciente. Ele transforma uma cirurgia arriscada em uma cirurgia muito mais segura e precisa”, esclarece o cirurgião.

O robô é basicamente uma pinça – muita cara e tecnológica – que funciona  como uma extensão das mãos do médico, que controla os instrumentos a partir de um console, semelhante a um videogame.  Ele apenas replica os movimentos do cirurgião e não executa ações de forma autônoma. Ou seja: não há possibilidade do robô falhar e acidentalmente furar seu coração, por exemplo.

<span class=”hidden”>–</span>Hospital Angelina Caron/Divulgação

Além de permitir procedimentos menos invasivos, ele apresenta uma série de benefícios.

Continua após a publicidade

“O cirurgião enxerga dentro do paciente através de uma câmera bem pequena que tem cerca de 8 milímetros, e consegue ver em três dimensões. É como se estivesse vendo com os próprios olhos. Isso amplia os detalhes do que se consegue visualizar dentro do paciente durante a cirurgia. Um outro benefício é que o robô tem um filtro para movimentos ultra rápidos. Se você tem um tremor (pois até mesmo os cirurgiões possuem algum tipo de tremor fino), o robô filtra e elimina, deixando o movimento muito mais preciso.” completa Ribeiro

Outro diferencial é a amplitude de movimento: enquanto a mão humana gira cerca de 180°, os instrumentos robóticos podem girar 360º em vários planos. “É como se eu conseguisse, com a minha mão, tocar o meu próprio antebraço”, exemplifica o médico.

Por outro lado, a preparação do procedimento é longa e exige planejamento rigoroso. A equipe envolve anestesistas, enfermeiros, instrumentadores, cirurgiões e outros profissionais.

“Isso é muito importante porque uma vez que existe o acoplamento do robô com o paciente, o docking, você não pode mais mexer no paciente. Para mudá-lo de posição, é necessário separá-lo do robô, reposicioná-lo e, depois, conectar o robô novamente. Então, preparamos tudo para que isso não seja necessário. Quando acaba a cirurgia, fazemos o undocking, que é o desacoplamento do robô. E aí podemos mobilizar o paciente novamente.” diz Ribeiro.

Antes do procedimento, o paciente realiza exames de imagem detalhados para mapear a posição dos órgãos e vasos sanguíneos. Tudo é cuidadosamente planejado com antecedência, como o melhor lugar para introduzir o robô.

Continua após a publicidade

O programa do Hospital Angelina Caron

Embora exista há cerca de duas décadas, a cirurgia cardíaca robótica ganhou mais espaço no Brasil apenas nos últimos anos. Ainda assim, há poucos centros especializados, entre eles o Hospital Angelina Caron, que planeja realizar 30 procedimentos gratuitos de revascularização do miocárdio robótica em 2026.

A iniciativa faz parte do Projeto Idoso 360, criado há cinco anos para oferecer tratamentos gratuitos a pacientes do SUS, incluindo serviços que não estão disponíveis na rede pública.

“A gente investe na multidisciplinaridade do atendimento. Isso envolve estrutura hospitalar, tecnologia, medicações e profissionais. Fazemos um trabalho de capacitação dos médicos que atendem os pacientes nas unidades básicas de saúde para que ele possa atender o paciente da melhor forma”, explica Stephanie Formoso, gerente de Investimento Social do hospital.

Além desse, o hospital possui outros projetos sociais, que operam graças a captação de recursos via renúncia fiscal. Atualmente, cerca de 85% dos pacientes atendidos são do SUS.

Agora, o programa de cirurgia robótica busca expandir ainda mais esse alcance.

“Identificamos uma oportunidade na comunidade, principalmente com os pacientes idosos, que poderiam se beneficiar da cirurgia cardíaca robótica. Muitas vezes, percebemos que a cirurgia aberta não representaria um sucesso clínico favorável. Nosso compromisso é que os pacientes sejam acima de 60 anos, porque a verba foi viabilizada via Fundo do Idoso. Também temos preferência por pacientes do município no qual nós estamos inseridos, Campina Grande do Sul e adjacência. Assim, conseguimos ter um impacto mais relevante na nossa comunidade imediata.” afirma Stephanie.

Publicidade

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre as curiosidades do mundo!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.