Oscar 2026: quais filmes brasileiros já concorreram ao Oscar?
O período de votação para o Oscar 2026 terminou nessa última quinta-feira (5), e as expectativas para a premiação que acontece no dia 15 estão altas. Um ano após Ainda Estou Aqui (2024) levar para casa o primeiro Oscar brasileiro na categoria de Melhor filme Internacional, o Brasil tem a chance de ser laureado novamente na maior e mais pomposa cerimônia do cinema Hollywoodiano.
O protagonista da vez é O Agente Secreto (2025), filme de Kleber Mendonça Filme, que concorre às categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator (pela atuação de Wagner Moura).
O Brasil vêm pipocando pelo Oscar já faz algum tempo. A primeira vez que um nome daqui apareceu entre os indicados da premiação aconteceu em 1945, quando o compositor Ary Barroso concorreu à estatueta de Melhor Canção Original pela composição Rio de Janeiro, escrita para o filme Brasil (1944), junto com o estadunidense Ned Washington.
Mas, apesar do nome, o filme é americano. Demoraria 15 anos até uma coprodução brasileira concorrer à estatueta, e outros 3 até uma produção integralmente brasileira figurar entre os finalistas. A seguir, você conhece todos os filmes brasileiros que, ao longo dos anos, conseguiram esse feito.
O critério é o seguinte: estamos contando apenas produções ou coproduções brasileiras. Ficam de fora casos em que brasileiros acabaram indicados pelos seus trabalhos em filmes internacionais – caso de Ary Barroso ou do cinegrafista Adolpho Veloso, indicado a Melhor Fotografia pelo filme Sonhos de Trem (2025) na edição de 2026.
1960: Orfeu Negro
Lançado em 1959, Orfeu Negro é uma produção ítalo-franco-brasileira. O gentílico composto implica que deveríamos dividir esse mérito com a Itália e a França, mas não se engane: esse é um filme, por excelência, bem brasileiro – ainda que isso continue sendo uma questão polêmica.
Com direção do francês Marcel Camus, o longa é derivado da peça Orfeu da Conceição, escrita por Vinícius de Moraes. A peça adapta o mito grego de Orfeu e Eurídice ao contexto de uma favela carioca, no meio do Carnaval. O filme inteiro foi gravado em português, no Rio de Janeiro, e a trilha sonora ficou a cargo de Antônio Carlos Jobim e Luís Bonfá.
Em 1960, o filme foi indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro (que hoje corresponde à de Melhor Filme Internacional), e saiu vitorioso. Mas o prêmio não foi para o Brasil, e sim para a França – motivo pelo qual esse não é considerado nosso primeiro Oscar. Isso aconteceu porque, dos três países, foi o braço francês da produção, a Dispat Films, quem teve a maior participação no filme. No regulamento da Academia, esse fator é determinante para dizer qual país fica com a estatueta, no caso das coproduções.
1963: O Pagador de Promessas

Aos mais criteriosos, O Pagador de Promessas (1962), uma produção totalmente brasileira, provavelmente ocupa de maneira muito mais confortável o posto de primeiro filme brasileiro indicado ao Oscar. Escrito e dirigido por Anselmo Duarte, o filme conta a história de Zé do Burro, que, para curar seu burro atingido por um raio, promete a Deus que irá caminhar do interior da Bahia até Salvador carregando uma cruz de madeira.
O filme foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro na edição de 1963, mas perdeu para o francês Les dimanches de Ville d’Avray (1962). Se essa foi a primeira ou a segunda estatueta que perdemos para a França continua sendo um debate em aberto.
1979: Raoni
Pulamos para o final da década seguinte com outra coprodução: o belgo-franco-brasileiro Raoni, lançado em 1978. Dessa vez, trata-se de um documentário, que acompanha o líder indígena caiapó Raoni Metuktire enquanto luta pela preservação do Parque Indígena do Xingu durante a ditadura militar. A direção é uma colaboração entre o brasileiro Luiz Carlos Saldanha e o francês Jean-Pierre Dutilleux.
A versão desse filme que concorreu a Melhor Documentário de Longa-Metragem em 1979, na verdade, não é a mesma que rodou por aqui. Foi a versão americana, narrada pelo ator Marlon Brando, que acabou indicada na premiação. No final, quem levou foi o americano Scared Straight! (1978).
1986: O Beijo da Mulher Aranha

