“Turistas atiradores” ricos teriam pago 90 mil dólares para atirar em pessoas em viagens de “safári humano”
O cerco de Sarajevo, entre 1992 e 1995, já é lembrado como um dos episódios mais violentos da guerra da Bósnia. No entanto, novas acusações levantadas por um escritor italiano adicionam um elemento ainda mais perturbador ao que já se sabia sobre esse período. A investigação aponta para a existência de visitantes estrangeiros que teriam viajado até a região apenas para atirar em civis, pagando valores altíssimos para participar do que teria funcionado como um macabro “safari humano”.
Ezio Gavazzeni, jornalista e romancista conhecido por obras sobre terrorismo e máfia, afirma ter reunido documentos, depoimentos e indícios que sustentam a denúncia. Segundo ele, indivíduos muito ricos teriam desembolsado quantias que chegavam a cerca de 90 mil dólares para serem levados a posições sérvias nas montanhas que cercavam Sarajevo. Dali, teriam feito disparos contra moradores indefesos, escolhidos ao acaso, enquanto a cidade vivia sob bombardeios e ataques constantes.
Soldados bósnios correndo para se abrigar do fogo sérvio em Sarajevo, julho de 1992
As revelações chamaram a atenção de autoridades italianas. O material entregue por Gavazzeni está agora nas mãos da Promotoria de Contraterrorismo em Milão, conduzida pelo procurador Alessandro Gobbis. A investigação busca determinar se cidadãos italianos participaram do suposto esquema e, caso sejam identificados, avaliar se podem responder por homicídio.
O escritor afirma que os visitantes pagavam valores diferentes dependendo do alvo escolhido. Homens e mulheres teriam preços distintos, e crianças eram consideradas “alvo mais caro”. Gavazzeni relata que encontrou pistas sobre a possível participação de pessoas da Alemanha, França, Reino Unido e outros países ocidentais. Em suas palavras, seriam “ricos apaixonados por armas”, gente habituada a frequentar clubes de tiro ou participar de caçadas na África.
O cerco de Sarajevo deixou cerca de 11 mil mortos, com franco-atiradores e artilharia causando destruição diária. O conflito marcou a desintegração violenta da antiga Iugoslávia e expôs moradores da capital a ataques imprevisíveis. Dentro desse contexto brutal, a ideia de estrangeiros pagando para atirar em civis adiciona uma camada de horror difícil de assimilar.
Um atirador de elite mirando em Sarajevo
Gavazzeni não é o primeiro a mencionar esse tipo de atividade. Alegações semelhantes surgiram ocasionalmente ao longo das últimas décadas, mas faltavam elementos concretos para sustentar investigações formais. O escritor decidiu aprofundar o tema após assistir ao documentário Sarajevo Safari, lançado em 2022 pelo diretor esloveno Miran Zupanic. O filme inclui o depoimento de um ex-soldado sérvio que afirma ter visto visitantes dos Estados Unidos, Rússia e Itália subirem às colinas para atirar contra moradores da cidade.
Entre os documentos entregues às autoridades italianas, estaria o testemunho de um ex-oficial da inteligência militar da Bósnia. Ele teria informado que sua equipe descobriu os supostos “safáris” em 1993 e repassou detalhes ao serviço de inteligência militar da Itália, o Sismi, em 1994. Esse oficial relatou que voos partiam de Trieste, no extremo norte da Itália, com destino aos arredores de Sarajevo.
Diz-se que o conflito sangrento tirou a vida de mais de 10 mil pessoas
Segundo a agência italiana Ansa, o militar afirmou ter sido informado posteriormente de que a prática seria encerrada. “Acabamos com isso e não haverá mais safáris”, teria escutado. O suposto fim abrupto das viagens reforça a suspeita de que algo efetivamente ocorreu nos bastidores da guerra.
Ao investigar os relatos da época, Gavazzeni reuniu suas descobertas em um dossiê de 17 páginas entregue à Promotoria em fevereiro deste ano. Em entrevista ao jornal La Repubblica, ele estimou que “muitos participaram”, arriscando um número mínimo de “pelo menos uma centena”. Sobre italianos envolvidos, afirmou que teriam pagado “muito dinheiro”, em torno de 100 mil euros.
O Consulado da Bósnia em Milão declarou que o governo aguarda esclarecimentos sobre as acusações. Um porta-voz afirmou que há informações relevantes que serão apresentadas aos investigadores, reforçando a cooperação entre os dois países na apuração do caso.
Esse “Turistas atiradores” ricos teriam pago 90 mil dólares para atirar em pessoas em viagens de “safári humano” foi publicado primeiro no Misterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.
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