Humanos estão aquecendo o planeta em ritmo jamais registrado, revela estudo
As temperaturas globais estão subindo, e a humanidade está acelerando essa escalada em níveis nunca antes vistos. Desde 2015, o ritmo de aquecimento do planeta quase dobrou o passo em relação às décadas passadas, de acordo com um novo estudo que procura calcular o impacto humano no clima filtrando o “ruído de fundo” causado por fatores naturais.
Antes, desde a década de 1970, o crescimento médio das temperaturas globais era de pouco menos de 0,2 °C a cada dez anos. Segundo o artigo, a virada aconteceu nos anos de 2013 e 2014, quando o ritmo de aquecimento das temperaturas globais saltou para cerca de 0,35 °C por década – o mais alto desde 1880, ano em que foram feitos os primeiros registros instrumentais de temperaturas.
O artigo foi publicado neste último dia 6, no periódico Geophysical Research Letters. Nele, os autores analisam cinco grandes bases de dados das temperaturas globais para descobrir quanto do aquecimento global foi resultado da interferência humana no meio ambiente. Para isso, antes de tudo, eles removem o “ruído” de fenômenos naturais capazes de afetar as temperaturas – ciclos solares, ações vulcânicas e o El Niño, um evento climático sazonal causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
O El Niño tem impactos no clima do mundo inteiro, intensificando secas em certas regiões e, em outras, deixando as chuvas ainda mais fortes. Sua última aparição aconteceu entre 2023 e 2024, considerados dois dos anos mais quentes da história. O clima desses anos, porém, tornou-se um pouco mais ameno quando os cientistas corrigiram as temperaturas para os efeitos do El Niño. Ainda assim, esses continuaram sendo alguns dos anos mais quentes desde o começo dos registros.
“Se o ritmo de aquecimento dos últimos dez anos continuar, isso levaria a uma ultrapassagem de longo-prazo do limite de 1,5 grau do Acordo de Paris antes de 2030”, explicou, em nota, Stefan Rahmstorf, co-autor do estudo.
O Acordo de Paris foi um tratado mundial firmado em 2015 com o objetivo de mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Com o documento, países de todo o mundo se comprometeram a limitar o aquecimento a 1,5 °C em comparação aos níveis pré-industriais.
Considerando 2023, 2024 e 2025 – os três anos consecutivos mais quentes da história –, esse limiar já teria sido ultrapassado; porém, o cálculo do Acordo leva em conta o aquecimento ao longo de décadas. Nesse caso, é possível que esse limite seja superado já em 2028, conforme os resultados das projeções em três das cinco bases de dados do estudo.
“A velocidade com a qual a Terra continua a esquentar, em última instância, depende do quão rápido nós reduzimos a zero as emissões globais de CO2 por combustíveis fósseis”, continua Rahmstorf.
As temperaturas estão aumentando – disso, os cientistas não têm dúvida. A questão agora é descobrir se esse aumento tem acontecido num ritmo consistente ao longo das décadas ou se ele está ficando cada vez mais rápido. A certeza até agora era de que, desde os anos 1970, as temperaturas globais vinham crescendo cerca de 0,2°C por década; porém, em tempos recentes, especialistas vinham questionando se esse crescimento não poderia estar, na realidade, acelerando.
Apesar disso, nenhum estudo até hoje havia sido capaz de comprovar essa aceleração de maneira significativa. Na estatística, são necessários intervalos de confiança de, no mínimo, 95% para uma estimativa ser considerada precisa e significativa. Isso significa que, se o estudo fosse replicado 100 vezes, os resultados cairiam dentro de seu intervalo calculado 95 vezes. O novo estudo é o primeiro a demonstrar uma aceleração significativa no aumento das temperaturas, com um intervalo de confiança maior que 98%.
O estudo não investiga quais fatores específicos têm causado essa aceleração, apenas procura comprovar que o ritmo, de fato, está aumentando. Ainda assim, para os especialistas, uma aceleração pode tornar ainda mais preocupante o cenário climático atual, aproximando ainda mais o planeta dos chamados “pontos de não retorno”, nos quais certos ecossistemas perdem a capacidade de se regenerar devido ao clima extremo.
“O aquecimento acelerado não é inesperado pelos modelos climáticos, mas é um motivo de preocupação e demonstra o quão insuficientes os esforços para desacelerar e, eventualmente, interromper o aquecimento global no âmbito do Acordo de Paris sobre o Clima têm sido”, escrevem os autores no artigo.
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