O Beijo da Mulher Aranha (1985) rendeu ao ator William Hurt duas importantes coisas: um prêmio de Melhor Ator no Oscar de 1986 e um sequestro-relâmpago em São Paulo. Coprodução do Brasil com os EUA, o filme estrela, além de Hurt, nomes como Raúl Juliá e Sônia Braga – e foi gravado no Centro da capital paulista. A direção é de Hector Babenco, argentino naturalizado brasileiro, que, por sua vez, concorreu ao prêmio de Melhor Diretor.
Situada no meio da ditadura militar, a narrativa mostra a convivência de dois prisioneiros – um preso político de esquerda e um cabeleireiro gay, que conta histórias de um filme falso estrelando uma famosa atriz de cinema. O Beijo da Mulher Aranha também concorreu nas categorias de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, totalizando quatro indicações.
1996: O Quatrilho
Estrelado por Glória Pires e Patrícia Pillar, O Quatrilho (1995) foi outra produção brasileira a disputar a categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Dirigido por Fábio Barreto, o filme conta a história de dois casais de imigrantes italianos que, ao se mudarem juntos para uma comunidade rural no Rio Grande do Sul, vivem um triângulo – ou, na verdade, um quadrado – amoroso.
1998: O Que É Isso, Companheiro?
Dois anos depois, outra produção brasileira, outra indicação a Melhor Filme Estrangeiro. O Que É Isso, Companheiro? (1997), com direção de Bruno Barreto, reconta a história do sequestro de Charles Burke Elbrick, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, que aconteceu em 1969.
1999: Central do Brasil

Central do Brasil, o filme de Walter Salles de 1998, é, de certa forma, o início de um arco que o cinema brasileiro só fecharia uns 26 anos depois. Na edição de 1999, o filme marcou a primeira indicação de Salles à premiação, concorrendo na categoria de Melhor Filme Internacional. Ele perdeu para o italiano A Vida é Bela (1997), mas essa passou longe de ser a maior ferida que o Brasil recebeu naquela noite.
Na categoria de Melhor Atriz estava a segunda indicação do filme: Fernanda Montenegro, pelo papel de Dora, uma professora aposentada que trabalha escrevendo cartas para analfabetos na Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. No filme, ela conhece um garoto, Josué, que, após perder a mãe, deseja ir ao Nordeste para encontrar o pai que nunca conheceu – e decide ajudar o menino em sua jornada.
Montenegro foi derrotada pela atriz americana Gwyneth Paltrow, que fez a personagem Viola de Lesseps no filme Shakespeare Apaixonado (1998). O longa produzido por Harvey Weinstein ficou marcado por sua campanha agressiva na temporada de premiações de 1999.
2001: Uma História de Futebol
Agora é a vez dos curtas. Uma História de Futebol, filme de Paulo Machline lançado em 1998, foi o primeiro curta-metragem brasileiro a disputar um Oscar, na categoria de Live Action. O filme narra de maneira ficcionalizada a infância de Pelé, nas palavras de um velho amigo de infância.
2004: Cidade de Deus

Acumulando indicações em quatro categorias, Cidade de Deus (2002) virou, em 2004, a produção integralmente brasileira com o maior número de indicações no Oscar. O filme disputou os prêmios de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição – mas não levou nenhum.
Considerado ponto final do período do “cinema da retomada”, o longa adapta o livro homônimo de Paulo Lins, e acompanha a vida de um núcleo de moradores da Cidade de Deus, bairro no Rio de Janeiro construído nos anos 1960, em meio a ascensão do crime organizado na região.
2005: Diários de Motocicleta
Em 2005, um filme sobre a expedição de Ernesto Che Guevara pela América do Sul marcou a segunda vez que uma obra de Walter Salles concorreu à estatueta: Diários de Motocicleta (2004). Dessa vez, por Melhor Roteiro Adaptado (o filme é baseado nos diários de viagem do revolucionário argentino) e Melhor Canção Original, com “Al Otro Lado Del Río”, composição do uruguaio Jorge Drexler.
De todos os filmes dessa lista, esse é o que tem mais países na coprodução. São oito: Argentina, Chile, Peru, França, Alemanha, Reino Unido, EUA e, claro, Brasil. Levou o prêmio de Melhor Canção – e uma terceira indicação, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, foi rejeitada justamente pela quantidade de países envolvidos. Não havia, segundo os critérios da Academia, elementos suficientes de nenhum país específico para que o filme se qualificasse.
2011: Lixo Extraordinário
O documentário Lixo Extraordinário (2010) foi o escolhido para representar o Brasil nos Oscars de 2011. Concorreu na categoria de Melhor Documentário de Longa-Metragem, mas perdeu para o americano Inside Job (2010). Dirigido pela britânica Lucy Walker, junto com Karen Harley e o brasileiro João Jardim, o filme é uma coprodução entre Reino Unido e Brasil, e documenta os encontros entre artista plástico Vik Muniz e os catadores de lixo no maior aterro sanitário do mundo, localizado na cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.
2015: O Sal da Terra
Chegou o Salgado! No caso, o fotógrafo. Indicado ao Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem, em 2015, o documentário franco-ítalo-brasileiro O Sal da Terra (2014) traça o perfil de Sebastião Salgado, um dos fotojornalistas mais influentes do Brasil. O filme é dirigido pelo seu filho, Juliano Salgado, junto com o Alemão Wim Wenders (o mesmo de Paris, Texas). Na votação, também foi preterido por um documentário americano, Citizenfour (2014).
2016: O Menino e o Mundo

