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Curiosidades

O que significa “xiita” e “sunita”? A história e as diferenças entre os grupos

Você já deve ter ouvido falar em muçulmanos xiitas sunitas. Os termos voltam ao vocabulário brasileiro de tempos em tempos, principalmente quando há notícias de conflitos e guerras no Oriente Médio. Geograficamente, quando se fala em Oriente Médio, não estamos falando de um conjunto oficial de países, mas em um entendimento político-geográfico que agrupa alguns países de uma região – em geral, a definição inclui os países da Península Arábica, assim como Irã, Síria, Líbano, Jordão, Palestina, Israel, Turquia e Egito.

A disputa pelo poder político na região não é recente e, há séculos, é atravessada por uma série de conflitos internos que misturam religião, política e identidade. Entre as mais marcantes está a separação histórica da população islâmica entre sunitas e xiitas, que influenciam os conflitos regionais há mais de 1.300 anos.

Tudo começou no século 7, com a morte do profeta Maomé, em 632. Além de líder religioso, ele exercia papel político na comunidade islâmica da Península Arábica, que ainda não tinha a divisão em países como conhecemos hoje. 

Era preciso escolher um novo líder, o califa (do árabe khalifa, “sucessor”). O problema: Maomé não deixou instruções claras sobre quem deveria sucedê-lo, e não tinha um filho homem. E é aí que surge a divisão.

De um lado, um grupo minoritário defendia que a liderança deveria permanecer com descendentes do profeta. Especificamente, o sucessor legítimo seria Ali ibn Abi Talib, primo e genro de Maomé, casado com sua filha Fátima. Esse grupo deu origem ao que hoje chamamos de xiitas, que acreditam que o líder deve ser designado divinamente.

Do outro lado, a maioria defendia que outro fiel poderia liderar, desde que escolhido por consenso entre os companheiros do profeta. Para eles, o importante não era a descendência, mas que o novo líder agisse conforme as práticas de Maomé. Assim, eles apoiaram Abu Bakr, sogro de Maomé e um de seus aliados mais próximos. Esse grupo deu origem aos sunitas.

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Os partidários de Abu Bakr prevaleceram no processo de sucessão, e ele foi escolhido como o primeiro califa em 632. Depois dele, vieram Umar ibn al-Khattab e Uthman ibn Affan, que lideraram a expansão da comunidade islâmica para além da Península Arábica. Para os xiitas, porém, esses governantes não foram líderes legítimos.

Ali Talib, o genro de Maomé que era considerado o único líder legítimo pelos xiitas, só assumiu o califado em 656, após a morte de Uthman. Seu governo foi conturbado e ele não conseguiu impor sua autoridade, culminando no episódio conhecido como Primeira Fitna (guerra civil islâmica), cheio de batalhas sangrentas. Ele foi assassinado em 661.

Após sua morte, seu filho mais velho, Hassan, chegou a assumir brevemente a liderança, mas renunciou em meio a disputas políticas e morreu posteriormente, possivelmente envenenado. Já Hussein, outro filho de Ali Talib, foi decapitado na Batalha de Karbala, em 680. Ambos eram netos de Maomé. 

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Para os xiitas, Hussein é um mártir central da fé. A Ashura é uma das principais datas do calendário religioso muçulmano, e, para os xiitas, é um momento anual de relembrar a morte de Hussein em rituais, procissões e outras práticas.

Passa a haver períodos de perseguição contra grupos xiitas, que passam a reconhecer a liderança dos imãs, descendentes de Ali e Fátima, considerados guias espirituais especialmente autorizados a interpretar a fé. Essa doutrina se chama imamat e é central para o xiismo.

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Em diferentes períodos históricos, muitos desses grupos permaneceram afastados do poder político e, por vezes, sofreram repressão. Por isso, comunidades xiitas se mantiveram discretas ou dispersas, e alguns de seus ramos desenvolveram tradições de caráter mais místico. Ao longo dos séculos, consolidaram-se essas duas vertentes do islamismo e os conflitos entre xiitas e sunitas alternaram momentos de tensão e períodos de convivência relativamente pacífica.

Na era contemporânea, um marco importante foi a Revolução Iraniana de 1979, que instaurou no Irã um regime teocrático islâmico xiita, que tinha a ambição de espalhar a revolução para outros territórios. Isso alterou o equilíbrio regional e intensificou rivalidades políticas com países de maioria sunita. Nesse contexto, religião e política se misturaram, gerando mobilização popular em ambos os lados.

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Destacam-se conflitos em que a rivalidade entre sunitas e xiitas teve peso relevante, como a violência sectária no Iraque após 2003 e a guerra civil no Iêmen, iniciada em 2014. Em outros casos, como a guerra civil na Síria (desde 2011), a divisão religiosa se somou a disputas políticas mais amplas.

Atualmente, xiitas continuam como minoria, e os sunitas representam cerca de 85% da população muçulmana. Em alguns países, xiitas fazem parte da parcela mais pobre da sociedade – eles são maioria apenas em alguns países, como Irã e Iraque.

Resumindo: sunitas e xiitas são vertentes diferentes do islamismo. Ambos seguem os pilares centrais da fé islâmica, acreditando em Alá, no profeta Maomé e no Alcorão. As diferenças envolvem sobretudo interpretações sobre o livro sagrado, disputas sobre legitimidade dos representantes e diferentes visões sobre a história do islamismo. O vestuário, forma de rezar e de realizar o jejum no mês do Ramadã podem mudar, por exemplo.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.