Os Oscars de 2016 marcaram a primeira vez em que uma animação brasileira esteve entre os finalistas da premiação. O Menino e o Mundo (2013), dirigido pelo animador Alê Abreu, mostra a jornada do menino Cuca, que deixa sua aldeia rural em busca de seu pai, e logo descobre um mundo cheio de problemas. Disputou na categoria de Melhor Filme de Animação, mas quem acabou levando o prêmio foi a Pixar, com Divertidamente (2015).
2020: Democracia em Vertigem
Em 2020, foi a vez da documentarista Petra Costa disputar o prêmio de Melhor Documentário de Longa-Metragem, com Democracia em Vertigem (2019). Das Jornadas de Junho de 2013 à Operação Lava Jato, filme mostra os bastidores dos eventos políticos que culminaram no Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. O vencedor da noite, porém, foi American Factory (2019).
2025: Ainda Estou Aqui

É DO BRASIL!!!
Mais de duas décadas após sua primeira indicação, Walter Salles fez seu retorno triunfante ao Oscar em 2025, com o filme Ainda Estou Aqui (2024). Torcida de futebol, clima de Copa do Mundo e celebração de carnaval – a temporada de premiações de 2025 foi, para o público brasileiro, um evento de proporções praticamente irreplicáveis.
Tudo pesava para que a corrida pelo primeiro Oscar brasileiro fosse tomada de muitos afetos. O filme, baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, retrata o desaparecimento do político brasileiro Rubens Paiva (Selton Mello), morto pela ditadura militar brasileira em 1971. O centro da narrativa, no entanto, está em sua esposa, Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres. Após o desaparecimento de Rubens, é Eunice quem precisa lidar com as consequências da perseguição política do regime, ao mesmo tempo que luta pela memória de seu marido.
Foi o filme certo, lançado na hora certa, e não demorou para que essa produção brasileira ganhasse destaque nas premiações internacionais. Quando Fernanda Torres ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama e, depois, saiu como uma das finalistas ao Oscar de Melhor Atriz, uma outra disputa se criou. Haviam se passado 26 anos desde que Fernanda Montenegro, mãe de Torres, teve sua atuação em um filme de Walter Salles esnobada nos Oscars, e, agora, sua filha tinha a chance de conquistar o prêmio que foi tirado de sua mãe.
Foram três indicações no total: Melhor Atriz, Melhor Filme Internacional e, de maneira inédita, Melhor Filme. Com a vitória na categoria de Filme Internacional, foi entregue nas mãos de Salles o primeiro Oscar realmente, completamente, brasileiro. As Fernandas, porém, não foram vingadas: foi Mikey Madison quem levou o prêmio para casa pelo filme Anora (2024).
2026: O Agente Secreto

Agora, é a vez do thriller pernambucano O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, subir aos palcos do mundo. O filme estrela Wagner Moura no papel de Marcelo, um fugitivo político da ditadura militar em Recife, no ano de 1977 – “uma época cheia de pirraça”.
Além do Brasil, o filme também foi coproduzido pela Alemanha, França e Países Baixos. Foram os holandeses, por exemplo, que ficaram a cargo da animação Stop Motion que aparece na surreal sequência-slasher da “Perna Cabeluda”.
O filme concorre nas categorias de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, além do recém-chegado prêmio de Melhor Direção de Elenco. Wagner Moura, por sua vez, disputa o posto de Melhor Ator.
É do Brasil? Será o baiano internacionalmente reconhecido pelo seu molho? Isso, a gente só descobre no dia 15. Até lá, dedos cruzados.
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